Picaretagem. E é pago, ainda por cima!

“Epa, vc é professor de quê, meu filho? :) Agora quero saber!”, questionou essa semana o Trotta. Pois é, não costumo falar da minha vida profissional por aqui, mas a pergunta veio a calhar. Nas poucas horas vagas que tenho, costumo dar uma força em alguns destes cursos voltados para jornalistas. O mais comum é uma oficina bem básica de redação na web (apresentado no site assim), voltado especialmente para profissionais com pouca experiência no ramo. Como são turmas pequenas, a aula se transforma num verdadeiro bate-papo, com saldo positivo para todos os lados.

Enfim. Esses dias, procurando referências destes cursos no Google, achei um dos texto de apresentação colado no blog de um profissional tarimbado, precedido do título “picaretagem”. No pé, um “e é pago ainda por cima”. Como todos sabem, a classe jornalística está cheia de gente humilde e disposta a ajudar ao colega sempre que precisar… Podia ter me convencido disso e ignorado. Preferi enviar o e-mail a seguir.

Olá, tudo bem?

Gostaria de começar contando um pouco sobre mim. Sou formado em jornalismo na Cásper Líbero e trabalho num site segmentado de esportes desde 1998. Bom, encontrei seu blog por acaso, procurando referências aos cursos em que colaboro. E é claro, chamou minha atenção encontrá-las no seu espaço, incluindo o termo "picaretagem".

Acredite: mesmo antes de constatar sua experiência, lembrei da primeira vez que tive contato com a equipe que desenvolveu esse curso, em 2001. Certamente da mesma forma que você, também tive contato com a web logo nos primórdios... Participar um curso básico, discutindo conceitos que para mim eram familiares, pode parecer uma enganação. Mas quando vi a coisa de perto, constatei o que você já conhece: a maioria dos profissionais têm uma atitude refratária diante de novas tecnologias.

Ainda hoje, fazendo parte da equipe, as coisas permanecem as mesmas: por mais que o conteúdo do curso de web seja parecido ao que muitos blogueiros de 14 anos também são capazes de fazer, muitos não fazem idéia de como funciona o dia-a-dia de quem trabalha com isso. Tanto que, apesar da nítida evolução dessa área no campo acadêmico, é a sensação da prática que torna o curso atraente.

De minha parte, faço o que está no meu alcance para tornar aproveitáveis as poucas 16 horas de discussão e exercício. Mais do que isso: faço questão de trocar e-mails com muitos deles, incentivá-los a adquirir o que podemos chamar, a grosso modo, de "cultura digital". Mesmo no curso de construção de sites, que eu também dou meus pitacos, tenho todo o cuidado para apontar as inúmeras possibilidades.

Respeito a sua opinião e, mesmo sem te conhecer ou saber detalhes do seu trabalho, creio que não seja difícil respeitá-la pela sua capacidade. Admito que ainda estou bem longe de onde posso chegar, mas a última coisa que gostaria de ouvir de algum aluno é "seu picareta".

Não gostaria que esse fosse o primeiro e único e-mail sobre jornalismo onde quer que seja, ou seja qual for o assunto.

Um grande abraço!

Curiosamente, esse foi mesmo o primeiro e único: não tive qualquer resposta. Mas vamos dar um desconto. Mesmo vocês, meus amigos, sabem que profissionais que lidam com esse meio ficam sem tempo pra nada. Sequer para responder e-mails…

André Marmota acredita em um futuro com blogs atualizados, livros impressos, videolocadoras, amores sinceros, entre outros anacronismos. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (4)

  1. Acredito eu que não seja nem caso de inveja, mas sim de ignorância e precipitação. É inerente ao ser humano falar mal daquilo que lhe é incógnito; prova disso é o texto do tal jornalista a que o Marmota se referiu neste post.

    Não julgo o cara… Eu também sou assim, hoje menos, mas teve uma época em que eu era uma metralhadora ultra-sensível: qualquer divergência ativava minha ira, e eu disparava críticas infundadas a torto e a direito. Desde que tomei ciência disso, passei a buscar um maior auto-controle e, se não estou totalmente “curado”, fato é que já melhorei bastante.

    Abraços!

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