O Rei das aberturas de novelas

Esses dias, a Luciana citou Roupa Nova, atribuindo a eles o título de “campeão em trilhas sonoras de novela”. Fiquei lembrando como, realmente, algumas bandas e artistas atingem destaque ainda maior quando fazem parte da trilha sonora de uma novela.

Mais do que isso, como lembra Nilson Xavier em seu “Almanaque da Telenovela Brasileira”: até os anos 60, os cantores não gostavam de ter suas músicas atreladas a essas produções. Havia preconceito, vejam vocês! Só a partir de O Cafona, em 1969, com o sucesso de vendas da trilha, as coisas começaram a mudar.

Nesses últimos 40 anos, outros artistas são marcados por seus trabalhos em novelas. Nilson Xavier contou: Caetano Veloso e Gal Costa já ultrapassaram as cinquenta músicas em trilhas sonoras. Além do Roupa Nova, Simone, Fafá de Belém, Maria Bethânia, Marina Lima, Rita Lee, Fábio Jr., Milton Nascimento , Djavan e Lulu Santos também são recorrentes.

Sem falar em Ana Carolina e Adriana Calcanhoto, que nos últimos anos repetiram o mesmo fenômeno de Guilherme Arantes nos anos 70 e 80, emplacando vários hits.

Seria insanidade contar quantas vezes cada artista aparece nos discos e CDs nacionais e derivados. Mas se contarmos apenas as aberturas de novelas, você saberia dizer quem é o intérprete que mais aparece?


Sempre que lembro de Ney Matogrosso, vem à memória esse… Mmmhhh… Ousado clipe do Fantástico.

Desde 1977, Ney Matogrosso apareceu cantando “Bandido Corazon” na abertura de Coquetel de Amor – novela metalinguística de Espelho Mágico, foram oito aberturas na voz de Ney Matogrosso. Uma a mais em relação a Rita Lee, com Gal Costa completando o pódio.

O auge da carreira do ex-líder do Secos e Molhados coincidiu com sua presença em cinco aberturas entre o final dos anos 70 e o começo dos 80. Mais: a música “Não Existe Pecado ao Sul do Equador” (Chico Buarque), de Pecado Rasgado (1978) é a mesma que aparece na abertura de Dona Anja, exibida pelo SBT em 1997. Com dois adendos: a mais nova tinha ritmo de mambo, além do verso “vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor”, evidentemente proibido pela censura na versão anterior.

Dessa fase, as duas que me recordo com maior facilidade são as de duas comédias das sete: Jogo da Vida (1981), onde cantava “Vida vida que mais te quero ainda / linda vida que mais te faço linda”, e Vereda Tropical (1984), cujo tema de abertura era cantado em espanhol.

A primeira versão de Paraíso, de 1982, também tinha Ney Matogrosso na abertura. Promessas Demais, em uma canção assinada por Moraes Moreira, Zeca Barreto e o poeta Paulo Leminski. Depois dessas, ele demorou algum tempo para voltar a uma abertura da Globo.

Foi em 2003, com Kubanacan – a propósito, por razões misteriosas, a música-tema escreve-se “Coubanakan”. A oitava vez foi em Negócio da China (2008), onde o cantor aparece no primeiro capítulo cantando “Lig-Lig-Lig-Lé” em Macau, enquanto o mocinho briga com meio mundo no cassino – cenas que se repetiram em toda a abertura.


Chinês come somente uma vez por mês!

Ah sim, voltando ao Roupa Nova: esta reportagem da Folha relembra que o grupo é recordista em temas de novelas entre os anos 80 e 90, repercutindo em sua aceitação popular. “Artista que diz que não faz trabalho direcionado para o público é mentiroso. Se não é para o público, vai fazer para quem? Então, é melhor nem gravar”, diz Ricardo Feghali, tecladista e vocalista da banda. O mesmo se aplica às novelas, não?

Comentários em blogs: ainda existem? (3)

  1. Gostei muito de sua postagem. Ainda mais porque adoro Ney. Estava na net procurando a letra de “Vida Vida” e “Promessas Demais” e me perguntei POR QUE ainda não foi feito um Cd “Ney Matogrosso — Novelas”, já que Caetano e Djavan encomendaram os seus há anos! Ney MERECE um Cd desses, pois é mesmo, como vc bem intutulou, “O rei das aberturas de novelas”. Abraços pra vc!

  2. Mais do que isso, como lembra Nilson Xavier em seu “Almanaque da Telenovela Brasileira”: até os anos 60, os cantores não gostavam de ter suas músicas atreladas a essas produções. Havia preconceito, vejam vocês!”

    Não me surpreende esta constatação. Até ao ano 2000, sensivelmente, passava-se o mesmo por cá. É um fenómeno social comum, que passa com o desenvolvimento… mas só aflige alguns, aqueles que se guiam por o que os outros dizem…

    http://novelaspararecordar.blogspot.com/2007/10/contributo-musical.html

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