O que se morre e o que nunca vai se morrer

A primeira vez que ouvi Nenhum de Nós deve ter sido a mesma da maioria dos brasileiros. Foi bem depois dos primeiros fãs da banda celebrarem a execução maciça de “Camila, Camila” nas rádios, entre 1987 e 1988: num clipe do Fantástico, em 1989, quando os gaúchos lançaram “Astronauta de Mármore” (já do segundo LP, Cardume).

Há quem diga, simplesmente: “Nenhum de Nós? só conheço essas duas”. Ou ainda: “Cacetada, estragaram a música do Bowie”. Mais alguns vão lembrar de outras boas canções daqueles primeiros discos, como “Eu Caminhava” e a minha preferida, “Sobre o Tempo” – que carrega em seu DNA o meu virundum preferido: o que se morre e o que nunca vai se morrer, ê ê, ê ê. Da segunda metade dos anos 90, o “eixo Rio-São Paulo” conheceu “Vou deixar Que Você se Vá”. Eu admito: levei uma vida para redescobrir os gaúchos.

Mas foi em grande estilo. Em janeiro de 2004, cabisbaixo e de coração partido, encontrei em uma daquelas enormes lojas Multisom, em Porto Alegre, dois CDs que desconhecia. Um mais antigo, de 1994, batizado “Acústico e Ao Vivo”. O outro chamava-se, coincidentemente, “Acústico e Ao Vivo 2”. Tinha sido lançado recentemente, e fazia algum sucesso no Rio Grande do Sul.

Devo dizer que, desde aquela compra, não parei mais de ouvir Nenhum de Nós. Não sei se foi o brilhante efeito desplugado dos arranjos ou a punhalada que vinha de cada uma das palavras incisivas… “Você Vai Lembrar de Mim”, a primeira faixa do segundo acústico, dizia exatamente aquilo que precisava ouvir naquele ano. Por muito tempo, os dois discos monopolizaram meu MP3 Player, que insistia em tocar versos como “Diga a ela que me viu sozinho”, “Amanhã ou depois, tanto faz se depois for nunca mais”, “Em nossas mãos o rumo das coisas ao meu redor”…

Enfim, a formação clássica, com Sady Hömrich, Carlos Stein e Thedy Corrêa, comemora exatos vinte anos desde o curioso brainstorming que definiu o nome da trupe (“O que nós três temos em comum? Nenhum de nós enxerga bem… Nenhum de nós pegou caserna… Nenhum de nós rodou na escola… Nenhum de nós! Ficou! Simples assim”). Para marcar a data, está chegando “Nenhum de Nós a Céu Aberto”, o 12º disco da banda e o terceiro ao vivo.

A faixa um de um trabalho que pretende ser o resumo da carreira não poderia ser outra: “Camila, Camila”. Seguem dezoito faixas, sendo duas inéditas. Em praticamente todas elas, a banda conta com quinze mil vozes presentes ao Parque Harmonia, nas margens do Rio Guaíba, no encontro feito em março. A julgar pelo que senti quando reencontrei o Nenhum de Nós, talvez seja uma boa hora para redescobri-los outra vez.

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Comentários em blogs: ainda existem? (7)

  1. André, num conheço esse conjunto, o que não é nenhuma novidade,pois sou para em umas musicas e em uns artistas, e me fecho pra o resto…memnnda uma musica deles por email, quando tiver tempo..

    bjão
    Ps: note-se vocabulário dos mais antigos: “conjunto’..ahahahah

  2. Cara, esse acustico e ao vivo eu tenho em casa. Nunca fui muito fã de rock nacional, mas quando ouvi a música Canção da Meia Noite pirei e tive que comprar o disco. Muito bom.

  3. Nenhum de nós?!?!?! Nenhum de nós?!?!?!

    PQP, André! Você tem um mau gosto do cão para músicas.

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