O exemplo do outro lado do mundo

Até os Jogos de 1988, a Austrália permanecia bem longe das primeiras posições no quadro de medalhas. Pois desde o momento em que Sydney foi definida como a sede dos Jogos Olímpicos de 2000, o país tratou de se preparar para fazer bonito em casa.

Ou melhor, bem antes disso. No início da década de 80, o governo australiano criou o Instituto Australiano de Esportes, um centro de excelência visando formar atletas competitivos, com sede em Canberra.

Um pouco mais de inteligência (e alguns bilhões) para formatar um projeto de revitallização da Homebush Bay, em Sydney, transformando um depósito de lixo em parque olímpico. Assim, em 1993, a cidade foi escolhida pelo COI para abrigar os Jogos.

Há quatro anos, a Austrália mostrou ao mundo que, com planejamento, é possível se tornar uma potências olímpica – em especial nos esportes aquáticos. Atuando em casa, foram 16 medalhas de ouro, 25 de prata, 17 de bronze e a quarta colocação final.

Em Atenas, a delegação australiana só não é maior que a norte-americana. E nos dois primeiros dias, ocupa a segunda posição graças a quatro medalhas de ouro. Três delas na natação.

Já ouvi alguns comentaristas citarem o “legado dos Jogos de Sydney”, mas a coisa vai além: antes mesmo de receber uma Olimpíada, o país demonstrou interesse verdadeiro no esporte. E não esse entusiasmo cíclico que assistimos aqui a cada quatro anos.

Quem sabe o Pan de 2007 possa deixar algum legado positivo. Se bem que é mais fácil o Brasil ganhar uma medalha na natação em Atenas…

Eh, Brasil! – Claro que as meninas da ginástica e o histórico do Gustavo Borges merecem todos os aplausos. Mas que graça teria a vida se não pudéssemos tirar sarro do Rodrigo Bastos, que admitiu ter amarelado (aliás, leia o excelente primeiro parágrafo) e do Hugo Hoyama (que perdeu na primeira rodada e não desiste de competir)?

Boa pergunta – Não seria mais interessante (e mais barato) levar apenas os atletas que possuem alguma chance real de medalhas para as Olimpíadas? Ou essa história de “participar para ganhar experiência” funciona?

Cascata do dia – Essa é ótima! Judoca iraniano recusou-se a lutar contra israelense por motivos políticos. Bom, ao menos esse era o seu primeiro argumento. Descobriu-se, no dia seguinte, que o problema do sujeito era excesso de peso, acima do permitido para a categoria. Mas que picareta!

Anote aí – Atendendo ao pedido do Marfil: um dos melhores sites para acompanhar os Jogos Olímpicos é o da rede de televisão norte-americana NBC. Com resultados em cima do lance – mais rápidos que o site oficial, verdadeira decepção até aqui…

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (5)

  1. Essa do judoca iraniano aí é fácil entender. O cara colocou um monte de minhoca na cabeça, ela ficou mais volumosa com isso e aí ele veio alegar excesso de peso. Pfui.

  2. A posição do esporte é reflexo de toda a imensa diferença que há entre Brasil e Austrália. Você lembra da comemoração elitista dos 500 anos do Brasil, com paulada nos índios e tudo o mais? Viu a festa linda de 100 anos da Austrália livre? Povo na rua, civilizadamente, dançando, com carros alegóricos…. Pois é, Tamandaré…. Aqui os dirigentes acreditam que fazer tudo às vésperas e do jeito que der é a melhor forma. Já viu, né?

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