O dia em que conheci Liniers

Olha, eu preciso admitir que minha vida ganhou um novo sentido desde o momento em que recebi, por e-mail, a tirinha abaixo. Lembro que era um dia qualquer em outubro, e tudo que eu precisava era de um abraço.

A primeira coisa que me veio à cabeça foi Mafalda, ou Calvin e Haroldo: uma criança e seu melhor amigo felino. Mas não é igual. É um quadrinho que consegue mesclar traços simples com idéias profundas e sensíveis. Depois dessa, recebi mais umas 20 tirinhas dos inseparáveis Enriqueta e Fellini. Uma mais tocante que a outra.

Não demorou para que eu descobrisse a origem desses desenhos apaixonantes: Ricardo Liniers Siri, que apesar da formação em publicidade, aprendeu mesmo com Hergé, Quino, e Charles Schulz, entre outros. Enriqueta e Fellini é apenas um núcleo dos múltiplos personagens de seu mundo, chamado “Macanudo”. Em Buenos Aires, é a gíria usada quando se quer transmitir um sentimento de aprovação ou admiração.

Nesse universo vivem duendes, ovelhas e pinguins. Tem um robô sensível, um misterioso homem de preto, belos casais de namorados ou simplesmente gente que anda por aí. O próprio autor é personagem, em histórias autobiográficas – Liniers assume a forma de um coelho. Todos eles desfilam diariamente, desde 2002, na última página do jornal La Nación – aliás, foi outra cartunista portenha, Maitena, que o apresentou ao periódico. Ela também assina o prefácio do primeiro volume da coletânea, reunindo tirinhas publicadas desde sua estréia até novembro de 2003.

É possível acompanhar o mundo de Macanudo nestes dois blogs. Pessoalmente, decidi ir mais longe: encomendei os livros que reúnem as melhores e mais sábias situações descritas em aquarela, justamente para mergulhar na evolução desse universo ao longo dos últimos anos. Um jeito delicioso de acalmar os pensamentos nocivos da minha mente inquieta.

Pena que, ao menos na livraria que pedi, o primeiro volume estava esgotado. Quem estiver a caminho da Argentina nos próximos dias e quiser comprar um bom presente de Natal, está escalado para ir atrás dele. Ou ainda do quinto volume, com lançamento marcado para esta sexta-feira, dia 7.

Ah, sim: ouvi um boato aí que o Inagaki também é fã, e que está prestes a escrever um texto bem mais interessante que este. Provavelmente para ser lido na inauguração do Clube dos Procrastinadores Anônimos…

Comentários em blogs: ainda existem? (7)

  1. Pois é, rapaz. Tenho várias tiras do Liniers lá no meu Flickr, prontinhas para serem usadas em um post há meses. Aliás, minha sábia namorada me deu no meu aniversário os livros das tiras dele de presente. Bom saber que terei um quinto volume para completar minha coleção!

  2. o Liniers é fantástico. é singelo, leve, faz “humor para entendidos”.

    que todos descubram as pequenas maravilhas que são seus desenhos, suas histórias.

    ótima lembrança, Marmota.

    abraço.

  3. Concordo contigo, Marmota, é uma bela tira. Vou procurar outros tiristas neste tom e te passar, mas são raros.
    É difícil encontrar tiras em quadrinhos que não sigam a linha “comics” e caminhem por um lado mais intimista, sério, cotidiano… Que destoem, enfim.
    Valeu pela dica.

  4. Eu moro no Pará e tenho 13 anos, mas quando venho para São Paulo adoro ler as tirinhas, e entre elas gosto muito do estilo do Liniers, algumas vezes inigmático mas sempre com aquele jeitinho legal, cheio de detalhes, com o desenho todo bem bolado.Eu ainda não faço a mínima idéia do que vou ser quando crescer, mas acho que cartunista seria uma boa opção

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