Novas armas para conquistar a rede de verdade

Há uma grande expectativa para que a Internet se consolide como um verdadeiro espaço democrático, onde qualquer um tenha condições de trocar idéias coletivamente e, nesse movimento, gerar conhecimento e formar uma sociedade cada vez mais preparada para os desafios do nosso cotidiano. Pessoalmente, minha visão é menos otimista: ainda vejo a tal “inclusão digital” como um simples “deixem um computador com Internet pro nosso amigo”, então o povo repassa e-mails com apelos, promoções inexistentes e não-textos do Veríssimo… Que raio de conhecimento gerado é esse?

Nesse ritmo, é como se a rede estivesse sendo conquistada por uma horda de bárbaros, enquanto alguns poucos recantos bacanas se interligam, focados naquela expectativa positiva. Uma das razões para isso é a sensação de que faltam informações mais claras e objetivas aos internautas medievais. Na verdade, muitas delas sempre estiveram por aí, disponíveis para quem garimpá-las e selecioná-las via Google.

Pois a dupla Ana Carmen Foschini e Roberto Romano Taddei, jornalistas tarimbados da rede, não só garimparam o essencial, como também empacotaram tudo em verdadeiras cartilhas tanto para os navegantes da pedra lascada quanto para os veteranos. A série de livros digitais Conquistando a Rede, lançada nesta semana, é fundamental para quem pretende participar dessa gigantesca e interminável conversa em rede.

A coleção é formada por livrinhos de 48 páginas cada, trazendo um “faça você mesmo” detalhado, acompanhado por definições claríssimas e um breve histórico dos mais populares formatos de publicação online possíveis. A começar pelo bom e velho blog, passando por edição de som e veiculação de podcasts e chegando ao tratamento de imagens e vídeos voltados para flogs e vlogs.

Mas entre as quatro publicações, sem dúvida a mais relevante é sobre jornalismo cidadão. Assunto que dá o tom dos outros três livros, pois é a motivação de qualquer indivíduo conectado em compartilhar informações que dão sentido a uma potencial conquista da rede. Além de condensar de maneira didática as definições do Dan Gillmor, temos um verdadeiro manual básico de redação, que reforça aquelas dicas da primeira aula da faculdade de comunicação para qualquer um: definir o que é ou não notícia, ouvir as pessoas certas e os dois lados da história, checar e cuidar bem de todas as informações…

Se você já achou interessante, tem mais. Para reforçar a idéia do “vamos participar todos juntos da conquista da rede”, os autores decidiram lançar o conteúdo dos quatro livros na própria web, usando uma licença do Creative Commons para distribuir a obra. Isso mesmo: qualquer um pode baixar os livros sem pagar nada e espalhar a boa nova, desde que se dê os devidos créditos e não use-os para fins comerciais. O lançamento não poderia ter sido em lugar mais adequado: no banco de cultura do site Overmundo, provavelmente a mais relevante iniciativa de jornalismo cidadão no Brasil.

As armas para conquistar a rede estão disponíveis. Agora vem a parte mais difícil do “faça imprensa com as próprias mãos”: despertar a iniciativa nos bárbaros medievais…

Em tempo, deu no Terra: para Dan Gillmor, a imprensa tradicional está perdendo espaço para o “jornalista-cidadão”. Mmmhhh…

Comentários em blogs: ainda existem? (9)

  1. “As armas para conquistar a rede estão disponíveis. Agora vem a parte mais difícil do ‘faça imprensa com as próprias mãos’: despertar a iniciativa nos bárbaros medievais…”

    Não quero parecer pessimista, nem agourar o ideal de que todos colaborem positivamente para uma Internet melhor, mas acho que esse modelo onde todos criam e todos consomem não funciona. Posso até ser tachado de elitista, ou qualquer adjetivo semelhante, mas a verdade é que há três tipos de pessoas no mundo: as que criam, as que criam e consomem, e as que pura e simplesmente consomem. Não por acaso, o último tipo é o mais comum (e o que deveria ficar de fora da inclusão digital utópica).

    Não é discriminação, é constatação. Há pessoas que definitivamente não sabem transmitir idéias via escrita. E isso não é pecado, ou motivo para vergonha; é apenas uma característica. Do outro lado da moeda, existem pessoas que transmitem idéias muito bem, mas são péssimas na cozinha, ou não entendem bolhufas de mecânica automotiva.

    Como diria… alguém, cada macaco no seu galho.

    []’s

  2. Já lí os quatro volumes. Realmente uma grande contribuição para quem está começando e para quem está na estrada a muito tempo.

  3. Cara, ano que vem, aqui na faculdade onde estudo, terá o SBDI, Seminário/Simpósio Brasileiro de Design de Informação. Quero participar com um artigo.

    Adivinha o tema?

  4. olha hein eu vou olhar meu contador de visitas de vez em quando, se vcs nao me ajudarem com o meu blog, a ai a coisa vai ficar feia!
    eu nao vou ter nenhum acesso :(

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