Nenhum de nós entendeu

Porto Alegre (RS) – Você falou: alguma coisa está errada em sua vida. “É que eu te amo mais do que eu devia. Nem mesmo eu sabia impedir o que eu sentia. Se eu soubesse, tentaria sentir menos. Eu queria. Se eu preciso me enganar pra ser feliz eu tenho que me jogar ao invés de cair. Aprendi com tantos erros… Isso foi demais pra mim. Não desejo, não, uma vida vazia”. Eu não entendo a sua indecisão. Um dia sou seu grande amor, no outro dia não… Você não ligou quando disse para ter cuidado. E tinha razão: você precisa ser livre. Tudo bem se não deu certo, eu achei que nós chegamos tão perto. Deixamos pra depois uma conversa amiga, que fosse para o bem, que fosse uma saída. Deixamos pra depois a troca de carinho, deixamos que a rotina fosse nosso caminho. Deixamos pra depois a busca de abrigo. Deixamos de nos ver, fazendo algum sentido. Deixamos de sentir o que a gente sentia e que trazia cor ao nosso dia-a-dia. Deixamos de dizer o que a gente dizia. Deixamos de levar em conta a alegria. Deixamos escapar, por entre nossos dedos, a chance de manter unidas nossas vidas. Eu amei e acho que algumas vezes você também me amou. Só que o prazer é tão curto e o esquecimento é tão longo… Mas apesar de tantas noites vazias, tantas madrugadas vendo TV, na verdade, dias intermináveis. O que eu sinto a respeito de nós é estranho. Você até parece um vício que largar é quase impossível. Exige muito sacrifício. Não vou mais lhe segurar: vou deixar que você se vá. Mas você vai lembrar de mim. Que o nosso amor valeu a pena. Lembrar é o nosso final feliz. “Por favor, paciência. Espere por aí. Se eu voltar é porque entendi”. Mas eu tenho que chamar? Tenho que gritar? Tenho que fazer você parar? Quem sabe até fazer ela voltar? Pense antes de escolher alguém pra namorar, alguém para ficar quem sabe a vida inteira. O tempo engana aqueles que pensam que sabem demais, que juram que pensam. Existem também aqueles que juram sem saber. O tempo passa e nem tudo fica a obra inteira de uma vida: o que se move e o que nunca vai se mover. Nada tem que ser da maneira que eu pensei. Não há tristeza nas janelas, e as flores são verdadeiras. Eu não tenho paraíso pra te oferecer no fim da viagem, no fim desse rio, um oceano nos espera. Da janela eu vejo a rua onde você caminha todo dia. Mas você passa tão depressa que eu não tenho tempo nem coragem de abrir a boca e fazer a pergunta que eu ensaiei: você ainda me ama? Eu sei que no fundo, bem no fundinho, você ainda me ama. Amanhã ou depois? Tanto faz se depois for nunca mais. Mas por favor entenda se eu pedir pra você não voltar tão tarde.

Sempre estar la e ver ele (sic) voltar. Não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar.

André Marmota formou-se jornalismo e ainda estuda o tema na pós-graduação. Mas o que importa é ter saúde, não é mesmo? Quer saber mais?

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