Não-blogagem coletiva sobre o dia dos namorados

O mundo inteiro sabe que o dia dos namorados se comemora no dia 14 de fevereiro. Só que no Brasil, o início do ano normalmente é tomado pelo Carnaval. E durante a festa da carne, praticamente ninguém “namora”: meninos e meninas vão para o Rio ou Salvador em busca de aventuras de verão.

Ao mesmo tempo, o mês de junho não tinha nenhuma data essencialmente consumista, como dia das crianças, das mães, dos pais ou de Natal. Então convencionou-se batizar a véspera do casamenteiro Santo Antônio como a celebração dos pombinhos brazucas. Resultado: trata-se da terceira data mais feliz do comércio nacional. E tome celular novo e fila no restaurante!

Você pode até achar essa hipocrisia toda um troço bacana. É um direito seu. Mas já que você tem reais motivos para valorizar a pessoa que não só atura seus rompantes o ano todo como também lhe enche de beijos e leva para a cama, reflita nas razões pelas quais você vai levantar a bola dessa data puramente comercial em nome do amor.

Assim, decidi aderir à proposta da Luciana (que certamente será ignorada pela maioria, mas enfim): quer fazer algo especial para seu futuro cônjuge neste doze de junho? Então o faça olhando em seus olhos, pelo telefone, videoconferência, enfim. Entregue um cartão feito por suas próprias mãos, prepare um jantar, encha o quarto com pétalas de flores, velas e incensos perfumados. Pegue um livro do Neruda e leia alguns versos. Diga aquilo que você sente, o que torna esse companheirismo especial.

Mas se puder, faça isso reservadamente, sem precisar anunciar ao mundo que “é tão legal gastar no dia dos namorados” e contribuir para a desvalorização das relações. Tudo bem, não precisa se isolar: pode festejar seu namoro com mais gente. Mas cuidado para não se igualar a qualquer propaganda de roupa, onde o valor das pessoas pode ser parcelado em até seis vezes no cartão.

É lógico que você não vai concordar, tanto que já estava terminando de escrever algo sobre isso em seu blog. Não precisa jogá-lo fora, nem mesmo publicá-lo: que tal mandá-lo para o seu par e finalizar com algumas palavras bonitas? Já será suficiente.

André Marmota acredita em um futuro com blogs atualizados, livros impressos, videolocadoras, amores sinceros, entre outros anacronismos. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (8)

  1. bicho, ler esse teu post e não reconhecer nada disso em qualquer blog que eu assine – tomei como elogio. ah, pelo amor.

    ainda assim, um dia dos namorados solteiro é uma desculpa ótima pra finalmente me dar aquela camisa do Yashin na Liga Retrô. há que se divertir de um jeito ou outro, não? 😀

  2. Eu também ouvi o podcast brega do w1zard.com e é ótimo. Pode conferir. Eu chorei tudo que tinha para chorar ontem e anteontem com os textos do Cintaliga. Hoje trabalhei para atualizar meu blogroll e pronto. Dia dos Pais é domingo.

    Ainda bem que este dia dos namorados passou. Nunca me tinha tocado desde que vim pra cá.

  3. A hipocrisia está nos atos de quem a aceita, caro Marmota. Assim como todas as nossas outras datas comemorativas artificiais favoritas — o Natal, principalmente –, o Dia dos Namorados é uma questão pessoal, cada qual se lembra como prefere. Da última vez eu adiei o dia 12 para dia 15…

    Mas eis a pergunta: e se fosse no dia 14/2, não seria igualmente consumista?

  4. É claro que quando eu era adolescente achava o Dia dos Namorados a 2ª data mais importante do mundo 9 depois do meu aniversário,rs). Porém, desde que comecei a namorar o homem que viria a ser meu marido, concordamos que o DN era uma bobagem comercial e não dávamos nenhuma bola pra esta data. No entanto ele nunca deixou passar em branco nosso aniversário de namoro (nem de casamento).

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