Muito além do Cidadão Kane

Quem fez jornalismo, direito ou mesmo outra faculdade na área de humanas, já deve ter ouvido falar de um documentário chamado Brazil, Beyond Citizen Kane. Produzido no começo da década de 90 por uma produtora inglesa, a idéia era explicar para os britânicos de que maneira um conhecido cidadão deste país tropical conseguiu criar um império da comunicação e, de quebra, influenciar a sociedade – sabem de quem estou falando, certo?

A alusão com o Cidadão Kane, magnata da mídia criado por Orson Wells, não veio ao acaso. Por outro lado, o documentário mais bate do que apanha. Quer dizer, isoladamente, um relato afiado, somado a entrevistas de inimigos declarados do conglomerado, como Leonel Brizola, Armando Falcão, ou ainda um então candidato derrotado à presidência, após um malfadado debate, cuja edição exibida no seu grande jornal de alcance nacional praticamente determinou os rumos daquela eleição.

Agora imagine se um documentário como esse em rede nacional, naquela época. Mr. Bob of Sea pensou nisso e travou uma verdadeira batalha judicial com o canal inglês. Mais tarde, o vídeo foi exibido e, de maneira clandestina, foi trazido ao Brasil. A fita, que chegou a ser exibida – sem causar muito estardalhaço – foi confiscada na época do governador Fleury, o mesmo que, apesar dos problemas em sua administração, hoje é procurador da República no Congresso.

Realmente, hoje os tempos são outros. A Vênus Platinada mostrou maturidade em seu jornalismo com a cobertura das eleições no ano passado, fazendo com que todos esquecessem da maneira como ela tratou as Diretas, em 1984. E o tal documentário confiscado, cujas cópias piratas circulam nas faculdades e até mesmo em alguns lares, pode ser encontrado na Internet facilmente. Quem já baixou de guardar para si um documento datado e discutível, mas bastante interessante. E quem não viu ainda tem a chance de assistir algo bem melhor e mais inteligente que a cobertura carnavalesca da Rede TV.

(Postado em 11/03/2003. No último final de semana, a Folha entrevistou John Ellis, sócio de Simon Hartog, diretor do filme. Além de dizer que “o Brasil demorou para criar uma TV pública”, revelou que tanto a Globo quanto a Record tentaram comprar os direitos do documentário. Ele também recomenda: “essa é uma história importante e deveria ser conhecida pelo menos por todos que estão estudando a mídia nas universidades e qualquer pessoa que estiver interessada na história política do Brasil”.)

Comentários em blogs: ainda existem? (11)

  1. “…ou ainda um então candidato derrotado à presidência, após um malfadado debate”.

    Porque não disse que era Lula?

  2. O video ta no youtube,fragmentado em 4 ou 3 partes.Tou assistindo agora, vele a pena, é só procurar.

  3. Bom dia.

    Este documentário pode até passar na televisão brasileira pois já está totalmente ultrapassado, na época em 1993 ano do documentário, até o Lula estava falando sobre o monopólio da rede Globo, hoje como Presidente ele empresta dinheiro a Rede Globo por meio do BNDS.

    Este documentário não serve mais para nada.

  4. Dizer que o documentário não serve para nada é quase estupidez, sem ofensas, mas pelo o mesmo serve para não esquecermos o poder da mídia, hoje o tema pode não ter tanta repercussão como na época, mas não deixa de ser um marco no estudo da influência que a mídia desenvolve na sociedade, no nosso caso em particular.

  5. O documentário é uma introdução sobre o poder da mídia. Apesar de ser do início da década de 90, não chega a ser ultrapassado, pois a mídia continua com todo o seu poder e se ultilizando de meis mais inteligentes e sutis de manipulação (mensagens subliminares). Parabéns pro ter se lembrado deste documentário que é bastante esclarecedor.

  6. Realmente este documentário é ultrapassado, não serve para mais nada. Data Maxima Venia, a Sra, Iara Mills, seu comentário é hipócrita, lhe garanto que ela é telespectadora da Rede Globo, assiste todo o lixo que lhes apresentam. Nos cidadãos conscientes do que seja cidadânia e que temos que fazer a escolha certa e lutar por uma politica mais justa, mas infelizemente a maioria da nossa população não tem acesso a educação.

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