Marmota no Rio, outra vez

– Inicialmente, minha temporada 2003/2004 tinha um verdadeiro “planejamento dos sonhos”: incluía umas três semanas no Rio Grande do Sul e mais uma em Floripa. Nessas férias, no entanto, aprendi que devo ser mais tolerante com meus planos, para não me frustrar. Entre outras milhões de coisas, que não cabem neste parágrafo.

– O fato é que, ao chegar em casa no dia 12 de janeiro, precisei tirar férias das férias. O processo de desintoxicação durou pouco: decidi aceitar o antigo convite da minha amiga Márcia e passear no Rio de Janeiro. Uma viagem bem rápida, de intuito unicamente turístico, que duraria apenas um final de semana (espero que esse objetivo sirva como desculpas ao MarcosVP, ao Léo, a Daniela, entre outros amigos cariocas que um dia pretendo mesmo visitar!).

– Definitivamente, esta viagem em nada lembrou minha primeira vez na Cidade Maravilhosa. A começar pelo desafio inicial: dirigir pelos quatrocentos e pouco quilômetros que separam as metrópoles. Cem CD no carro, apenas um Motoradio que, mal e porcamente, sintonizava alguma pirata integrante da Rede Aleluia de pregações. Para quem começa perto de Itaquaquecetuba por volta das oito da manhã, chegar ao Barra Shopping à uma da tarde do dia 29 de janeiro, errando pouco, é um feito e tanto!

– Até porque, não tem muito onde errar até passar por Nova Iguaçu – e perceber, incrédulo, a existência de uma cidade batizada SEROPÉDICA. Vaisiferrar. Mas voltando. A indicação da Márcia era precisa: bastava entrar à direita na Linha Vermelha e seguir em frente. O atento motorista aqui viu a entrada, mas estava na chamada pista expressa, sem acesso… Até chegar na Linha Amarela – a que vai parar em Jacarepaguá e na Barra, tive que passar pela famigerada Avenida Brasil (uma espécie de Marginal Tietê, mas sem rio e urbanizada de qualquer jeito).

– Já no Barra Shopping, encontrei a Márcia, a guia do nosso passeio! Comi qualquer coisa num quiosque chamado Churro Louco e fomos ao apartamento dela, no bairro Taquara (uma espécie de Sapopemba), para acordar sua amiga Flávia, que foi visitar o Rio pela primeira vez. Na mesma tarde, partimos para o Corcovado. Daquele instante, até domingo, estava me sentindo em São Paulo: obras para todo lado e motoristas que não sabem o que é seta.

– De que adianta visitar um ponto turístico tradicional como qualquer turista? Deixamos o carro na entrada do parque e subimos a pé. Acho que eram sete quilômetros. Ou vinte, não lembro… Cheguei zureta ao mirante do Cristo Redentor. Não tanto quanto a Flávia.

– Tanto ali como no Pão de Açúcar, que visitaríamos no dia seguinte, nos sentíamos na Torre de Babel. Idiomas, timbres e rostos dos mais variados. Pessoalmente, devo ter saído em todas as fotos daquele povo – imaginem, nesse minuto, alguém na Bulgária reparando na imagem daquele brasileiro de cara engraçada.

– Naquela noite, voltando para Jacarepaguá, a sensação de estar em São Paulo era mais intensa: ao invés de seguir o caminho Lagoa-Barra, a Márcia sugeriu uma volta pelo viaduto que beira o Porto, até chegarmos a Avenida Brasil e, na sequência, Linha Amarela. E vejam: horas de trânsito parado!

– Estava tão cansado que, quando me dei conta, já estava na manhã de sexta-feira, novamente na beira da praia. Leblon, Ipanema, Copacabana… Até pararmos no Leme, onde passamos a manhã. Foi ali que minhas pernas ganharam um bronzeado exótico: metade churrasco mal passado, metade sushi (onde a bermuda encobriu…). Novamente, paulistadas no trânsito: para chegar do Leme ao Shopping Rio-Sul sem a Márcia, quase fui parar na Zona Norte… Absolutamente perdido!

– Depois do almoço e das voltas no bondinho do Pão de Açúcar, era hora de aproveitar a noite. Além do namorado – o doutor Ulisses Bruno, sujeito extraordinário, Márcia convidou outra amiga para a balada. Aos que estão se perguntando se rolou alguma coisa com pelo menos uma, sinto decepcioná-los… Mas enfim, o negócio era se divertir. Até todo mundo se recompor do longo passeio do dia, passava da meia-noite quando estavam todos prontos.

– A proposta inicial era um bar irlandês na Barra, de nome estranhíssimo: Shenanigans. Mas o lugar estava apinhado de crianças, o que revoltou Márcia e suas amigas. Mudança rápida de planos e já estávamos no tradicional (mas decadente, acho) Hard Rock Cafe. Lá encontrei tudo, menos café e hard rock: era a sexta-feira do hip hop. Devo ter levado o troféu joinha na categoria entusiasmo…

– Engraçado que, até então, tinha esquecido que não era muito fã da cidade… De repente, comecei a lembrar das obras, dos motoristas, do sotaque carregado, dos morros, do hip hop do Hard Rock Café… E de novo o sotaque carregado… E eu, uma pedra!!!

– Mas o mais estúpido ainda estava por vir. No domingo, último dia por aquelas bandas, fui almoçar num restaurante da moda – o Delírio Tropical, conhecer a feira hippie de Ipanema (parecida com a da Benedito Calixto), além de fazer um tour pelo Rio com a Márcia e sua tia Célia, um amor de pessoa. Quando voltei ao meu quarto no hotel Monza, em frente ao autódromo, ouvi comentários no hall a respeito de um Fla-Flu. “Mas foi hoje?”, perguntei. Sem dizer que, na “vida real”, era jornalista e trabalhava com esportes. Descobri que sessenta mil pessoas assistiram a sete gols em uma partida eletrizante no Maracanã… Como é que eu não soube disso??? Mais um desses eventos imperdíveis, que eu perdi.

– Mas o saldo final é altamente positivo: enquanto São Paulo sofria com as fortes chuvas, no mesmo período curtimos dias ensolarados e muito proveitosos. E como sempre, a companhia da Márcia e de todos ao seu redor tornaram esse rápido passeio em algo sensacional! Na segunda-feira, dia dois de fevereiro, já estava pronto para voltar a dura realidade da vida.

– Aos mais atentos, não esqueci do sábado. Ele ainda virá, na forma do penúltimo relato de férias. Ou seja: depois eu conto o resto.

Comentários em blogs: ainda existem? (3)

  1. uma das melhores coisas do Rio de Janeiro é tomar um trago e comer uns petiscos lá no Baixo Leblon… gente bonita é o que não falta!

  2. Marmota, como você conseguiu se perder indo do Leme ao Rio Sul??????? HAHAHAHAHAHA

    Eu moro a 5 minutos do Rio Sul e eu estou sempre por lá. Portanto, quase nos esbarramos. Da próxima vez, grita que eu desço. :-P

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