Marmota em Pelotas

– Difícil resumir em poucas linhas o que representa mais um final de ano nesta cidade do extremo sul do Brasil. Ali meus pais nasceram há mais de cinquenta anos; é nesse canto que ainda vivem todos os meus parentes mais próximos; e apesar de ser um cenário praticamente imutável e com poucas perspectivas, inevitavelmente acumulo novas histórias a cada final de ano.

– Logo na primeira noite, uma volta pelo centro da cidade, ao lado do meu irmão Daniel e meus primos Júnior e Cristiele. A meta? Descobrir um boliche, claro. Sabíamos da existência de um, que também é cybercafé. Mas ao chegar, uma surpresa: por conta das férias, o local estaria fechado até março. “Que ótimo, bom saber que aqui ninguém precisa trabalhar!”, pensei.

– Mas o pior ainda estava por vir, logo após a tradicional festa de ano novo na garagem da minha avó, na pacata e distante Cohab Fragata. Meus primos inventaram de comemorar a chegada de 2004 numa balada, denominada Fábrica de Café, no Parque Tênis Clube. Valeu pelo show pirotécnico. De resto, ambiente lotado de molecadinha, uma ou outra briga, gente pulando na piscina antes da hora… Fui pro carro dormir antes das três da manhã, furando logo de cara uma das minhas promessas de ano novo: evitar roubadas…

– Todo mundo acordou tarde no dia primeiro de janeiro – inclusive minha avó, que denominou nosso almoço, por volta das cinco da tarde, como “horário moderno”… Mas ainda deu tempo de puxar meus primos para o Cine Capitólio para assistir ao Retorno do Rei. Oito reais de entrada, com direito a intervalo no meio do filme… Antes de voltar ao QG, pausa para um X-Coração num dos tradicionais trailers de lanches da cidade (ainda não sei como o Mac Donalds permanece funcionando por lá).

– Não foi a única vez que fui ao cinema durante minha estadia: numa segunda-feira, dia cinco, saí para passear com a Bruna e o Alessandro, meus primos mais novos. Deixei que eles escolhessem qual filme gostariam de ver: Xuxa Abracadabra ou Acquaria. Ganhou o segundo, péssima escolha. O filme de Sandy & Júnior está longe de ser infantil: as crianças, coitadas, não entenderam a mensagem. Tudo bem, o passeio foi recompensado com o bom e velho sorvete da Bambina.

– Confesso que também não fiz boas escolhas: o tempo que eu poderia usar visitando os poucos pontos turísticos da cidade, ou mesmo passeando na casa dos tios ou amigos de longa data, dediquei em horas intermináveis de descanso ou passeios solitários no centro. Tudo bem, dezembro já está aí de novo e, até lá, recupero todo o ânimo que perdi nesse final de ano.

– Acreditem: foram poucas as horas conectado diante de um computador – até porque, a incorrigível umidade pelotense faz com que Internet em conexão discada se torne uma verdadeira aventura na minha avó. Acreditem ainda: é preciso ligar um secador de cabelo diante do modem para que a coisa funcione.

– Mesmo com pouco tempo online, consegui avisar a galera blogueira local, que mobilizou um jantar inesquecível no Otto Taberna, na noite do dia nove de janeiro, sexta-feira. Tive o privilégio de conhecer pessoalmente o Otávio, o Ricardo, a Raquel e outras pessoas formidáveis. Além de rever a minha querida amiga Joanna, ainda que por poucas horas.

– Em duas semanas, deixei Pelotas em três oportunidades. Na primeira, para passar um final de semana em Porto Alegre ao lado de Lello Lopes. Na segunda, para salgar a ponta dos pés na praia do Cassino. Por fim, na tarde do dia dez de janeiro, para subir devagar em direção ao lar. Claro que poderia ter ficado por mais alguns dias, mas algo estranho aconteceu desta vez: olhava tudo com tristeza pouco habitual, não via a hora de voltar para casa. Deixemos isso pra lá, e depois eu conto o resto.

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (3)

  1. oi Dé!
    Acabei de ler teu diário de férias e pra variar fiquei meio triste por ti. Nao sei se interpretei mau ( d novo), mas acho uma pena vc nao ter se divertido aqui… Mas, td bem eu entendo!
    bjão

  2. Olha eu aqui depois de ter colocado a leitura em dia! Fico esperando a continuação do seu Especial e, quando tiver paciência, conto lá no I&R sobre meu carnaval…

  3. bambina? ela não é tradicional, é mitológica. só exite nas nossas lembranças. acho que vc se referia a zumzum…

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