Mais uma série inédita no MMM!

“Eu detesto Pica Pau”. Com frequência, sou obrigado a ouvir essa blasfêmia do meu amigo Lello Lopes a respeito do clássico personagem dos desenhos animados, criado pelo norte-americano Walter Lantz. “Ele é um tremendo filho da p…”, justifica Lello.

Não deixa de ser verdade. Em sua primeira aparição, em 1940, o pássaro amalucado só serviu para atazanar a paciência de Andy Panda, que indignado com o estrago em seu telhado, tentou capturá-lo jogando sal em sua cauda. Não demorou para que conquistasse “independência” e voasse sozinho dali para frente.

No Brasil, o sucesso do Pica Pau tem outro fator determinante: o SBT. Durante os últimos 20 anos, a emissora do Sílvio Santos exibiu seus desenhos exaustivamente. Assim como muitos outros, devo muitas das alegrias da minha infância ao Pica Pau. Lembro com alegria quando a então TVS anunciou desenhos inéditos, era o “Pica Pau 86”. Que na verdade correspondiam aos desenhos mais recentes, produzidos na década de 60.

A overdose de Pica Pau fez com que eu lembrasse da maioria dos cerca de duzentos desenhos produzidos entre os anos 40 e 60. Evidentemente, alguns deles se tornaram célebres, como o episódio favorito do Inagaki: “aquele em que o Pica-Pau queria descer as cataratas do Niágara num barril (by the way, o título original desse episódio é Niagara Fools), mas era sempre impedido pelo segurança. A melhor parte, é claro, é a hora em que o guarda despencava lá das cataratas enquanto os turistas gritavam: AÊÊEÊÊ!!!”.

Todo mundo tem o seu predileto, e muitos deles foram devidamente registrados, durante algum tempo, neste blog. Quem não quer perder tempo pode conferir a “filmografia completa” do personagem aqui. Pessoalmente, também tenho os meus preferidos, mas para mim, é mais fácil lembrar das clássicas citações, como “vudu é pra jacu”, “eu gosto e você” (seguido de um beijo estalado), ou mesmo das engrenagens e das válvulas hidramáticas do lendário puxa-frangos.

Pois bem. Após a apresentação, hora de apresentar a nova seção. Em abril desse ano, contei a história de uma festa de aniversário em que me dou mal no final. Para encerrar o causo, usei uma das mais comuns citações de desenhos do Pica Pau. Dias depois, a caminho do carro após deixar o trabalho, dou de frente com uma movimentação de jovens formandos, todos muito bem vestidos, a caminho de uma mega-festa, no Maksoud Plaza. Instintivamente, vem à tona mais um diálogo do personagem.

Naquele instate, me dei conta do óbvio: minha exposição exagerada ao Pica Pau durante longos anos fez com que eu tivesse condições de associar, automaticamente, situações corriqueiras a alguma aventura do personagem. Mais alguns segundos para que eu visualizasse o que hoje, finalmente, pude concretizar: o Momento Pica Pau!

A idéia une duas inutilidades em apenas uma. Muitos acham que todo blog deve ter o seu lado “querido diário”. Como não vejo graça nenhuma em falar do meu dia-a-dia, o Pica Pau vai fazer isso por mim. Com isso, pequenos fragmentos que não teriam valor nenhum sozinhos ganham força extra com a participação do bicudo maluco. No final, ainda puxo na memória pelo desenho em questão e complemento com informações absolutamente dispensáveis!

Veja como vai funcionar o Momento Pica Pau, baseado nos dois exemplos já citados acima. Todos eles terão, como todas as seções deste espaço, um identificador visual. Na sequência, o fato bobo, seguido do “momento Pica Pau” propriamente dito e o encerramento, com dados sobre o episódio.

Na danceteria, durante uma festa de aniversário, Marmota conhece uma simpática donzela. Os dois conversam por alguns minutos, mas ela vai embora rapidamente, deixando o rapaz a ver navios, ao lado de uma ou outra baranga disponível:

“Quando você vai embora eu fico, e chóóro… E chóóóro… Chóóóóóóro…”

Cantiga cantarolada por Pica Pau e Zeca Urubu, que choram sozinhos após uma noite inteira de disputa pelo coração de Winnie. Depois de um baile sem sapatos e de uma explosão no “drive-in”, a garota resolve ficar com o cantor chorão. (Do episódio Real Gone Woody, de 1954).

Viram? Agora o segundo exemplo:

Na Alameda Campinas, ao lado do hotel Maksoud Plaza, após Marmota deixar seu local de trabalho em uma cansativa noite de sábado. Ele depara com uma intensa circulação de jovens bem vestidos, preparados para uma grande comemoração, que duraria o restante da madrugada:

“E eu aqui varrendo ruas…”

Indignação de Pica Pau, trabalhando como gari, ao ver o circo chegar. Ele chega a trocar de lugar com o guarda Wally Walrus, aquele do “um belo dia para você, John, meu filho”. Depois de se passar por um dos elefantes e passar por todas as atrações do picadeiro atrás do fugitivo, Leôncio consegue desmascarar Pica Pau. (Do episódio What’s Sweepin’?, de 1953).

A qualquer momento, tem mais Momento Pica Pau. Só aqui, evidentemente!

Comentários em blogs: ainda existem? (20)

  1. Cuidado hein…desse jeito voce vai casar com Miri Ranheta e ter o Leôncio como cunhado…A propósito, gosto muito daquele episódio dos “rachadores” em que ele atazana a vida de um guarda rodoviário.

  2. Marcelo, esse tbm é muito bom! Siga aquela motoca… Em tempo, o sujeito de óculos da outra foto não é o Saponga. Que aliás, não vejo há quase dois anos…

  3. Nossa! Eu adorava aquela das cataratas! Aeeee! Outra antológica é aquela do taxidermista. Lembra quando o pica-pau pede camarões? “Impossível. Eles estão de folga hoje…”E a da Clementina-mas-pode-me-chamar-de-Tina. Ou a do embaixador russo. Pobre Leôncio…

  4. Marmota, também não me esqueço do pica pau maluco, pois teve papel importantíssimo na formação (ou será deformação?) de adultos tão interessantes!Achei boa idéia abrir essa concorrência com o SS… Vamos rir muito!Do maluco, guardo essas: “e lá vamos nós?! – não, essa não.. e lá vamos nós?!”…beijo.

  5. Eu disse q sempre te visitava…hehehePô, eu ia falar desse episódio onde ele perde a mina no baile e vc falou antes…”Choro que chooooro, chóoooooro…”

  6. Tenho certeza absoluta que o “momento Pica Pau” vai ser melhor do que os desenhos… desculpa, mas vou ter que te dizer: “Eu odeio Pica Pau!”Acho uma crueldade colocar nas cabecinhas das crianças que é legal quem se acha esperto e quer se dar bem em cima dos outros…

  7. Por problemas de horário, faz um tempão que não assisto ao Pica-Pau, mas mesmo assim me lembro de vários episódios e até hoje ainda rio deles :o)O episódio em que o Zeca Urubu está perseguindo o Pica-Pau e vai pegar um elevador. Aparece um anjinho: Vai subiiiiir? E um demônio: Vai descerrrr?.Quando o Pica-Pau está querendo vender coisas para o urso que quer hibernar: Ei chefe o que tem no saco? Um pica-pau enfadonho!O Dulei quando quer roubar a carga de ouro do trem.O Dulei bate na porta do trem.Pica-Pau: Quem é?Dulei: É o faxineiroDulei: Onde está o ouro?Pica-Pau: Ah eu não digo.Dulei: Ah diz simPica-Pau: Tá bem, está alíO Dulei corre e cai do trem.Aquele dos caipiras que compraram um carro. Só de ouvir aquela musiquinha tocada no instrumento de sopro, já dá para rir :o)Do pé de feijão. O pica-pau está em cima da mesa e o gigante confunde ele com um frasco de mostarda. Ele bate o pica-pau na mesa, e ele diz: Gery, gery geryyy!Chega!! se não a lista continuaria infinitamente :o)MacroAbraços

  8. Gostaria de deixar claro que eu não gosto nem de Pica e nem de Pau. Essa obcenidade não fazia parte da minha infância, e consegui conservar o nível de macheza da minha personalidade, de forma que meu desenho predileto era o Papa-léguas.Papa-léguas que, aliás, mostrava situações únicas de um coyote com um único objetivo: o de COMER o galináceo.PICA, PAU, PAPA, COMER… esses desenhos não têm é nada de infantil…

  9. Oi Marmota! O Sabbath’s me trouxe até aqui e eu simplesmente adorei encontrar o meu companheiro de infância. Infelizmente, nos dias atuais só posso encontrá-lo nos poucos momentos de folga. O Pica-Pau é e sempre será o meu desenho predileto. Claro, ele é um sacana, mas, quem não é? (ao menos de vez em quando) Bjão e parabéns pelo blog tão bem elaborado!

  10. Eu lembro de querer ir pra Porto Alegre só pq lá pegava SBT e passava o Pica Pau. Desde então associo o pássaro à vida metropolitana, num estranho paradoxo.Mas hoje eu acho destestável. O Pica Pau, não a vida metropolitana.

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