Jornalisticamente incorreto (ou supostamente)

Comentei com alguém que não me lembro o exagero da expressão “suposto” na cobertura do esquema mensalão pela imprensa. Eu sou um suposto blogueiro, que supostamente possui visitantes – e se, por alguma suposição, estiverem navegando nesta noite de sábado, suponho que o dito cujo não tenha nada supostamente melhor para fazer.

Tudo pode ser suposto – e partilhando da minha suposta teoria, encontrei o texto de Carlos Heitor Cony, publicado na Folha de S. Paulo deste sábado.

Jesus Cristo, nosso suposto Salvador, libertando-nos de um suposto pecado original, foi supostamente traído por Judas Iscariotes, que supostamente teria recebido 30 dinheiros pela suposta traição.

Pedro Álvares Cabral, supostamente um almirante português -diziam que ele era tão almirante quanto o Jô Soares supostamente é surfista em atividade-, teria supostamente descoberto um país suposto de ser o Brasil ao desviar-se de supostas correntes marítimas, numa suposta viagem às Índias, seguindo uma suposta rota descoberta por um suposto Vasco da Gama, que, na realidade, é apenas (e não supostamente) um clube de futebol e regatas do Rio de Janeiro.

Uma suposta maçã teria caído no nariz de um sujeito supostamente chamado Isaac Newton, que supostamente dormia na ocasião e que, assim, teria descoberto uma suposta lei da gravidade, que, segundo suposições generalizadas, explica por que o armário no quarto de uma suposta empregada da casa do Roberto Jefferson teria supostamente caído na cara do deputado que tem levantado acusações de um suposto “mensalão” responsável por supostas aprovações no Congresso, promovendo suposta corrupção, supostamente generalizada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa suposta viagem a Escócia, país que supostamente fabrica o melhor uísque do mundo, mas, certamente, nunca fabricou cachaça, está enfrentando supostas dificuldades para fazer uma suposta reforma ministerial para aplacar os supostos apetites de sua suposta (e bota suposta nisso) base no Congresso Nacional.

Um suposto cronista comete diariamente alguns textos com suposições que nunca se concretizam e certamente nada mais tem a dizer, o que agradará aos supostos leitores que o aturam por suposta esperança de que, um dia, ele vá, não supostamente, mas concretamente, para o diabo que supostamente o carregue.

Taí um texto que gostaria de ter escrito. Ao menos supostamente.

André Marmota acredita em um futuro com blogs atualizados, livros impressos, videolocadoras, amores sinceros, entre outros anacronismos. Quer saber mais?

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