Fim do mundial das surpresas

#NED 0 X 1 #ESP (11/07) – Para arrematar os resuminhos da disputa na África do Sul e seguir com este espaço rumo à 2014, reproduzo aqui a capa do jornal Esto, publicado no dia do confronto entre mexicanos e argentinos.

“Revancha”, isto é, revanche, representada múltiplas vezes, como se quisessem dizer ainda rivalidade, vingança, raiva. Como se uma vitória ou um potencial título não fosse suficiente, muitas vezes é este sentimento que move torcedores. Não é à toa que uma final Brasil x Argentina vinha sendo desejada; ou, já com as semifinais configuradas, um Alemanha x Holanda. Para um apaixonado por futebol, é como se fosse um Palmeiras x São Paulo, um Gre-Nal. Pode ser que a taça não venha, mas vencê-los ganha importância maior, ainda que momentaneamente.

Pois os mexicanos não conseguiram a revanche. Nem os norte-americanos, que perderam para Gana pelo mesmo placar de 2006. Mas os alemães, contra a Inglaterra, revidaram com a mesma moeda de 66: um gol irregular. Também não deram chance a uma vingança argentina, ao aplicar humilhantes quatro gols nos hermanos, mas fracassaram ao tentar devolver a derrota aos espanhóis na semifinal. Os holandeses, ao eliminarem o Brasil, repetiram 74 e soltaram um “finalmente”, uníssonos, após dois reveses nos anos 90.

Mas a maior das revanches não foi diante de um rival uniformizado, com onze em campo e uma bola. Os espanhóis, favoritos como nunca e, até domingo, derrotados como sempre, venceram não apenas a Holanda, mas a história. Uma nação acostumada a vencedores como Fernando Alonso e Rafael Nadal viu gerações fracassarem desde 1950, última presença espanhola em uma semifinal. Na decisão em Joanesburgo, sonolenta e truncada como nunca se viu, puseram fim a um histórico de “amareladas” com o gol de Iniesta.

Foi, sem dúvidas, uma Copa repleta de surpresas. A começar pela organização sul-africana, que se não foi impecável consegiu dizer ao Brasil algo como “faz melhor que eu quero ver”. Teve uma musa em escala mundial que, pasmem, não era holandesa nem brasileira, mas paraguaia. E entre os catedráticos e especialistas, o mais importante e respeitado foi um singelo octópode. Mesmo a velha máxima de que a camisa pesa em uma final foi para o vinagre, afinal de contas era a Holanda que cumpria esse papel, após duas decisões. Os azarões, agora, passaram a ser eles.

#URU 2 X 3 #GER (10/07) – Se fôssemos seguir a lógica do “peso histórico”, esta poderia ser uma decisão tranquilamente. Aliás, só não foi em 1970 porque Brasil e Itália fizeram o mesmo trajeto de holandeses e espanhóis desta vez. O resultado final também foi o mesmo: Alemanha em terceiro, Uruguai em quarto. Os alemães, recordistas em semifinais, puderam se contentar ao menos com um tetra: a quarta vez que chegaram em terceiro, como em 1934, 1970 e 2006.

E ao contrário da decisão, foi um belo jogo. A Alemanha, apesar de ter reencontrado o poder ofensivo que havia sumido contra a Espanha, levou a melhor apesar do Uruguai ter jogado muito mais. Os nossos vizinhos terminaram a competição de cabeça erguida e com o melhor jogador do torneio: Diego Forlán, que quase mudou a história dessa partida com aquela bola na trave. Já os alemães, além do melhor ataque e das maiores revelações – Ozil e Thomas Muller – deixaram um recado aos brasileiros: em 2014, estaremos melhores. Cabe a organização do Mundial colocá-los pra jogar em Manaus ou Cuiabá…

Breve resuminho da Copa: Tanzânia, Zimbábue, treino fechado, Túlio Tanaka Facts, shosholoza, Shakira, Waka Waka, Tshabalala, Jabulani, cala boca Galvão, terno do Maradona, Green e seu frango, Camarões caídos, o choro de Tae-Se, Suíça apronta pra Espanha, Senderos muito louco, defesa de Valladares, defesa de Enyeama, primeira vitória grega, Uruguai apronta Vuvuzelazzo, chupa Bafana Bafana, gol dos EUA anulado, Eslovênia quase classificada, caquinha do Joachim Low, cavalos da Costa do Marfim, tchau Elano, até mais Kaká “bad boy”, a “mãozinha” do Fabuloso, dunguices na coletiva e a resposta do Tadeu Schmidt, o celular da Larissa Riquelme, o microfone da Sara Carbonero, as minissaias das torcedoras holandesas, Domenech muito louco, Evra mais ainda, chupa França, quase gol da Nigéria, cadê o Messi, cadê o Cristiano Ronaldo, cadê o Rooney gol dos EUA anulado de novo, chupa Sérvia, chupa Itália, Nova Zelândia invicta, Eslováquia classificada, Japão classificado, Pepe x Felipe Melo, fracassou o dia sem Globo, cabeçada de Heinze na câmera, Argentina passa com gol irregular, Alemanha passa com gol irregular, queremos tecnologia na arbitragem, Mick Jagger elimina Inglaterra, Mick Jagger elimina os EUA, chupa Chile, anúncio errado na Folha, David Maravilla, chupa Portugal, chupa Komano, Mick Jagger elimina o Brasil, chupa Felipe Melo, chupa Dunga, Sneijder Bátema e Arjen Robben, chupa Maradona, chupa Argentina, Klose quase recordista, mãozinha de Suárez, chute de Gyan na trave e o melhor minuto da copa, cavadinha de Loco Abreu, Gana perde pênaltis, Cardoso perde pênalti, Xabi Alonso perde pênalti, Larissa Riquelme perde aposta mas sai pelada, jabulanada de van Bronckhorst, jabulanada de Forlán, chute de Cáceres na cara do holandês, cabeçada de Puyol, cadê a Alemahha, Uruguai até o fim, bola na trave de Forlán, duas viradas e terceiro lugar, botinadas holandesas, defesa de Casillas, doze cartões amarelos, um vermelho, gol de Iniesta, Dani Jarque sempre conosco, finalmente a taça, festa espanhola, beijo na Sara Carbonero, viva o Twitter, viva Madiba e viva o polvo Paul.

Rápido, não? Pois a Folha.com conseguiu sintetizar ainda mais o Mundial:

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André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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