Estados Unidos campeões mundiais de futebol

A primeira semifinal da Copa das Confederações pode ser vista pelo ângulo mais evidente: independente do clima de “já ganhou” e do fato dos espanhóis estarem com a cabeça na decisão com o Brasil, a verdade é que a Eurocopa 2008 foi uma exceção. A situação normal é a eliminação da Espanha em qualquer circunstância, dando sentido à expressão “fúria”. Sobra fúria para quem ainda teima em torcer por eles.

Mas enfim. A observação que gostaria de compartilhar diz respeito aos norte-americanos, que chegaram pela primeira vez a uma decisão de grande torneio da Fifa. Uma hipotética conquista de título reforçaria uma teoria pessoal: a de que não vai demorar para os EUA conquistarem um título mundial de futebol.

Uma análise superficial levaria em conta o desempenho da seleção do Tio Sam na primeira fase. Perdeu para a Itália e, na derrota para o Brasil, levou um gol logo após seu ataque cobrar um escanteio (!!!). Conseguiu passar para as semifinais no saldo de gols, após desencantar e vencer o Egito, até então a surpresa da competição. “Surpreendente” também foi o termo usado pela imprensa européia após a derrota espanhola.

Mas pare pra lembrar: de que país estamos falando mesmo?

Culturalmente, toda criança nascida nos Estados Unidos aprende no berço a competir e lutar pela vitória, seja na escolha de uma área profissional ou uma modalidade esportiva. Para entrar na universidade, seu desempenho como atleta conta pontos no currículo. Não à toa, o país é a maior potência esportiva do planeta, haja vista seu desempenho histórico nos Jogos Olímpicos: foram os melhores em 15 das 25 edições (o duelo com a União Soviética durante a Guerra Fria e a chacoalhada chinesa em 2008 só animam a história).

Ocorre que, quando moleques, os gringos optam por modalidades consideradas “masculinas”. Assim, temos boas seleções norte-americanas de basquete (tão popular quanto o futebol brazuca), beisebol (que rivaliza com cuba e venezuela), vôlei (foram eles que inventaram, e são os atuais campeões olímpicos no masculino). Também é páreo duro competir com os Estados Unidos na natação, no atletismo… Dos 34 esportes olímpicos, os EUA são os melhores em 11.

E o “soccer”? O país conta com uma liga profissional, mas que não desperta paixões do público, que o considera uma chatice. Não dá pra comparar a Copa do Mundo com a final do SuperBowl, onde se joga “futebol de verdade”. Quem pratica esse joguinho vira alvo de chacota. “Ah, isso não é importante. Pelo contrário: é esporte de mulherzinha”. Pois é: considere o simples fato do futebol ser essencialmente feminino e lembre-se de onde vem a melhor seleção desta modalidade, pedra no sapato de Marta e companhia em todos os momentos decisivos…

Você pode achar que esse comentário é de um “imperialismo ianque nojento”, mas não vamos negar: os EUA são bons em tudo que fazem. Estrutura para futebol também existe. Poucos levam o esporte a sério no país, mas mesmo nesse cenário, a equipe evoluiu na última década. É um time forte na Concacaf ao lado do México. Tanto que participaram de todas as Copas desde 1990, indo mais longe em 2002, quando chegaram nas quartas-de-final – e só não repetiram a semifinal de 1930 porque o juiz não deu pênalti quando o alemão Frings botou a mão na bola para tirá-la do gol.

A vitória contra a Espanha já motiva declarações esperançosas: “Esta vitória foi conquistada por jovens das novas gerações, que querem mostrar que o futebol nos Estados Unidos já está em um novo plano”, entusiasmou-se Oliver Luck, presidente do Houston Dynamo, equipe da MLS. Enfim, um pouco mais de investimento seria suficiente para atingir uma parcela (mesmo pequena) de interessados. A competitividade latente de sua cultura cuidaria do resto.

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