Esse papo de “amigo”

Essa é pra você que já passou pela seguinte situação embaraçosa: você está conversando com aquela pessoa especial, sempre atento nos quesitos simpatia e sinceridade. Nenhuma palavra é usada sem que haja um propósito. Num instante, você parece certo de que seu papo está surtindo efeito. De repente, a frase.

– Você é maravilhoso! Ainda bem que eu consegui um amigo como você!

Amigo? AMIGO!!! Essa não! Estratégia falha… Antes que comecem a arremessar pedras e tomates, longe de mim desmerecer a amizade. Cada demonstração dessas é mais um grande motivo para continuar vivendo, afinal é sempre mais fácil encarar o nosso dia-a-dia rodeado de amigos.

Mas pera lá, o objetivo era outro! Uma amiga é bom, mas por que não uma namorada? Sei que é difícil, a responsabilidade aumenta… Mas tem as suas compensações!

Enfim. Entre as inúmeras referências sobre o que eu chamo de “esse papo de amigo”, apareceu nesta quarta na home page do UOL (o que demonstra a importância do assunto) uma dessas sensacionais publicações para “teens” – eis o link (clique e constate como o assunto é realmente importante!).

Na matéria, a jovem Gislaine, de 13 anos, pergunta se dá para fazer um grande amigo virar namorado. Na resposta, assinada pela atriz Débora Falabella, ela diz que “às vezes também pode estragar, porque a amizade que existia era melhor. Aí, você namora, termina e não fica mais amigo, perde uma amizade que você tinha por uma coisa que não deu certo”.

É, foi uma explicação bem lúdica. Mas não me convenceu. Tratei de buscar uma amiga – essa amiga mesmo – para falar sobre o assunto. Perguntei o que fazer quando alguém lhe diz “ganhei um grande amigo”.

– Hmmm… É difícil. Mas a amizade é o primeiro passo para algo mais!

– Mas as mulheres não costumam trocar uma boa amizade por um relacionamento mais profundo…

– Hahahahahahhahahahahhahahahahhahaha! É tudo o que posso te dizer! Ora, não seja ingênuo!

– Ingenuidade? Então deixa eu te acrescentar uma informação. Essa moça já acreditou uma vez que poderia se envolver com um amigo. De repente, a coisa degringolou. E agora, quem convence ela de que nem todos os “amigos” são interesseiros?

– Marmota, esquece isso. Passado é passado! Se você mostrar que é um cara diferente, e se ela gostar de você, a coisa muda de figura. Vai por mim!

Que beleza! Motivação extra para seguir tentando – de repente, pinta um casal apaixonado! Ou apenas bons amigos, como acontece com o meu grande amigo Alexandre Inagaki – aquele que diz ainda que pensar enlouquece. Muito bem, chega de pensar, então.

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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