Êh Brasil…

Futebol há muito tempo deixou de ser um esporte, tornou-se uma instituição nacional. Tem quem goste muito. Mais do que isso, são apaixonados, verdadeiros fundamentalistas das arquibancadas. Certamente quem detesta ou é indiferente a esse ritual, já torceu para alguém ganhar ou perder em campo pelo menos uma vez na vida. Mesmo que seja em uma Copa do Mundo.

Há quem encare a nossa monocultura esportiva como um grave defeito. Afinal, as outras modalidades também merecem seu espaço. Mas não estamos aqui para ir contra os cem milhões de especialistas em futebol no país. Dos mais variados níveis: desde o cidadão que sabe de cor e salteado a escalação da Ferroviária em 1964 ao anti-corintiano que faz questão de desfilar com a camisa do River Plate só para tirar sarro.

Joga-se futebol no Brasil há mais de cem anos. Desde aquela época, futebol já não era só um esporte, mas uma paixão. Nos últimos trinta anos, porém, o amor à camisa perdeu espaço para o poder do dinheiro. O dito profissionalismo, que transformou nossa instituição em uma lucrativa sociedade anômima.

Profissionalismo? Em termos. O torcedor brasileiro, aquele que pega a tabela, confere o horário, vai ao estádio, compra o ingresso, se diverte e tenta escapar das adversidades, não sentiu diferença alguma. Pelo contrário: este é considerado o consumidor mais mal-tratado do país. Quem deveria se importar não faz tanta questão: apesar do descaso com o produto, o torcedor continua consumindo. E os donos da bola permanecem numa boa.

Nos últimos meses, muito se ouviu falar da tentativa para mudar esse quadro: o Governo Federal lançou o Estatuto do Torcedor, justamente para acabar com esse descaso e proporcionar segurança e conforto para o grande responsável pelo espetáculo. Os clubes, atuais campeões da impunidade, seriam responsabilizados pelos eventuais problemas.

Diálogos, acertos, testes – sim, algumas partidas do Campeonato Brasileiro do ano passado serviram de laboratório. Finalmente o Governo sancionou a lei semana passada. A partir de agora, Os clubes têm um longo prazo de seis meses para colocar tudo em prática.

Respeitando o torcedor, é provável que muitos que desistiram de ir ao estádio até voltem, levando famílias inteiras para o jogo. Uma pitada de mareting esportivo e os problemas financeiros pelos quais boa parte dos times atravessam teriam uma solução bastante viável. Afinal, estamos num país onde a maioria adora futebol. Não é simples?

E o que os donos da bola fizeram? Decidiram parar o futebol brasileiro. Dizem que não vai dar para cumprir. Querem moralizar, mas ao mesmo tempo, fugir da responsabilidade. Não foi a primeira vez que esses acéfalos tentam desconstruir o que qualquer um consegue enxergar, por uma simples questão de interesses pessoais.

Frustrante, como sempre. E é uma pena, mas não será a última vez. Êh, Brasil.

Mais sobre futebol?

Futebol, the Brazilian Way of Life: site de Alex Bellos, correspondente da BBC e autor do livro homômino, que explica aos gringos a magia do futebol brasileiro. Nossos cartolas deveriam ler.

BlogBola: Um grupo de torcedores do mais alto gabarito, comandados pelos sábios Raphael Perret, Elis Marchioni e Erick Muller. Como bons aficcionados, eternos apaixonados, porém indignados.

Gazeta Esportiva Net: Entrem lá também, por favor. Está cheio de notícias sobre futebol.

André Marmota acredita em um futuro com blogs atualizados, livros impressos, videolocadoras, amores sinceros, entre outros anacronismos. Quer saber mais?

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