E eu, uma pedra. Também na Copa.

Metade das seleções que disputam a Copa tiveram até domingo para mostrar seu futebol – e convenhamos, elas só reforçaram o favoritismo da seleção brasileira. E se você quiser mais motivos para acreditar no hexa, anote mais essa: desde os áureos tempos em que eu sorria candidamente após meu primeiro beijo, só comemorei uma vez o dia dos namorados. E foi em 1998, única das ultimas três copas que perdemos.

Alias, já contei aqui como foi meu único dia dos namorados na vida, lembrando que no mesmo dia o Paraguai conseguiu um de seus dois 0 a 0 na Copa da França antes de se classificar. Ao lado do “amor da minha vida” daquele mês, tive a chance de assistir a duas partidas. Em 23 de junho, saímos cedo do serviço e fomos ao antigo Bar Augusta, na esquina com a Estados Unidos, para almoçar e assistir a Brasil x Noruega.

O almoço não foi dos melhores. Discutimos por um motivo idiota: estava entusiasmado com o jogo, por isso cortava lascas gigantes do meu filé de frango e engolia de uma vez. Ela não só pediu para comer devagar, como também pegou meu prato e picotou a carne em pequenos pedaços. Obviamente, depois desse ato benevolente, garfava três ou quatro pedaços de uma vez. Enquanto todos saíram dali irritados com o tosco Junior Baiano, autor intelectual dos dois gols da Noruega, ela ficou irritada comigo. Eu também fiquei triste: queria que Marrocos, do Hadji, Bassir e Naybet se classificasse…

Mas as coisas melhoraram pro “casal mais perfeito” daquele mês. Tanto que cheguei ao ponto máximo de um relacionamento sério: jantar na casa dos pais. A comida estava boa, mas melhor ainda foi assistir ao grande jogo daquela competição: Brasil e Holanda, no dia sete de julho. Evidentemente, comecei a desconfiar do sucesso do nosso amor faltando cinco minutos para o final, quando Kluivert estragou a nossa festa antecipada. Felizmente, Zagallo acertou o discurso, Ronaldo (autor do gol no jogo), Rivaldo, Emerson e Dunga não erraram os pênaltis e o heróico Taffarel segurou os de Cocu e Ronald de Boer. O jantar estava salvo!

Enfim, no dia 12 de julho, eu estava em casa e ela com a família, no Rio de Janeiro. Além da saudade chata, tínhamos que aturar os gols do Zidane e o piripaque do “Fenômeno”. E tudo isso para terminarmos uma semana depois… Definitivamente, não tem nada melhor que acompanhar a Copa na sua. Sem falar que, nos últimos dias, o volume de trabalho anda me deixando mais insuportável que muitos namoros desequilibrados perdidos aí.

Musiquinha da Copa – Celebrate the day (the daaay aaay, the daaay aaay…), canção interpretada por um tal Herbert Grönemeyer, é tão bonita quanto o terno roxo do Dadá na abertura da Copa. Por enquanto, a minha Copa tem duas músicas. No sábado, quando Cleber Machado falava em Yaya Touré, da Costa do Marfim, eu cantarolava Zeca Pagodinho: “iaia, ôh iaia… Minha nega não sabe o que eu seeeeeeeeeeei… “. E domingo, antes do hino de Angola, não resisti, levantei e, com a mão no peito, ressuscitei Clara Nunes: “morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela…”.

Pra quê tudo isso – A Globo levou 160 pessoas para a Copa, e nenhuma delas conseguiu arrumar o microfone do Galvão antes de Holanda x Sérvia. Aliás, as gafes dos programetes inter-jogos da emissora, ou mesmo nas entradas em colônias dos países, reafirmam o que eu sempre digo: ao vivo é o inferno. O que dizer da antológica participação de Jamelão, no meio da torcida marfinense: “Vai dar Brasil, vai dar Brasil”. “Mas e o jogo, esse jogo?”. “O Brasil tem que reagir”.

Mesmo quando há algum planejamento, fica aquela sensação de “não precisava disso”: a tal tecnologia digital de ponta, usada pra analisar um lance bobo do jogo, não foi capaz de saber se foi gol da Argentina ou não nos minutos iniciais da estréia.

Sem falar que, tanto na matriz quanto na filial Sportv com Milton Leite, ninguém se atreveu a gritar o sobrenome do goleiro da Costa Rica no jogo de abertura. Era a grande chance de qualquer locutor entrar em êxtase literalmente: “lá vem a Alemanha no ataque, limpou, bateu… Poooooooooorrrraaaaaaaaassss!!!”.

Dois links do OI – Semana passada, o Observatório da Imprensa trouxe um artigo do Antonio Carlos Teixeira que traz exatamente a minha opinião sobre um “debate” que começou há alguns dias, na Revista Época. Afinal de contas, pra que eu vou querer saber quem era melhor entre Pelé e Ronaldinho Gaúcho? Então vamos comparar Marta Rocha com Gisele Bundchen, ou Garrastazu Médici com Fernando Collor.

O outro texto traz comentários breves de Carlos Lemos, Roberto Assaf e Juca Kfouri. Os três, assim como eu, acreditam que vai ser muito difícil vir o tal hexa.

Trecho sensacional do comentário do Juca: “O negócio do futebol não se interessa por mais uma conquista do Brasil, fica monótono. E basta pensar o seguinte: a próxima Copa é na África do Sul. Campo neutro. Sempre que o Brasil jogou uma Copa em campo neutro, ele ganhou. Foi assim no Chile, nos Estados Unidos, na Ásia – quando o país anfitrião não tem tradição no futebol. Imagine que o Brasil ganhe na Alemanha, é hexa. É hepta na África do Sul. Em 2014, a grande chance de a Copa ser no Brasil. O Brasil não vai perder uma segunda Copa aqui dentro. Seria octa? Que coisa mais sem graça!”.

Mais dois links – Lembrem-se que, em 2002, a Argentina também estreou com vitória sobre um africano (1 a 0 sobre a Nigéria), mas logo depois tropeçou e caiu fora. De repente, um raio cai duas vezes no mesmo lugar. Agora, convenhamos, se a Roberta Santana, estudante de jornalismo em Porto Alegre, que aparece na primeira foto dessa matéria do UOL, me convidasse para torcer pela Argentina com ela, eu balançaria. Independente da sua torcida, guarde o especial da BBC sobre a história das Copas, inclusive com áudios.

Meu bolão – Ok, admito: apostei em Costa Rica, Suécia, Sérvia/Montenegro e Japão, e vou cair do cavalo. Mas ainda acredito na Costa do Marfim. E vamos em frente.

André Marmota pode perder um grande amor, um amigo de longa data ou uma oportunidade de trabalho... Mas não perde a piada infame. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (12)

  1. Eu assisti, na sexta, ao segundo tempo de Alemanha x Costa Rica num restaurante, e tava lá o Galvão Bueno, evitando falat o sobrenome do goleiro. Só disse UMA UNICA VEZ no sugundo tempo todo, e de um mode bem disfarçado: “ROZÊPÔRRAS”, tudojuntorapidinhocomsotaque.

    E mantenho minhas fichas na Holanda, tendo visto a partida de sábado.

    E cuidado com a Austrália…

    Um abraço!

  2. Putz bolão to muito mal acertei soh um resultado em cheio. Falando em Galvão no jogo da Inglaterra ele pediu pro Arnaldo qtas vezes na vida de arbitro o Arnaldo tinha marcado 6 segundos do goleiro, so o galvão pra pedir isso nanana
    abraço

  3. Sobre a matéria do UOL que você linkou, ainda não cheguei ao cúmulo de torcer para a Argentina. Mas, honestamente, não me empolgo mais com o ufanismo tupiniquim. Se o Brasil for bem na Copa, ótimo. Se não for, ótimo também. Que vença o melhor time, mesmo que não seja o Brasil.

  4. Eu vou confessar, Marmota… eu tenho 2 cds do Herbert Groenemeyer em casa, adoro o jeitinho dele cantando. Ele eh tipo um Roberto Carlos alemao, brega. Mas eu gosto. E fiquei sorridente de ve-lo cantando na abertura.

    Ok, confessei meu lado brega. Agora pode descer a lenha. :-D

  5. se serve de consolo naquela epoca eu nem sabia o q era namorar… inclusive assisti aquela final de pijama na sala.

  6. Companheiro…
    Seria um erro grotesco ?
    Vi que fez um post sobre as propagandas da Copa, de cerveja, refrigerante….
    Sabe aquela do Guarana Antartica que o Maradona canta o hindo do Brasil ? Pois entao.
    Nao vi que voce comentou nada disso, mas, repare nela que na hora que passa o Ronaldinho cantando o hino, o tal esta com a camisa novissima do Brasil, em seguida, Kaka, masssssss com a camisa ANTIGA do Brasil, e logo Maradona, ja com a camisa semelhante a de Ronaldo, a nova.

    Seria isso um erro grotesco e descomunal que a empresa responsavel nao viu ?

    Sei la, comentando somnete.

    Sobre finais.

    Chorei na final de 98 sim, poxa, eu tinha 12 anos….rs

  7. Vinicius,

    Não tinha reparado nisso…
    Mas vc reparou que o próximo da fila do hino seria o ROQUE JR.???? Humpf!Ele nem foi convocado… hahahah

    Abraços!

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