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Como fazer bom uso do mensalão

Não é preciso ler jornal algum para constatar que, além de uma democracia esculhambada, a Terra do Mensalão tem a segunda pior distribuição de renda do mundo. É só caminhar, ou mesmo andar de ônibus, trem ou metrô.

Deve haver nas calçadas e coletivos de São Paulo ao menos um pedinte por quarteirão, que adotam todo tipo de técnica para sobreviver mais um dia. E não estou falando apenas dos limpadores de vidro, dos malabaristas e engolidores de fogo: crianças e deficientes físicos são os personagens mais comuns, e não tem como ficar indiferente. Pior de tudo é a sensação estranha da escolha: por que decidimos ajudar um e não o outro?

Dias atrás protagonizei um desses casos onde a decisão não foi muito inteligente. Um catador de papel entrou na lanchonete pedindo um salgado para forrar o estômago. Diante da impaciência do sujeito, decidi pagar. Segundos depois, um atrito com a atendente: ele queria três salgados (não anunciou que haviam outras duas pessoas lá fora), gritou “ele tá pagando, ó”, seguido de ofensas absurdas a pobre moça. Ajuda por compaixão ou por intimidação?

Enfim. Aqueles que precisam se virar podem usar uma abordagem mais criativa: vendas. E eles mandam bala: de goma (oferecidas como novidade), de côco (apresentadas como quebra queixo), balas supra-sumo (vinte por um real)… Dividem espaço no trenzão do subúrbio com os clássicos vendedores de amendoim ou ainda com os sazonais, que trazem cadernos no início, tabuada durante, ovo de chocolate na Semana Santa e panetone no fim do ano.

Aliás, graças ao bilhete único (que permite mais de uma viagem no período de duas horas, ao menos por enquanto), tão mandando bala também nos ônibus, coisa de poucos meses atrás. É a turma do “obrigado motorista”, uma dos trechos do discurso previamente decorado pelo esforçado vendedor. Que conta ainda com: “desculpas por atrapalhar a viagem de vocês”, “quem puder ajudar, que Deus abençoe; quem não puder, que Deus abençõe da mesma forma”. Cá pra nós, se a estratégia fosse mais agressiva, talvez o lucro fosse maior.

Entre aqueles que mereciam parte da verba do mensalão, resta ainda a galera que apela para o velho “santinho”: aqueles pequenos papéis xerocados que já deu milhões de voltas, sempre com pedidos silenciosos – acompanhados de marcadores de livros, cartões ou mais balas. A mensagem escrita possui impacto maior nos retrovisores, envolvido num saquinho recheado de guloseimas. Entre todas as maneiras informais, porém duras, de se arranjar trocado, certamente é a que funciona melhor.

Um dos mais interessantes e heróicos cidadãos que já deixaram o arranjo no espelho do carro trocou a mensagem padrão do papel pelo nome completo, telefone de contato, número de matrícula e o valor da mensalidade em uma faculdade particular. Era um universitário, provavelmente estagiário, que naquela manhã conseguiu mais um real: o meu.

Se em um país onde quem deveria se importar com distribuição de renda, emprego e educação resolve pleitear verba extra pra votar no que interessa, resta apenas a sensação horrorosa de que a tendência é da esculhambação aumentar.

Comentários em blogs: ainda existem? (5)

  1. Caro companheiro Marmota *imitando voz do lula*

    Saibas que isso nao só em sao paulo.

    Aqui em belem.. a sempre um vendedor de balinhas, chocolate ou ate me mesmo ceguinhos pedindo.. e quando um sai em uma parada.. outro entra.. parece até que eles já tem cooperativa e tudo.

  2. Os escandalos no Brasil dão cria e se multiplicam em velocidade assustadora. O bom é que todo mundo está já anestesiado e tudo parece normal. Quando na cultura de um povo está impresso o descaso e a indiferença, qualquer coisa que aconteça seja no semaforo da esquina ou nos corredores do poder, o maximo que se consegue são reclamações impotentes. E a esculhambação aumenta sim.

  3. E pensar que estive na Paulista em 27 de outubro de 2002, o dia em que “a esperança venceu o medo”…Quanta decepção.

    E o pior é a nossa indiferença em relação aos pedintes miseráveis – virou algo comum, que às vezes nem choca mais. É só fechar o vidro do carro e fingir que não vemos nada. Triste.

    Abração

  4. eu achei seu blog criativo, não legal, mas fazer o que né?

    bom se for vc esse das fotos saiba que vc é um gatinho e meu e-mail ficou aqui se quiser fala comigo a gente pode se conhecer e só mais uma pergunta
    vc tem namorada?

    tchau
    1000 bjs
    amei vc !!!

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