Comemore o Dia do Beijo neste domingo

Salvador (BA) – Já reparou como tem data estúpida para ser comemorada durante o ano? Só no mês de abril, temos o dia do tomate (1º), dia do propagandista farmacêutico (5), dia do prefeito (10), dia do boi (24), dia do cartão postal (28)… Felizmente existem pessoas que organizam calendários de datas comemorativas e não deixam passar essas pérolas.

Tanta revolta no parágrafo anterior para falar sobre o tema que certamente vai ocupar posts em mais da metade dos blogs neste domingo: o dia do beijo. É uma pena, mas pelo menos por enquanto, essa comemoração e os exemplos esdrúxulos acima tem o mesmo significado para mim. De nada vale ter só uma data e só uma boca. Preciso de mais um par de lábios e do resto da vida para comemorar o beijo, todos os dias.

(Apenas para esclarecer os incautos: quando falo em “comemoração idiota”, quero dizer que não tenho motivos, assim como dia dos namorados… Enfim, é uma brincadeira. Ah, vai, vocês entenderam, né?).

Como na prática tá difícil até pegar na mão, vamos tentar esclarecer as coisas na teoria. Não existem referências sobre por que convencionou-se o dia 13 de abril como o Dia Internacional do Beijo. O próprio “internacional” é um tanto quanto furado, afinal, nos EUA, existe um tal “Kiss Your Mate Day”, celebrado no dia 28 de abril. Difícil explicar se qualquer uma dessas datas tem a ver com a citação do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia Sagrada, talvez o primeiro beijo dado no Universo: “o Sublime Beijo criando nossas almas e nossas vidas” (Gn. 2:7).

Aliás, aqui cabe uma explicação do nosso assessor religioso MC Empada: ” a passagem de Gênesis 2:7, diz respeito à criaçao do homem. A versao revista e atualizada da traduçao do Joao Ferreira de Almeida descreve assim: “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser uma alma vivente”.

O tempo passou e o osculum, como os romanos chamavam em latim, chegou também na Grécia Antiga – aliás, segundo historiadores, os gregos adoravam isso tanto quanto nós. Mesmo entre os homens, algo que ainda choca sujeitos tradicionais como eu, mas que era comum na Idade Média, por exemplo. Entre os suseranos e os seus vassalos, o beijo era um atestado de compromisso, como ocorre entre alguns hoje em dia, mas com outra conotação, evidentemente…

Vamos pular mais um punhado de anos e chegar ao Século 19 (XIX). A essa altura, o desejo da poderosa Igreja Católica, que havia proibido beijos “com conotações libidinosas”, deu lugar a um período mais romântico da nossa história. Primeiro com a literatura, e anos mais tarde, no cinema. Veio ainda o movimento feminista, quando para a nossa alegria, as mulheres não mais sentiam envergonhadas em expor seus sentimentos. Só de lembrar que era comum beijo homem, essa parte da história já merece a data comemorativa…

Claro que a última frase é uma brincadeira – como se eu não soubesse que, mesmo nos dias de hoje, isso é normal em várias partes do globo. O fato é que, apesar da banalização em tempos de “ficar”, beijar demonstra acima de tudo carinho, um compromisso com alguém que amamos. E não existe nenhum ser humano que não tenha vontade de repetir – ou quem sabe melhorar! – aquele último beijo de língua. Aliás, reza a lenda que os italianos, inventores do negócio, são os especialistas. Vou mudar o meu nome para Andrea Della Marmotta.

Tanta evolução até os dias de hoje trouxeram inúmeras modalidades, algumas vistas até com uma certa dose de brincadeira. Tem aquele em que você usa apenas os lábios, tem o selinho, o beijo de esquimó, o beijo de comadre (no sul, por exemplo, são “três desses pra casar”)… Outras variações de nomes pomposos, como o “beijo oceânico”, onde um cobre o nariz do outro com a boca, ou o “beijo sangria”, a popular “chupada nos lábios”. Enfim. Um bom beijo envolve 29 músculos e cerca de 250 bactérias que circulam durante longos minutos equanto o seu coração bate umas 150 vezes por minuto…

Sobre isso, uma informação curiosa, registrada aqui pelo Alysson Auad: “considerando todas as reações químicas, orgânicas e informações bacteriológicas já ditas, eu gostaria de complementar dizendo que a famosa frase lavou tá nova não é tão válida para o beijo, pesquisas dizem que mesmo depois de três dias é possível encontrar resquício de saliva alheia!”

Enfim, se puderem, beijem muito. E parafraseando Jô Soares, um beijo do gordo!

(Postado em 13/04/2003. Tem muito mais nesse texto – inédito – do Inagaki)

André Marmota acredita em um futuro com blogs atualizados, livros impressos, videolocadoras, amores sinceros, entre outros anacronismos. Quer saber mais?

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