Cinco perfis (bem discutíveis) de internautas

Uma das tarefas bacanas que preciso fazer mas não consigo encaixar na lista de prioridades é a série de textos sobre o Internauta-padrão. Resumidamente, a proposta é desvendar os perfis básicos desse verdadeiro “estado de espírito” comum a todo usuário, em maior ou menor grau: não pensar enquanto navega. Desde reenviar textos com assinatura alterada ou acreditar em qualquer bobagem até sentir-se o mais poderoso dos mortais só porque tem mil figurinhas no perfil do Orkut. Seria lindo acreditar ingenuamente que esse comportamento é apenas temporário, faz parte do amadurecimento da rede. Pena que a fonte do problema é estrutural, e a presença dos “internautas-padrão crônicos” (os piores tipos) é inevitável.

Diante desse cenário caótico, fica mais difícil quantificar e encaixar a nossa realidade a um estudo inglês chamado New Mediascapes, elaborado pelo The Future Laboratory, que classifica os usuários em cinco categorias. Descobri essa lista na coluna do Luiz Alberto Marinho, reproduzida na revista de bordo da Gol – que por sua vez, encontrou um resumo desse estudo no blog da jornalista Jemima Kiss, no Guardian Unlimited.

Por um lado, a divisão é bem útil para profissionais de marketing, que trabalham em função de perfis detalhados para direcionar produtos e serviços ao público certo e muito bem definido – nesse caso, os internautas com alguma experiência. Por outro, esse tipo de classificação generalista corre o risco de ser interpretada como “modelo ideal”, excluindo sumariamente qualquer um que não se encaixe nos perfis. Mas enfim, veja se você consegue se ver em algum deles:

#5 The digital authentic – A pesquisa define esse grupo como sendo o mais amplo – um terço dos estudantes e executivos pesquisados se encaixam nesse perfil. É um público mais conservador, alheio à convergência (devia se chamar “autênticos analógicos), que não se dispõe a mudar a forma de consumir informação a não ser que haja uma grande vantagem por trás disso. Resumidamente: assistem TV apenas na TV, e não no computador ou celular. Outras características: aliam o inevitável processo de digitalização com coleções de livros e discos; também preferem notícias de marcas conhecidas e confiáveis, como a BBC.

#4 Media explorers – Mais um grupo com caráter conservador: composto por pessoas mais experientes, pouco acostumadas com o ritmo louco da evolução tecnológica. Eles não costumam andar por aí com laptops ou outros dispositivos. e diante dos poucos que possuem, sentem-se frustrados por não conhecer todas as funções e possibilidades. Bate-papo no celular? Que nada. Para eles, não há nada melhor que a sociabilidade face-a-face. Também preferem confiar na mídia tradicional e se informar pela TV, mas se arriscam a consultar o Google ou o Yahoo News.

#3 Immersed dwellers – Também podem ser chamados de “viciados tecnológicos”: essa turma chegou a um estágio de dependência tecnológica para qualquer coisa, desde a organização até o entretenimento. Sequer imaginam como era viver sem a Internet – por isso mesmo, são bem mais jovens que os grupos anteriores. Imersos em um mundo virtual, carregam toda sorte de dispositivos, adoram games, usam a web para se informar e – detalhe relevante – mais de dois terços dos pesquisados alega (re)produzir algum conteúdo, postando textos em blogs ou vídeos no YouTube.

#2 Channel zapper – O lema dessa ala é: “com tanta informação, não tenho tempo para ler tudo aquilo que eu gostaria”. Seu perfil diversificado contrasta com a frustração de não ter ouvido falar em um nome, tendência ou situação citado por alguém. Eles até mergulham em novas mídias, mas preferem jornais e revistas, onde a informação já está filtrada e organizada na medida certa. Na ânsia de permanecer antenado, essa tribo tem pouco tempo para compartilhar suas próprias informações: pouco menos de 10% dos pesquisados usam alguma forma de distribuição de conteúdo, como blogs ou fotologs.

#1 Social uploaders – Por último, mas não menos importante, a pesquisa identificou uma turma interessada em cultivar amigos, estabelecer comunidades online e fortalecer sua reputação. Para eles, o dispositivo mais importante é o celular com câmera e acesso à rede – assim quem estiver conectado em seu perfil podem acompanhar suas peripécias, entre outros conteúdos compartilhados. Dedicam boa parte do tempo online, colocando televisão e mídia impressa em segundo plano.

André Marmota acredita em um futuro com blogs atualizados, livros impressos, videolocadoras, amores sinceros, entre outros anacronismos. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (2)

  1. Pra mim, uma lista que não inclui o “Internauta Padrão Moleque”, que constatamos recentemente, não pode ser uma lista séria.

    Eu fico com a sua lista, Marmotones!

    Abraço!

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