Cinco comunidades do Orkut que definem minha personalidade

Quando o engenheiro turco lançou, em janeiro de 2004, sua rede social financiada graças ao tempo livre no Google, sequer imaginava que, anos mais tarde, seu Orkut continuaria sendo o site mais acessado por essas bandas do planeta. Além da necessidade dos usuários brazucas em colecionar amigos como num álbum de figurinhas, ou mesmo na facilidade em deixar recados no scrapbook, muitas vezes substituindo outras formas de contato, as comunidades ajudaram muito a popularizar o site.

Eu ainda lembro como eram as comunidades nos primórdios da rede – mesma época em que criei a primeira comunidade relacionada à Escola Técnica Federal de São Paulo. Cheguei a tirar dúvidas preciosas sobre temas específicos: o fórum sobre WordPress, por exemplo, foi determinante para que eu aposentasse o MovableType, antigo “motor” do blog.

Pode ser coincidência, mas a invasão brasileira coincidiu com a mudança no perfil dessas “áreas de convivência”. Um dos estopins saiu da mente de Mr. Manson, com a “Como Ou Não Como”. Ele mesmo admite: “Na época, o Orkut só tinha comunidades de ‘alto nível’, como Cybercultura, Arquitetura da Informação e etc… Gosto de dizer que a ‘Como / Não Como’ foi o início do fim. Ou então a comunidade que mostrou a verdadeira utilidade do Orkut e fez ele estourar”. Daí pra frente, os usuários puderam escolher (e criar) espaços como “Eu amo Seu Madruga”, “Era Jesus um X-Men”, “Ue olaf oa oirartnoc, e íad?”, “Anão vestido de palhaço mata 8” e “Lênin, de três” (as duas últimas boladas pelo mesmo usuário, Marcos Barbará.

O fato é que muitas destas brincadeiras subverteram o verdadeiro sentido de uma comunidade: ao invés de estreitarem relações entre mentes afins, elas servem apenas como um rótulo: “eu me identifico, por isso vou me cadastrar” – o que é possível discutir, por exemplo, na comunidade “clique no desenho é o caráleo”? Algumas ainda conseguem fugir dos joguinhos sem-graça, da invasão de spammers, de propagandas enfiadas por perfis falsos, das mensagens preconceituosas ou mesmo criminosas (como as de algumas torcidas organizadas). Mas pensando bem, a essa altura, para quê fugir disso mesmo?

Enfim. Como as comunidades já se transformaram mesmo em “etiquetas”, elas inspiraram a Danielli, que convidou a Mara e que, por sua vez, passou a tarefa para mim. A proposta é bem simples: enumerar cinco comunidades que ajudem a definir minha personalidade.

#5 Eu me formei na Gazeta Esportiva – Eu tinha que escolher a mais relevante entre as comunidades ligadas a boa parte da minha formação profissional. Devo estar em duas ou três sobre “jornalismo esportivo”. Gosto da “que vergonha, Márcio Rezende”, sobre o árbitro que garfou os títulos brasileiros de Santos e Internacional. Também gosto da Venezuela na Copa. Mas o fato de trabalhar por quase dez anos no mesmo ambiente, passando por praticamente todos os estágios possíveis, coloca esta aqui como uma das mais representativas.

#4 Teimo em ser taurino – Essa é meio óbvia: é possível escolher inúmeras comunidades que servem apenas como “etiqueta”: meu nome começa com A, moro em São Paulo, torço para o Internacional, gosto de comida japonesa… Destas, pincei uma de nome divertido: afinal de contas, a melhor coisa em ser de Touro é ser teimoso.

#3 Eu cresci assistindo ao Pica-Pau – Não poderia faltar alguma referência aos anos 80. Se bem que o fenômeno Pica-Pau ainda acompanha crianças até hoje, levantando audiência como se fazia há 20 anos… Pica-Pau merece.

#2 Chico Buarque peida – Podem dizer que é inveja e o que for, mas apesar da preferência nacional entre as moças, é importante lembrar que, apesar de talentoso e inteligente, Chico Buarque de Holanda é um cara normal. Ah, sim, eu não gosto da voz dele.

#1 Clube dos Caretas – Essa é a minha preferida, onde me sinto em casa. Além de ser uma das poucas que ainda preservam discussões bem moderadas – ao contrário de outra parecida, a “Bonzinho só se fode”, que se deteriorou com outras do gênero.

Bom, ao contrário da Danielli e da Mara, que bolaram essa brincadeira como um meme, não costumo passar a tarefa pra ninguém. Mas não se sinta impelido: se achou a idéia interessante, siga em frente que eu coloco seu link aqui.

André Marmota fala, lê e escreve razoavelmente em português castiço, engrish macarrônico e portunhol com legendas. Quer saber mais?

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