Cinco “blogs-moleque” para celebrar o BlogDay

Eu estava amadurecendo a idéia de “meter meu bedelho” em outras dessas celeumas infrutíferas que, vez ou outra, mobilizam algumas vozes. O debate da vez é “a morte dos blogs”. Pensei em aliar a proposta da Beth Saad, que usou o feliz termo “complementariedade” ao posicionar o blog como uma entre múltiplas ferramentas (populares ao menos até vir outra melhor), com a do Tiagón Casagrande, verdadeira essência de qualquer opinião sobre vida em rede: não é a tecnologia que determina sucesso ou fracasso, mas sim as pessoas. Essas que precisam dividir 24 horas entre trabalho, trânsito, estudo, leituras, almoço, jantar, namoro, novela, boteco, balada e essas traquitanas todas.

Então lembrei do BlogDay, que surgiu nesta singela observação de um israelense, Nir Ofir. “Nos últimos meses, eu senti que, a medida em que surgem mais blogs, perco menos tempo com eles. Com o excesso de informações, visito apenas meu blog favorito. Então por que não incentivamos nossos visitantes a conhecer novos blogs?”. Em quatro anos, certamente suas intrincadas escolhas entre uma fonte e outra o deixou ainda mais louco – ao menos acontece comigo. Mas enfim, uma perguntinha bem óbvia: se os blogs acabaram, qual o sentido do BlogDay hoje?

O fato é que a data (31 de agosto) coincidiu com o lançamento (tardio e unilateral) do Blog do Planalto – entre críticas e desejos de sucesso, o BlogDay foi bem lembrado. Uma busca por BlogDay2009 no Technorati retorna 190 posts – parece pouco, mas em 2006, quando o meme de fato pegou, foram 300 registros. Não dá pra dizer que foi uma queda expressiva, dá?

Bom, o esquema do BlgDay é bem simples: encontrar cinco blogs interessantes, recomendá-los e, ao fazer isso, registrar a participação usando um link para o Technorati (http://technorati.com/tag/BlogDay2009) e o site do projeto (http://www.blogday.org). Com algum atraso (ah, vá!), fiz minha listinha. Para filtrar apenas cinco endereços, optei por alguns que, mesmo quando há uma profusão de “blogs de sucesso” entusiasmado com métricas, números, monetizações, posicionamentos e afins, mostram o que sabem fazer sem se preocupar exatamente com esses detalhes em primeiro plano.

#5 Blog do Professor PC – Conheci o Paulo Cezar Guimarães, docente do curso de comunicação da FACHA, em minha última passagem pelo Rio de Janeiro. Sabe aqueles professores gente boa, que você sempre vai lembrar ao final da faculdade? Tenho certeza de que os alunos do PC devem pensar o mesmo. Jornalista antenado e experiente, não perdeu aquele costume “das antigas”: ler e recortar artigos do impresso. Nem por isso está desconectado: há tempos não encontro um blog atualizado tantas vezes. Fiquei fã dele!

#4 Dicas de um Fuçador – Esbarrei sem querer, um dia desses, na expressão “churnalismo”, derivado do inglês “churn out”, definindo o “jornalismo nas coxas”. Foi num texto do Marcelo Soares, responsável ainda por um blog sobre política na MTV e pela tradução de um e-book do Guillermo Franco precioso sobre texto na web. Virou referência em apuração jornalística, cuidado com a palavra, coisinhas que vez ou outra a gente esquece. É mais um que aprendi a admirar.

#3 Resenha em 6 – Reparou que, até agora, só falei em pessoas, né? A vida brinca com destinos de um jeito interessante: a primeira metade dos 90 reuniu, numa sala de aula de eletrotécnica, alguns caras como o Marcelo, o Leonardo e o Fernando – um dos autores deste blog bacana, onde o pré-requisito de seus autores é resenhar produtos, serviços e afins em no máximo seis linhas. É como no combalido Sete segundos, mas sempre movimentado: os caras já ultrapassaram as mil resenhas!

#2 Eu e meu Ego Grande – O autor chama-se Leonardo Luz. Escritor. Roteirista. Crônicas. Enfim, um cara que gosta de escrever. É o suficiente. Agora vai lá ver (se é que você já não conhece), antes que o ego dele infle a ponto de ficar parecido com outros blogs aí.

#1 Homem é Tudo Palhaço – Pense num blog que começou lá pelos idos de 2002, já concorreu ao IBest, é citado em cadernos de cultura da mídia tradicional, permanece focado num assunto que gera discussões intermináveis e, mesmo depois de tanto tempo, segue na mesma toada – tudo bem que, em alguns casos, difamando nós homens injustamente. Mas ainda assim, divertidíssimo. Perguntem pro quarteto formado por Ana Paula, Nara, Roberta e Vanessa se os blogs realmente acabaram.

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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