Canção da Meia-noite

Eu me lembrei logo à meia-noite deste último dia do mês dez: era o tal dia do raloim, propagado no país apesar da ojeriza nacionalista latente. Quem não quer se sentir colonizado, ou simplesmente nega a natural evolução cultural, lembra do dia do folclore, nosso “raloim brazuca”, que é em 22 de agosto, ou da oficialização feita recentemente, a do dia do saci, também no dia 31 de outubro, em confronto direto com a grande abóbora.

Inevitavelmente, lembrei de uma musiquinha pequenininha, mas bem bacaninha, que sem querer virou “tema oficial” das minhas últimas férias, no Rio Grande do Sul. Foi quando descobri um CD pouco conhecido, o primeiro acústico do Nenhum de Nós, lançado em 1994. Uma das faixas, autoria de Zé Flávio, era Canção da Meia-noite.

Já conhecia a canção, originalmente gravada em 1976 pelo grupo gaúcho Almôndegas, que só quem é do sul ouviu falar. Fez algum sucesso nacional graças a sua presença na trilha sonora da novela Saramandaia – aliás, lamento profundamente a Globo reprisar novelas que todo mundo já viu ao invés desses clássicos.

Mas enfim. A banda Almôndegas foi a primeira manifestação musical de Kleiton e Kledir Ramil, e eles lembraram disso recentemente ao regravarem Canção da Meia-noite para o CD e DVD ao vivo. Uma busquinha rápida no Google para constatar que José Agora Aguenta Coração Augusto também regravou o tema. É a única versão que eu não ouvi – e nem faço muita questão, só para manter a do Nenhum de Nós com o título de regravação mais legal.

Segue a letra, com um dia e 100 minutos de atraso.

Quando à meia-noite eu me encontrar, junto à você
Algo diferente vou sentir, vou precisar me esconder
Na sombra da lua cheia, esse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem, um saci pererê

Dona senhora, à meia-noite eu canto
Essa canção anormal
Dona senhora, essa lua cheia
Meu corpo treme, o que será de mim?
Que faço força pra resistir a toda essa tentação
Na sombra da lua cheia, esse medo de ser…
Um vampiro, um lobisomem, um saci pererê

Atualizado – Aqui vai o link da rádio UOL para você curtir a musiquinha.

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

Leia outros posts em Plantão Marmota. Permalink

Comentários em blogs: ainda existem? (8)

  1. Devo confessar que já tinha ido buscar no Google, quando li o verso “esse medo de ser um vampiro, um lobisomem, um saci pererê” circulando como uma dessas suas frases do topo da página. ;)

  2. …e ontem, eu chegando em casa, tem 4 pivetinhos(as) vestidos de vampiro e fantasma, com sacolinhas na mão dizendo: “Gostosuras ou travessuras”. Minha resposta: “Ih, gente… vai ter que ser travessuras…”.

    O que eu gostaria de ter dito:
    (*pedala*)”ôh, mulecada do car**ho!! Para de engolir essa merda norteamericana(*pedala*) Não Conhece o Saci não?????” (*pedala*)

    Um abraço!

  3. Ah, pra mim o tal do Halloween não fede nem cheira… Mas confesso que achei até legalzinho quando a pivetada bateu à minha porta ontem. Normal.

    PS – O mais importante não é o Dia das Bruxas, mas o feriadão! Viva!

Vai comentar ou ficar apenas olhando?

Campos com * são obrigatórios. Relaxe: não vou montar um mailing com seus dados para vender na Praça da República.


*