Blog pra quê?

Como eu tenho a nítida impressão de que apenas blogueiros visitam outros blogs, suponho ainda o que todos já saibam: qualquer ser humano que tenha algo a dizer pode ter um. Nem é preciso o tal “desejo doentio de popularidade”, como acreditam os colegas do Café Dementia. Pessoalmente, aos que pensam em entrar na onda apenas para isso, saibam que existem maneiras mais fáceis, como andar pelado no metrô durante uma semana…

Mas voltando. Assim como a própria Internet, os blogs se redescobrem a cada dia. Agrega novas ferramentas, novas funções, se faz presente em nossa vida. Foi assim no 11 de setembro, como observou o Fábio Fernandes nesse texto; é assim nos dias de hoje, onde já é possível blogar por telefone, como já experimentou a Luciana Misura. Outros, como o Vincent Vega e eu, já experimentaram blogar em vídeo… Os ingredientes estão na dispensa. É só escolher, misturar tudo, colocar no fogo e aproveitar.

Mas aproveitar para quê? O que leva um indivíduo a dedicar boa parte do seu tempo num blog? No livro The Weblog Handbook, a autora Rebecca Blood cita três motivos básicos para alguém começar a blogar. Primeiro: dividir informações, seja comentando as de sempre ou criando um espaço dedicado a um tema específico. Segundo: marcar presença na grande rede e estabelecer uma imagem, uma reputação online (repare que existe uma diferença gritante entre manter a imagem e ser popular). Finalmente o terceiro, que um dia já foi o motivo número um: expressar sentimentos, impressões diárias, opiniões sobre a sua vida, a dos conhecidos e os demais. Ainda segundo Rebecca, depois que alguém começa a blogar, acaba fazendo um pouco das três coisas ao mesmo tempo, à medida em que o blog começa a estabelecer relacionamentos com os demais.

Relacionamento. Palavrinha-chave que blog, site, rede, computador nenhum é capaz de entender sozinho – ainda bem. Bem ou mal, esse é um dos mais inexplicáveis produtos de natureza humana. Só ele seria capaz de criar mais alguns motivos para a existência de um blog: despertar a solidariedade e reforçar a cidadania perdida. E aqui, finalmente, depois de enrolar você por um minuto, chego ao assunto principal.

Num belo dia, Rossana Fischer, ser humano como eu e você, carregando consigo suas virtudes e defeitos, deu de cara com um casal muito, mas muito pobre. Ambos recolhiam papelão, mas com a gravidez da esposa, tiveram que parar tudo. A mulher, soropositiva, deu à luz ao filho Lucas, personagem principal dessa história que certamente você já deve ter visto por aí – afinal, ela se parece com muitas outras, que infelizmente não são contadas por ninguém.

Mas essa história, no entanto, Rossana está contando. E já conta com a ajuda de centenas de pessoas, que estão transformando a vida dessa família. Evidentemente, o “cordão dos desconfiados”, composto por uma meia dúzia de três ou quatro, também faz barulho. Mas nem adianta, o caminho já está aberto. Mais: em pouco tempo, o livro da Rebecca vai ganhar a sua versão tupiniquim, revista e atualizada pela Rossana: “vou falar da campanha no meu livro sobre blogs. Pra mostrar do que nós somos capazes com esta ferramenta nas mãos”.

Blog pra quê? Nem seria preciso concluir. Mas vamos aproveitar este artigo, escrito por Hernani Dimantas e Manoel Fernandes Neto, que apontaram o divisor de águas decorrente da história de Lucas. “Não somos hipócritas em achar que salvando o Lucas estaremos salvando milhões de crianças que ainda morrem nas favelas e nos campos… Mas a iniciativa capitaneada por Rossana mostra caminhos que merecem ser percorridos pelas vozes dos micromercados. Por aqueles que, de fato, estão comprometidos com a transformação. Lucas um símbolo real que merece o nosso abraço, mesmo não sendo o único”.

André Marmota é professor universitário e ouvinte frequente da pergunta “mas e além disso, você também trabalha?”. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (7)

  1. marmelo blz?mano o endereçowww.estupidos.net/ilha/natal.mp3 naum tah rolando tá dando pau hheheolha sobre o lance de blogs estou pensando e redigindo algo sobre qdo estiver pronto aviso : )luz e força ; )s

  2. Pois é… 1001 motivos para “blogar”. Marmota e vc por que vc tem um blog? (além de ser para falar mais sobre as mesmas coisa mas do seu jeito…)Bjocassssssssssssss

  3. Não sei se acredito na estória desse tal Lucas mas enfim…Que tal um post sobre lendas e histórias fraudulentas na internet?PS: e coloque logo os vídeos de floripa no ar. Eu e mais 29 pessoas aguardamos ansiosamente.

  4. Oi Marmota que saudades. Eu sei que devo ser castigada por ficar tanto tempo sem aparecer por aqui… bem eu nem sei o porquê de ter criado um blog não sei o motivo de ainda escrever (quase) todos os dias… é como seu eu devesse satisfações aos amigos que me visitam todos os dias.Bem tô indo almoçar e volto mais tarde. BeijinhosThakira

  5. A cada dia vejo novos motivos pra blogar. Muitas vezes dá a maior vontade de parar de mandar todo mundo ir pastar mas depois eu acalmo e vejo que vale a pena ficar escrevendo pra um monte de desconhecidos e depois conhecê-los…Já tenho programa para o carnaval graças ao blog… e por aí vai!Beijos

  6. Marmota… que história legal… poxa… blogs a serviço da solidariedade. Muito legal mesmo…Bom andei meio sumida do mundo virtual mas aos poucos vou retomando a minha vida blogueira…

  7. outro assunto : bem que o pessoal pudia procurar saber oque e um blog odeio chegar nos outros e explicar e ter que falar “é um diario mas eu nao uso pra diario e blablabla” fica parecendo q tem um diarioe diario e meio “fresco”

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