Bad Godesberg, minha casa na Alemanha

Recebi esses dias um e-mail muito bacana do Roberto, mais um brasileiro que terá a chance de conhecer a Alemanha esse mês. “Queria uma ajuda sua. Vi que você conhece bem Bonn. Vou passar por volta de uma semana aí pois me parece fácil o acesso a Colônia e outras cidades. Os hotéis já estão bastante cheios e achei um e queria tua opinião quanto a localização. Parece que é perto da estação e de uma grande avenida. O que você acha?”.

A mensagem dele me lembrou que, passados mais de seis meses da minha visita à Alemanha, eu pouco (ou nada) falei dos lugares que visitei, por pura falta de tempo para passar minhas anotações a limpo aqui. Mas me lembrou que esta é uma hora bastante oportuna para escrever um bocado sobre a minha saudosa viagem. E nada melhor do que retomar com Bonn – especificamente a região de Bad Godesberg, meu verdadeiro lar durante três semanas.

E a sensação era realmente essa: toda vez que eu e meus amigos retornávamos de alguma excursão, especialmente as mais longas, não havia quem não dissesse: “como é bom chegar em casa…”. Recordar é viver.

Essa é uma área muito tranquila, pacata e apaixonante de Bonn. Extremamente acessível: ao lado de uma estação de trem e da estação de U-Bahn (o metrô). O distrito de Bad Godesberg (algo como Balneário Godesberg em alemão) não fica exatamente no centro da antiga capital da Alemanha Ocidental, mas mais ao sul.

O grande ponto de referência é realmente a estação da DB – em média a cada 20, 30 minutos, tem trens que seguem ao norte para o centro de Bonn ou mesmo Colônia. A estação também me serviu como “área de restauração rápida” nas horas de aperto: graças às maquininhas de doces, salgadinhos e refrigerante, voltei da Alemanha viciado em Snickers.

Também dá para ir até o centro de Bonn ou mesmo Colônia de U-Bahn – o intervalo é menor, mas como são muitas estações, leva muito mais tempo. Antes da plataforma do metrô, um verdadeiro achado: o cybercafé do Saddam (ok, esse não é o nome do figura, mas como ele e sua esposa são iraquianos, o nome vem a calhar).

O preço é o mais em conta entre os serviços do gênero. Também dá para usar as cabines telefônicas voip, além de comprar cartões de operadoras internacionais (nos dois casos, longos minutos em ligações para o Brasil custaram alguns centavos de euro). O Saddam também tem uma geladeira com refrigerantes e uma máquina de Nescafé, que também salvam vidas em horas de aperto.

Nos arredores, um comércio bem interessante, mas com horário bem definido de abertura e fechamento : das 9h às 20h. Minha lojinha preferida, mesmo sem entender absolutamente nada em alemão, era a livraria Bücher Bosch, em dois endereços no “calçadão” da Alte Bahnhofstrasse.

Aliás, na mesma quadra fica um posto da VRS, a empresa de transportes à volta do Reno (inclui Bonn, Colônia e arredores). Passagem obrigatória para quem deseja se orientar a partir das linhas de mapas das linhas do U-Bahn e ônibus – da estação de Bad Godesberg partem duas linhas diferentes de metrô na mesma estação, por exemplo. Em pouquíssimo tempo, dá para conhecer todos os arredores e se encantar com lugares como a Theaterplatz – onde ficava o “meu lar”, o Insel Hotel – mas muitos lugares bacanas eu passei batido, espero ter uma chance de voltar e explorar o lugar direito.

A noite, com o comércio fechado, é hora de aproveitar os bares e restaurantes. Dois lugares onde batia ponto: o Bago Bistro, na Moltkeplatz, tem uma variedade de massas, saladas e outros pratos bacanas – era entrar e pedir “einz pizza quatro stagione und einz large cola” – a Sinalco Cola lembra a nossa Pepsi, e vem num copão de 500ml.

Alguns passos adiante, na Moltkestrasse, fica o Kinopolis, um dos maiores cinemas da cidade – se decidir assistir alguma coisa, procure pelos filmes em versão original. A maioria é dublada, e não existem legendas (faz sentido). Perto dali, na Lobestrasse, fica um bar muito bacana: o Limão. Tem motivos brasileiros e um garçom que veio do Piauí. Dá pra pedir caipirinha e guaraná (meio caro), mas também dá pra tomar uma weiss bier.

Mas há quem enjoe de novidades – nesse caso, Bad Godesberg tem McDonalds, com sanduíches bem parecidos com os nossos. Experimente pedir o “número” com FarmKartoffeln ao invés das fritas normais (batata apimentada e cortada diferente), além do delicioso Waldbeere – iogurte batido com pedacinhos de frutas, idéia que poderia perfeitamente ser importada para o Brasil.

Evidentemente, depois de conhecer Bad Godesberg, sobra bastante tempo para passear em Colônia ou mesmo no movimentado centro de Bonn. Visitas imperdíveis: a casa do mais conhecido cidadão local, Ludwig Van Beethoven; o Museu da Alemanha, que conta a história contemporânea do país (a partir de 1945) de uma maneira muito atraente… Sem falar nas gastanças nas grandes lojas de departamento, como a Kartstadt ou a Kaufhof.

Mas para quem tiver tempo mesmo, a sugestão imperdível é o passeio de barco no Rio Reno, organizado pela empresa Köln-Düsseldorfer. Basta atravessar a linha do trem por baixo e caminhar algumas quadras até avistar a margem do rio. Um passeio ida e volta para qualquer cidadezinha – e de quebra um visual espetacular – custa oito euros por pessoa. Dá pra descer em uma cidade ainda menor como Konigswinter, Unkel, Remagen, Linz, Koblenz… E respirar ares bem típicos.

Também dá para ir até Colônia de barco, mas o melhor jeito de ir até a cidade, a 30km dali, é de trem. Dois tipos saem de Bad Godesberg até lá: o RE (regional express) e o RB (trem regional). O primeiro costuma parar em poucas estações, e chega mais rápido em Colônia. Dá para ter uma idéia de como funciona a rede integrada de trens e metrô nesse arquivo PDF, com as linhas do U-Bahn em Colônia, integradas com Bonn.

Na parte de baixo do mapa, tem uma linha azul clara com o número 16, além da linha tracejada verde: tanto o U16 quanto o RE 5 e RB 26 passam por Bad Godesberg. A linha 16 do metrô leva pouco mais de 1 hora de Bad Godesberg até Colônia, mas passa por Neumarkt, que dá acesso ao U1 em direção ao estádio, ou na Hauptbanhof, onde mal você sai da estação e dá de cara com a catedral.

Mas Colônia é uma outra história. E será a próxima.

Comentários em blogs: ainda existem? (6)

  1. Puxa, Marmota, eu não sabia que tinha tanta coisa em Bonn. Eu vou domingo para Dusseldorf e Dortmund e pretendo dar uns passeios por Colônia, mas não tinha considerado Bonn. Passeio de barco é uma boa. Ainda estou fazendo meu roteiro e tenho que ver a questão do $$$ (e também não tenho todo o tempo livre, pois na verdade estou indo de graça com tudo pago pois tenho compromissos por lá em alguns dias) mas espero que você escreva logo seu roteiro sobre Colônia.

  2. Caraca!!! Viajei agora com seu post, imaginei cada lugar que descreveu. :o)
    Como vc demora taaaaaaaaanto tempo para escrever isso?!?!?! ahhhhhhh…
    Fantástico!
    Beijos…

  3. Fico eu imaginando aqui na minha concha se um dia esta pessoa enraizada e minúscula um dia vai ter a oportunidade de visitar ligares como esse.

    Enquanto esse dia não vem (se é que um dia virá), a gente “suga” a experiência de pessoas como você: além de visitar, divide todas as impressões com os amigos. Vc escreve e conta com paixão… Agradeço por isso!!!

    Um abraço!

  4. Eu adoro posts sore viagem pois embarco junto. Mas a coisa que mais me chamou a atenção nesse foi: “mesmo sem entender absolutamente nada em alemão”, rs.

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