Ainda o cinema, a pirataria e as experiências

Semana passada registrei aqui um desabafo sobre os preços dos cinemas, concluindo que eram inflacionados graças ao excesso de carteirinhas estudantis disponíveis – algumas delas fraudulentas. A respeito dessa extorsão exagerada, nosso querido Ian registrou um comentário bastante interessante (atenção para o grifo nos pontos mais relevantes).

André, discordo. Acho que esta pesquisa é semelhante a que diz que a pirataria é a responsável pelos preços extorsivos dos CDs. Vejo um caminho inverso neste caso, como também seria o caso dos CDs. A pirataria de carteirinhas é um reflexo do preço irreal cobrado pelos exibidores, que tentam a todo momento se aproveitar do boom de público do cinema para faturar em cima. Basta observar que nunca foi investido tanto em cinema no Brasil nos últimos tempos, são novas salas, salas antigas sendo reformadas, mas tudo com seu preço. Os preços das sessões de quarta-feira há muito não são os 50% que normalmente era cobrado, e ainda inventaram os preços antes e depois das 17h. Apóio a pirataria como forma de boicote, pois quero ver que exibidora resiste a uma auditoria de suas contas, uma balanço que mostre seu faturamento não sustentaria a tal pesquisa. Um exemplo rápido, por que no Gemini o ingresso inteiro é 8 e no bristol é 16? E olha que o Gemini fica às moscas...

Não foi a primeira vez que a pirataria, independente das causas e de seus fins, foi assunto por aqui. Em dezembro, lamentei o excesso de impostos de produtos importados, especialmente eletro-eletrônicos, que também chegam as lojas com preços irreais – fato que também contribui para a proliferação de bens de consumo, hmmm, duvidosos.

Voltando à discussão cinematográfica, lembro ainda de quando decidi assistir à Matrix Reloaded em casa, antes do lançamento oficial, em maio de 2003. Já naquela época, o Marcelo fez o comentário que apareceu aqui tempos depois, também sobre pirataria:

Tsc, tsc! Que coisa feia! Mas não vou ficar falando abobrinha, porque duvido que todo mundo aqui use Windows original...

Por fim, no mesmo post, o Otávio registrou um comentário definitivo sobre conteúdo audiovisual na rede versus direitos de quem vende.

Opa Marmota! Eu pensei em assistir o Reloaded em divx, mas acabei desistindo. O Spiderman assisti uma semana antes da estreia. Já o Star Wars EpII foi um mês antes. Ambos foram essas cópias toscas com uma câmera no cinema. Depois, quando fui assistir no cinema, vi que não tinha reparado em vários detalhes, como a mão-de-metal do Anakin no final do EpII. Então com o Matrix resolvei não tentar. Não quero perder os detalhes do filme. Já o Animatrix? Fiz o download do dvd inteiro, em divx. É dvdrip, então a qualidade está perfeita. Digo vale ter uma cópia. Para aqueles que estão lendo o meu comentário, quando o filme sai no cinema, estou lá, na estréia. Quando o filme sai em dvd, estou lá, encomendando na pré venda do Submarino. O mp3, divx, xvid, ou seja lá o que estejas assistindo, ouvindo, copiando, é uma forma de conhecer muita coisa nova. Quantas bandas depois comprei o cd porque gostei das musicas que escutei em mp3? (Eu tenho gravadora de CD, mas não é a mesma coisa). A música é uma parte de um pacote maior. Tem a arte do cd, tem as letras, fotografias.. É um conjunto. O dvd é a mesma coisa. São 3 línguas diferentes, legendas em várias linguas, extras, entrevistas... Não deixo de comprar o dvd porque tenho uma cópia em divx. Não mesmo... Muito menos deixaria de ir ao cinema. Assistir na grande tela. Com um som bom (essa foi piada. Aqui o som do cinema é muito ruim), mas mesmo assim. Com uma companhia legal. Com uma turma de amigos. O cinema ainda tem o seu valor, e sempre terá :D Só optei por nào assistir Matrix Reloaded no computador, para não perder detalhes do filme. Se fosse uma cópia dvdrip, ou uma copia de uma reprodução de um cinema digital, não tenham dúvida: Eu já teria feito o download. E ainda assim, estaria na porta do cinema na estréia - e pronto para comprar o dvd quando saisse à venda :D

Enfim, o tripé consumidor x indústria x piratas rende muito, mas muito assunto.

André Marmota é professor universitário e ouvinte frequente da pergunta “mas e além disso, você também trabalha?”. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (7)

  1. Nossa! Você vai, volta e eu perco o timming e chego cinquenta posts depois. Desaprendi a ler blogs em tempo real…

    —–

    Pois é, meu pai já teve uma Brasilia amarela roubada também. Só que aqui em Curitiba, 27 anos atrás.

    —–

    Pirataria? Concordo com a reprodução dos comentários aí. Se não fosse a pirataria, me diz quando, quando eu ia conhecer bandas como Lifehouse, Dishwalla, entre outras?

    Bendito seja o BitTorrent. E é verdade. Mesmo tendo meu U2 piratoso – bom, o considero original, afinal, copiei do original -, quero uma versão “de verdade”.

    Mas CDs do Lifehouse nunca vi em terras tupiniquins. O que você acha de compras pela Internet, André?

  2. Existe esse comercio paralelo por causa do valor do produto original. Todos nós sabemos. Fico pensando; se formos brigar em todas as esferas para que baixem os preços, ficariamos loucos! Melhor brigar com o governo, brigar pelo direito de melhores salários.

    Bom fim de semana! Beijus

  3. Embora não compre discos piratas sou a favor da pirataria como forma de protesto. Acredito que a musica deva ser encarada como bem necessário para a boa saúde mental do cidadão. Privar o cidadão simples da musica é o mesmo que ir contra a democracia. Quando vejo o discurso de que a pirataria tira empregos e lesa o país, me vem a cabeça como um indivíduo que ganha 300,00 reais por mês pode se dar ao luxo de comprar um cd original. acabar com o pirata sem uma reestruturação do mercado fonografico é condenar as massas a dependerem dos rádios AM/FM. Tome por exemplo o cd do My Chemical Romance, grande sucesso recente da MTV, que tem trinta e poucos minutos de musica e um encarte safado e é vendido, em média, a 39,00 reais. Um absurdo.

  4. Pirataria? Criação de impostos? Geração de Empregos? Isso tudo é uma tremenda palhaçada…

    Como posso colocar a mão na consciência ao comprar algo pirata e não estar pagando os devidos impostos ao governo se nosso presidente é um tremendo safado ladrão descarado e cínico?
    Queria eu poder optar em não ter descontado do meu salario toda a grana q é furtada do meu contra cheque para poder pagar superfaturamentos, mensalões, aerolulas, etc etc etc…
    Não é proibir ou destruir q resolve. É uma reestruturação INTEIRA desde o presidente que só tem o primário ao gari q precisa de 2º grau pra varrer a rua, é reforma psicológica e intelectual… a pirataria sumiria automaticamente… mas, aqui nessa terrinha de políticos canalhas populistas que oferecem esmola e povo burro sem estudo e que se vende por um “cheque cidadão”, nada feito.
    Vou continuar baixando Cds, DVDs e o que eu puder para MEU consumo.
    Não compro pra não alimentar os grandões que estão por trás, os vendedores de esquina são os menos culpados…

    Abs

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