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A primeira redação integrada que virou 100% online

No último final de semana, tive o prazer de conhecer pessoalmente alguns profissionais do jornal Gazeta do Povo, que seguem o caminho de outras redações mundo afora e buscam alternativas para integração entre equipes do impresso e o online. Tal situação, associada ao recente anúncio do fim da versão impressa do JB, me fez lembrar de um texto que publiquei no Comunique-se em maio de 2008, sobre o primeiro jornal brasileiro que passou pelas duas situações, num intervalo de tempo de dois anos. Não me parece que o panorama tenha mudado muito de lá para cá.

Suplemento que circulou na última edição da Gazeta EsportivaAs primeiras discussões envolvendo a integração de equipes num mesmo grupo de comunicação vieram com a digitalização da informação no final dos anos 80, antes mesmo do crescimento da world wide web. Apesar da longevidade, o debate está ganhando força nos últimos dias. A bola da vez é a BBC, que anunciou no final de abril a primeira etapa do processo de integração, reunindo equipes de rádio e TV num mesmo ambiente.

Ao mesmo tempo, uma pesquisa britânica concluiu que 3/4 dos editores de jornais no mundo vêem na integração das redações algo comum para os próximos anos. Conclusão semelhante à da professora da ECA-USP Beth Saad, que participou do 9º Simpósio Internacional sobre Jornalismo Online em Austin, Texas: “a integração operacional multimídia é irreversível; este é um processo extremamente dependente da cultura de cada empresa e geralmente ocorre de forma escalonada”.

No Brasil, as propostas em unificar redações ainda são tímidas. Recentemente, o jornalista André Deak ministrou um curso de jornalismo multimídia para profissionais do grupo Diários Associados em Belo Horizonte. Iniciativa semelhante está sendo preparada pela equipe do grupo A Gazeta, em Vitória, que há alguns anos já integrou a redação do site com a rádio CBN Vitória. Em 2006, a vice-presidente de Internet e Inovação da RBS, Sílvia de Jesus, revelou detalhes de uma experiência feita no verão daquele ano: um grupo de repórteres e editores dos jornais, das rádios e da TV planejaram, executaram e se revezaram numa cobertura 100% integrada. Mas não tive notícias de iniciativas semelhantes nos anos seguintes.

Ainda em 2006, O Estado de S. Paulo anunciou seu novo portal e reformulação da redação (cada editoria contava com dois editores, um para o jornal e outro para o site), sob a coordenação de Ricardo Anderáos, em projeto lançado como “inédito no Brasil”. O termo “pioneirismo” também poderia ser usado para o Grupo A Tarde, que começou seu processo de integração em setembro de 2003 nas mãos da jornalista Luciana Moherdaui. Mas nenhum destes casos tem histórico semelhante ao do jornal A Gazeta Esportiva, que experimentou as virtudes e os problemas de uma integração entre outubro de 2000 e novembro de 2001.

Poucas semanas após o encerramento dos Jogos Olímpicos de 2000, a superintendência da Fundação Cásper Líbero extinguiu a Gerência de Planejamento Corporativo, que coordenava os veículos online, passando o controle do site Gazeta Esportiva.Net para a Superintendência de Jornais. Assim, as duas equipes ocuparam o mesmo ambiente de trabalho, no 12º andar da Avenida Paulista, 900. Foi uma integração “forçada”: por um bom tempo, havia um preconceito velado entre as equipes, a ponto de cada uma contar com seu próprio chefe de redação: jornal era jornal, site era site.

Eram poucos os interessados em mudar a mentalidade, estreitar as diferenças e aprender com o novo. Alguns repórteres com mais de 20 anos de casa, acostumados a entregar laudas datilografadas, ficavam maravilhados ao constatar que, num clique, dois ou três parágrafos que seriam descartados no fechamento da página poderiam ser publicados instantaneamente. Mas não foi suficiente: o estímulo em discutir a “integração” veio com um novo choque: a demissão de um dos chefes de redação.

Foi com Geraldo Silveira, o último editor-chefe de A Gazeta Esportiva, que a integração começou de fato. Reuniões de pauta integravam as duas equipes, dando oportunidade a repórteres e redatores colaborarem nos dois veículos. Ao mesmo tempo, elementos exclusivos online – como o relato das partidas em tempo real e seções interativas de perguntas e respostas – ganharam espaço na edição impressa. No entanto, a busca por bons resultados na qualidade do produto final contrastava com o equilíbrio financeiro do jornal, que em 2000 teve prejuízo de R$ 6 milhões.

A estimativa de rombo em R$ 4 milhões para 2001 foi estancada em 20 de novembro: as duas redações trabalharam em conjunto até o mais antigo jornal esportivo do País deixar de circular. A mudança de suporte exclusivamente para os meios digitais tornou-se o terceiro choque inevitável: mesmo os profissionais desinteressados com o site foram absorvidos – até o primeiro grande corte, em março de 2002.

Mesmo atualmente, quando as discussões ainda se baseiam em modelos pouco avlaiados por leitores, empresas e equipes, a experiência da primeira redação integrada do Brasil nos faz concluir que as melhores propostas se baseiam em reuniões e treinamento com foco no fortalecimento do ambiente. Ou ainda no princípio da complementaridade, onde profissionais são convidados a trabalhar tanto online quanto offline, sem sobrecargas, cortes ou decretos vindos de cima para baixo.

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