A figueira não quer que eu me case

A lendária figueira de Floripa

Existe uma porção de lendas relacionadas à figueira centenária da Praça XV de Novembro, bem no centro de Florianópolis. Dizem os antigos: quem dá uma volta completa em torno dela, acaba voltando para a cidade em pouco tempo. Eu, que já tinha feito isso uma vez, demorei quatro anos para rever aquela árvore imponente… Mas enfim. Outros antigos (ou os mesmos, vai saber) dizem ainda que, se o transeunte der sete voltas, não tarda a encontrar o grande amor de sua vida.

Agora, imagine um cururu com pinta de turista passar pelo meio da movimentada praça e executar o circuito circular, levando uns 40 segundos para dar cada volta ao redor da figueira. Quando tive a primeira chance, no sábado à tarde, não tinha jeito. Além dos populares de sempre, algumas figuras muito suspeitas estragavam qualquer tentativa – é uma pena, mas de acordo com alguns amigos, Floripa está cada vez mais violenta. “É bom não vacilar”, pensei.

No dia seguinte, pouco depois da uma, a situação era outra. Não havia uma única alma naquela praça – consequências do fechamento absoluto do comércio local somado à garoa constante. Somente um idiota se atreveria a caminhar até a praça sob a chuva e dar sete voltas na tradicional figueira. Pois é, mas acabei indo mesmo assim.

Dei a primeira volta calmamente, e no mesmo ritmo, emendei com a segunda. De longe, avistei um indivíduo usando jaqueta de couro preta: aumentei um pouco mais o ritmo na terceira volta. Quando já estava na quarta volta, a chuva apertou. Droga, assim vou contrair uma gripe ao invés de matrimônio… Outro cidadão, de aparência obscura, atravessou a praça e ficou me olhando. Mas que droga, essa figueira deve selecionar o tipo de gente que experimenta dar as tais voltas ao seu redor, como se quisesse dizer: “não adianta, meu jovem”.

De tanto pensar na chuva e na figura suspeita… Puxa vida, quantas voltas estão faltando mesmo? Duas? Três? Droga! Ah, quer saber? Vou dar umas quatro voltas, assim já tento confirmar meu retorno à ilha da magia o quanto antes – ou garantir ainda grandes pingos d’água na camisa, para quem sabe sensibilizar alguma incauta que não ache balela essa história de “amor da vida”.

A lendária figueira de Floripa

Comentários em blogs: ainda existem? (6)

  1. André , rsss vc é muito engraçado…

    não sabia que estava assim tão doido pra casar…
    vou arrumar uma sobrinha bem linda proc~e…rssss
    adorei,,7 voltas,né.
    viu como o numero é cabalístico???
    abraços…

  2. É disso que eu gosto nesse blog, tem sempre uma surpresa interessante. Uma hora é aquele revival anos 80, outra hora, alguma atualidade das comunicações ou dos esportes, e, quando menos se espera, um textinho singelo como esse.

    Lembrei do “Ultimo Romântico” do Lulu Santos. Divagando… O fato é o seguinte: você tem uma cabeça muito boa!

    Beijo de fã.

  3. Levei um susto com a figueira. Há uma outra igual, do tempo das missões, ou seja, pré-1849, em Santa Barbara. Toma a praça inteira.

    Pensei, o André Marmota em Santa Bárbara? E nem telefonou? Gostei da foto.

    Deixa de ser bobo que no Brasil tem mais mulher que homem. Não pode ser tão difícil assim. Não é quem espera sempre alcança; é que corre atrás alcança logo.

    Beijos,

  4. No Forte dos Reis Magos, em Natal, também existe um “monumento” ao redor do qual diz a lenda que, se dermos sei lá quantas voltas, a gente casa. Na dúvida, eu dei as tais voltas… mas nunca estive tão sozinha (snif!). Então, sabe-se lá se essas lendas não se cansaram da gente e decidiram não ter mais efeito! Mas quero crer que elas são apenas… de efeito demorado! rs

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