Pois é, meus amigos. Nem tudo sobre meu domingo em Interlagos foi devidamente relatado aqui. Resolvi deixar para o final da semana o detalhe que faz a diferença, a melhor parte da aventura – talvez mais eletrizante que a própria corrida: a volta para casa.
Seja lá qual for o evento no autódromo de Interlagos – seja Fórmula 1 ou racha entre amigos, as redondezas da Avenida Interlagos permanecem intransitáveis durante todo o dia. Imaginando problemas para estacionar por perto, além do trânsito na volta, decidi apostar no esquema da CET, sugerido inclusive no trajeto: “estacione o carro no Shopping Interlagos e pegue um dos nossos ônibus gratuitos”.
O esquema parecia perfeito. Dezenas de coletivos fretados da Itapemirim aguardavam os amigos da velocidade ao lado do shopping. Em 15 minutos, chegávamos confortavelmente ao bolsão dos ônibus, no lado oposto ao da Avenida Interlagos. Mesmo diante das 60 mil pessoas presentes, a grandiosidade do autódromo ainda passava certa sensação de tranquilidade.
Mas foi ao fim da prova, lá pelas quatro da tarde, que eu me dei conta do óbvio: pela manhã, o povo chegava em horários alternados. Teve gente que apareceu às oito, outros às nove… Dez, onze, meio-dia… Como não fui capaz de imaginar que toda essa trabanda iria embora ao mesmo tempo? Estúpido.
Enquanto fazia a volta pelo autódromo para chegar ao bolsão, ao lado de centenas de transeuntes, percebi que “seria um longo fim de tarde”. Minhas previsões infelizmente se confirmaram quando vi o cenário desolador criado pelos organizadores.
Em tese, os mesmos ônibus da Itapemirim encostariam, um a um, num ponto de referência que ninguém sabia qual era. Apenas um pobre coitado, usando um colete com a desnecessária inscrição “orientador”, tentava organizar uma fila diante daquela massa de gente apressada. Bandos se aproximavam das portas de outros ônibus enquanto os que aguardavam faziam gestos obcenos bradando insistentes “olha a fila”.
O pobre coitado do orientador dizia “calma”. Hordas corriam para o fim do comboio de ônibus e esmurravam a porta, exigindo clemência do motorista – que evidentemente se recusava a abrir. Um outro cururu, com o crachá da Itapemirim, limitava-se a indicar a melhor posição dos ônibus, passando incólume a toda ordem de ofensas.

E pensar que horas antes, segundo testemunhas, Téo José encerrava a transmissão da “Errei de TV” elogiando o comportamento do torcedor paulistano, que estava deixando Interlagos em paz…
Enfim. Acompanhei esse tumulto absurdo sentado na grama, ao lado do meu pai. Vez ou outra, olhávamos um para o outro como se quiséssemos dizer “ê povinho bunda”. Quando abri a boca, disse apenas que “logo os baderneiros iriam embora, no fim estaríamos salvos”.
Impaciente, meu pai logo reparou outra obviedade: vários outros fretados, vindos de todo o país, tentavam sair de Interlagos ao lado das dezenas de veículos amarelos. Eram quase seis da tarde quando o último Itapemirim lotado entrou na congestionada fila da saída. “Até o primeiro deles voltar já será segunda-feira”, concluiu sabiamente o meu pai.
Com um pouco mais de sensatez, resolvemos ir à pe até onde fosse possível encarar um táxi ou coletivo. Foi a melhor decisão: para retornarmos à Avenida Interlagos, era preciso caminhar pela pista do autódromo, desde a junção até a entrada dos boxes! Virou uma peregrinação turística!
O fato é que só chegamos ao shopping por volta das sete e meia da noite – no caminho ainda encontramos alguns ônibus da Itapemirim voltando ao autódromo.
E eu, uma pedra… Algo me diz que, depois dessa, corrida em Interlagos só pelo sofá de casa.
Ha ha ha ha….putz Marmota, Interlagos é assim mesmo.
Lembro-me bem do dia que estava morta de cansada, querendo um super banho e demorei quase 3 horas para chegar em casa de volta.
Confessa outra coisa, corrida de caminhão é….fedida…vc deve ter ficado com um cheiro de escapamento danado…não ?
Abraços,
As corridas sempre acabam gerando transtornos, principalmente pra quem mora na região. Eu moro depois do autódromo. Então, qualquer tentativa de ir pro centro/shopping, passa próxima ao autódromo. Lembro da última corrida da F1 o inferno que foi pra eu simplesmente ir ao shopping. E era sábado, dia de treino…
Apesar que eu adorava o Skolbeats. Pertíssimo de casa.