Estádios que eu fui: Allianz Arena

Na reta final do meu passeio, tive a felicidade de visitar Munique ao lado de Lello Lopes. Foi por poucos (e gelados) dias, mas o suficiente para realizarmos dois passeios esportivos relevantes, todos eles no dia 12 de novembro. Uma volta no parque olímpico dos Jogos de 1972 e outra no estádio considerado o mais bonito do mundo, o Allianz Arena (se fosse no Brasil seria rebatizado para “pneuzão”).

A ordem da caminhada não foi essa, mas evidentemente, prefiro deixar o melhor para o final.

Como em todas as grandes cidades alemãs, você consegue chegar a qualquer canto de Munique usando transporte público, seja nas muitas linhas de bonde (Tram) ou, mais fácil ainda, de metrô (U-Bahn). A torre do parque olímpico de Munique fica bem visível logo na saída da estação Olympiazentrum, a última da linha U6. Antes de atravessar a passarela, dá para ver os prédios da antiga Vila Olímpica, local do trágico atentado terrorista. No outro lado da passagem, bem perto do ginásio Olympiahalle, um monumento em hebraico refresca a mente de algum desavisado.

Infelizmente eu e Lello demos azar: chegamos muito tarde no parque olímpico, tempo suficiente para caminhar ao redor do belo estádio e dar alguns telefonemas – aliás, como são feios os telefones cor-de-rosa da Deutsche Telekom.

Mas a volta pelos arredores valeu a pena. Até porque, naquela altura, já tínhamos visitado o estádio mais interessante da cidade.

Muitas linhas de metrô cruzam a Marienplatz e outras estações centrais. A partir dali, não tem mistério: basta entrar no trem da linha U6 com destino a Garching-Hochbrück e descer na estação Fröttmaning. Mas da janela do metrô, pelo lado direito, já da pra ver o magnânimo pneuzão branco.

É preciso caminhar bastante a partir da belíssima estação de metrô até chegarmos a uma das entradas do estádio. É muito espaço, com direito a estacionamento subterrâneo para não agredir a paisagem externa. Mas ninguém repara nas entradas e saídas dos arredores, nem mesmo nos moinhos de vento ao fundo da paisagem. O Allianz Arena chama a atenção sozinho.

Para o nosso azar, o último horário do passeio guiado era praticamente duas horas depois, o que inviabilizaria nosso giro pelo Olympiastadion em seguida. Optamos por simplesmente circular pelos arredores – entende-se lojinhas do Allianz Arena, do Bayern e do Munique 1860. Antes de sair, pausa para um lanchinho típico de estádio alemão: cerveja e salsicha.

Para finalizar: o dia rendeu, e só acabou na madrugada de domingo, graças a um evento inusitado: depois do jantar, nos arredores da Marienplatz, percebemos um aglomerado de gente na frente da Kaufhof. Era um artista de rua, diferente de tudo que já vi na vida.

O sujeito cantava grandes sucessos internacionais e, entre uma canção e outra, conversava, fazia piada e debochava com todos os turistas em alemão, inglês, italiano… Implicava muito com os japoneses e até conversava em português: ao descobrir a presença de brasileiros no grupo, ele emendou “hoje a noite não tem luar”, do Renato Russo. A cada vinte, trinta minutos, ele exigia alguns euros dos espectadores, usando uma grande sombrinha virada para baixo. O nome dele é Helly Meiler, e é o cara mais persuasivo que já vi na vida – tanto que acabei comprando um CD do cidadão.

Enfim, não é difícil descobrir qual o último estádio desta série. Aliás, Berlim ainda reúne as histórias mais bacanas do passeio!

André Marmota acredita em um futuro com blogs atualizados, livros impressos, videolocadoras, amores sinceros, entre outros anacronismos. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (4)

  1. Por falar em artista de rua, esse FDS eu fui ver “Carros”, e como de costume em filmes da Pixar, tem um curta metragem antes do filme. Este se chama “A banda de um homem só”, e é justamente sobre esses artistas que tocam em troca de um troco (uau!).

    Bem divertido.

    Em tempo, o Allianz Arena é o estádio mais bonito que eu já vi (pela TV).

    Um abraço!

  2. Quando for ver a contagem de acessos de hoje, desconte uns 50 reloads que eu “precisei” dar para ver algumas das suas fotos e frases no cabeçalho do blog.

  3. Cara, deixa eu te falar uma coisa:
    Esse Helly Meiler é casado com a minha tia (brasileira) por isso ele fala português tão bem.
    O nome verdadeiro dele é Helmut. Estive em Munique na época da copa e fiquei hospedado na casa deles.
    O cara é muito espirituoso mesmo, tem alguns videozinhos dele no youtube.

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