{"id":997,"date":"2004-12-15T16:42:35","date_gmt":"2004-12-15T19:42:35","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/como-identificar-um-porto-alegrense"},"modified":"2004-12-15T16:42:35","modified_gmt":"2004-12-15T19:42:35","slug":"como-identificar-um-porto-alegrense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/como-identificar-um-porto-alegrense\/","title":{"rendered":"Como identificar um porto-alegrense"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-fimdeano.gif\" align=\"right\">Bom seria se o meu final de ano fosse igual ao do conterr\u00e2neo <a href=\"http:\/\/www.asopanoexilio.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Marcelo Tadday<\/b><\/a>, que j\u00e1 deixou o Canad\u00e1 para passar duas semanas no sul do Brasil. Agrade\u00e7o ao Papai Noel Velho Batuta por me deixar em S\u00e3o Paulo neste reveillon.<\/p>\n<p>Por um lado, vai ser interessante ficar mais de um ano sem ver parentes e amigos e v\u00ea-los apenas em dezembro de 2005, com aquela incr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de que &#8220;todo mundo ficou muito mais velho&#8221;. Por outro lado, j\u00e1 sinto falta de alguns trejeitos que aprendi a amar, ainda que convivendo boa parte do tempo \u00e0 dist\u00e2ncia. Em especial, os trejeitos porto-alegrenses.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o pr\u00f3prio <a href=\"http:\/\/www.asopanoexilio.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Marcelo<\/b><\/a> publicou, recentemente, mais uma dessas mensagens an\u00f4nimas perfeitas, que circulam nas caixas postais. Quer saber como identificar algu\u00e9m que j\u00e1 se ambientou completamente na capital ga\u00facha? Siga os passos abaixo.<\/p>\n<p><i>1. Divide o domingo entre antes e depois da &#8220;passadinha no Brique&#8221; ou no &#8220;Parc\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>2. A partir de julho, o porto-alegrense p\u00e1ra de comprar livros para aproveitar os descontos e os balaios da Feira do Livro.<\/p>\n<p>3. Odeia o muro da Mau\u00e1.<\/p>\n<p>4. Fala mal das praias ga\u00fachas, mas nunca recusa convite para passar o fim de semana em Imb\u00e9 ou Atl\u00e2ntida.<\/p>\n<p>5. Desfila, em qualquer rua de qualquer cidade, com cuia e garrafa t\u00e9rmica como se fosse coisa &#8220;trinormal&#8221;.<\/p>\n<p>6. Ama ou odeia o PT. N\u00e3o tem meio termo.<\/p>\n<p>7. Acredita que a \u00faltima batalha n\u00e3o ser\u00e1 entre o bem e o mal ou entre a luz e as trevas, mas entre gremistas e colorados.<\/p>\n<p>8. Em uma tarde consegue mostrar todos os pontos tur\u00edsticos da cidade aos amigos que v\u00eam de fora.<\/p>\n<p>9. Acha que Porto Alegre tem quase todos os defeitos de uma cidade grande e mais algumas desvantagens de uma cidade pequena, mas parte para a briga com qualquer estrangeiro que ouse dizer uma &#8220;barbaridade&#8221; dessas.<\/p>\n<p>10. Acredita piamente que existe uma comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para o fato de o p\u00f4r-do-sol no Gua\u00edba ser o mais bonito no planeta. Talvez pelo fato do paralelo trinta passar na Rua da Rep\u00fablica&#8230;<\/p>\n<p>11. Chama o carinha ali de &#8220;bagaceiro&#8221;; come &#8220;negrinho&#8221;, &#8220;branquinho&#8221; e ainda compra &#8220;cacetinho&#8221;!<\/p>\n<p>12. Diminiu metade das palavras e nem se d\u00e1 mais conta disso: &#8220;findi&#8221;, &#8220;churras&#8221;, &#8220;super&#8221;, &#8220;n\u00edver&#8221;, &#8220;refri&#8221;, &#8220;ceva&#8221; (essa tem o sin\u00f4nimo &#8220;cerva&#8221;, tamb\u00e9m)&#8230;<\/p>\n<p>13. Quando quer dizer sim, diz &#8220;\u00e3 r\u00e3&#8221;, com um jeito t\u00edpico de Porto.<\/p>\n<p>14. Ama Porto Alegre! O porto-alegr\u00eas \u00e9 uma das l\u00ednguas mais dif\u00edceis do &#8220;Ocidente&#8221; (que n\u00e3o \u00e9 o hemisf\u00e9rio, e sim um bar em Porto Alegre ).<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, s\u00f3 existe uma interjei\u00e7\u00e3o: &#8220;b\u00e1h!&#8221; &#8211; que \u00e9 usada em mais ou menos 462 situa\u00e7\u00f5es diferentes. Para complicar, &#8220;bah!&#8221; tem, tamb\u00e9m, 497 entona\u00e7\u00f5es diferentes: pode ir de um simples &#8220;beh!&#8221;, at\u00e9 um complicado, &#8220;p\u00e3h!&#8221; dependendo do que tu queres dizer.<\/p>\n<p>E tem tamb\u00e9m as g\u00edrias. Porto Alegre \u00e9 equipada com mais ou menos 15 f\u00e1bricas de g\u00edrias funcionando sem parar. Algumas chegam at\u00e9 a ser exportadas: &#8220;viajar na maionese&#8221; e &#8220;pirar na batatinha&#8221;, que agora est\u00e3o na moda no Rio, s\u00e3o faladas h\u00e1 anos, ou em porto-alegr\u00eas, &#8220;h\u00e1 horas&#8221;, que pode ser &#8220;h\u00e1 uma data&#8221; ou &#8220;h\u00e1 uma cara&#8221;, como em outros lugares.<\/p>\n<p>Outras express\u00f5es cruzam a fronteira, mas nunca chegam a ser compreendidas. &#8220;Deu pra ti&#8221;, por exemplo, que \u00e9 o nome de uma m\u00fasica que fez o maior sucesso no Brasil inteiro. Talvez porque pensaram que &#8220;deu pra ti&#8221; fosse uma sacanagem, quando na verdade s\u00f3 queria dizer &#8220;chega!&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem o &#8220;trilegal&#8221;, &#8220;h\u00e1 horas ningu\u00e9m fala trilegal&#8221; em Porto Alegre. Se fala &#8220;tribom&#8221;, &#8220;triquente&#8221;, &#8220;triafim&#8221;, &#8220;trigente&#8221;, &#8220;trij\u00f3ia&#8221;, &#8220;triafu&#8221; (muito usado), &#8220;tri&#8221; o que tu quiseres.<\/p>\n<p>Mas nada \u00e9 mais porto-alegrense quanto falar: &#8220;tu vai ir?&#8221;, que muitas vezes fica &#8220;tu vai i?&#8221;, com o &#8220;i&#8221; bem pronunciado e longo&#8230;<\/p>\n<p>Repita agora, com sotaque: &#8220;B\u00e1h, mas tu vai i? Bah, mas se tu for, eu tamb\u00e9m vou i&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9, aqui \u00e9 o \u00fanico lugar do mundo onde a gente lava &#8220;Os p\u00e9&#8221; e lava &#8220;as m\u00e3o&#8221;. E &#8220;deu pra ti, viu guri&#8221;! N\u00e3o h\u00e1 nada melhor do que poder dizer: &#8220;B\u00e1h, eu sou de Porto&#8221;. com sotaque mais cantado poss\u00edvel&#8230; E a cara mais orgulhosa do mundo!<\/p>\n<p>Porto Alegre \u00e9 TRILEGAL!!!! &#8230; E &#8220;sirvam nossas fa\u00e7anhas de modelo \u00e0 toda terra!&#8221;&#8230;<\/i><\/p>\n<p>Definitivamente, vai ser um longo 2005&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom seria se o meu final de ano fosse igual ao do conterr\u00e2neo Marcelo Tadday, que j\u00e1 deixou o Canad\u00e1 para passar duas semanas no sul do Brasil. Agrade\u00e7o ao Papai Noel Velho Batuta por me deixar em S\u00e3o Paulo neste reveillon. Por um lado, vai ser interessante ficar mais de um ano sem ver [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-997","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-especiais-do-mmm"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=997"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/997\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}