{"id":992,"date":"2004-12-03T19:13:54","date_gmt":"2004-12-03T22:13:54","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/sobre-o-amor-da-sua-vida"},"modified":"2004-12-03T19:13:54","modified_gmt":"2004-12-03T22:13:54","slug":"sobre-o-amor-da-sua-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/sobre-o-amor-da-sua-vida\/","title":{"rendered":"Sobre o amor da sua vida"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Mais um daqueles textos incr\u00edveis, que todos adoram ler e reler sempre que poss\u00edvel, e que ficam melhores ainda naquelas noites onde o mundo cai em cima de voc\u00ea, quando mal sobra tempo para resgatar o tal texto, inventar uns par\u00e1grafos e col\u00e1-lo no blog.<\/p>\n<p>As linhas abaixo foram escritas por Roberto Freire, e fazem parte do livro <i>Ame e d\u00ea Vexame<\/i> (que sumiu da minha prateleira e certamente vai virar sugest\u00e3o para o meu amigo secreto). Diz respeito a uma s\u00e9rie de coisas inexplic\u00e1veis, entre elas o fato daquela mocinha t\u00e3o incr\u00edvel morrer de amores por um sujeito t\u00e3o mequetrefe. E pior, nem reparar no seu esfor\u00e7o em transformar esse quadro.<\/p>\n<p>Em tempo: j\u00e1 queimei todos os miolos em busca desta explica\u00e7\u00e3o. Mesmo sabendo que n\u00e3o tem.<\/p>\n<blockquote><p><i>Voc\u00ea ama aquela petulante. Voc\u00ea escreveu d\u00fazias de cartas que ela n\u00e3o respondeu, voc\u00ea deu flores que ela deixou a seco, voc\u00ea levou para conhecer sua m\u00e3e e ela foi de blusa transparente. Voc\u00ea gosta de rock e ela de chorinho, voc\u00ea gosta de praia e ela tem alergia a sol, voc\u00ea abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no \u00f3dio voc\u00eas combinam. Ent\u00e3o?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela \u00e9 mais viciante do que LSD, voc\u00ea adora brigar com ela e ela adora implicar com voc\u00ea. Isso tem nome.<\/p>\n<p>Voc\u00ea ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e n\u00e3o liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no arm\u00e1rio, ele escuta Sivuca. Ele n\u00e3o emplaca uma semana nos empregos, est\u00e1 sempre duro, e \u00e9 meio galinha. Ele n\u00e3o tem a menor voca\u00e7\u00e3o para pr\u00edncipe encantado, e ainda assim voc\u00ea n\u00e3o consegue despach\u00e1-lo. Quando a m\u00e3o dele toca na sua nuca, voc\u00ea derrete feito manteiga. Por que voc\u00ea ama este cara ? N\u00e3o pergunte pra mim.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 inteligente. L\u00ea livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes de Woody Allen, dos irm\u00e3os Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa com\u00e9dia rom\u00e2ntica tamb\u00e9m tem o seu valor. \u00c9 bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de m\u00fasica, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto \u00e9 imbat\u00edvel. Voc\u00ea tem bom humor, n\u00e3o pega no p\u00e9 de ningu\u00e9m e adora sexo.<\/p>\n<p>Com um curr\u00edculo desses, criatura, por que diabo est\u00e1 sem um amor ? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor n\u00e3o fosse um sentimento, mas uma equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica: eu linda + voc\u00ea inteligente = dois apaixonados. N\u00e3o funciona assim.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contr\u00e1rio os honestos, simp\u00e1ticos e n\u00e3o-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo \u00e0 porta. O amor n\u00e3o \u00e9 chegado a fazer contas, n\u00e3o obedece \u00e0 raz\u00e3o. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjun\u00e7\u00e3o estrelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m ama outra pessoa porque ela \u00e9 educada, veste-se bem e \u00e9 f\u00e3 do Caetano. Isso s\u00e3o s\u00f3 refer\u00eancias. Ama-se pelo cheiro, pelo mist\u00e9rio, pela paz que o outro lhe d\u00e1, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Amar n\u00e3o requer conhecimento pr\u00e9vio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefin\u00edvel.<\/p>\n<p>Honestos existem aos milhares, generosos tem \u00e0s pencas, bons motoristas e bons pais de fam\u00edlia, t\u00e1 assim, \u00f3. Mas ningu\u00e9m consegue ser do jeito que o amor da sua vida \u00e9.<\/i><\/p><\/blockquote>\n<p>Vai chegar o Natal em que Papai Noel vai mostrar o tal amor da sua vida para todos os seres bonzinhos demais que assim desejarem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um daqueles textos incr\u00edveis, que todos adoram ler e reler sempre que poss\u00edvel, e que ficam melhores ainda naquelas noites onde o mundo cai em cima de voc\u00ea, quando mal sobra tempo para resgatar o tal texto, inventar uns par\u00e1grafos e col\u00e1-lo no blog. 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