{"id":95,"date":"2007-11-08T23:27:49","date_gmt":"2007-11-09T02:27:49","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/o-misterioso-moedor-de-amizades"},"modified":"2007-11-08T23:27:49","modified_gmt":"2007-11-09T02:27:49","slug":"o-misterioso-moedor-de-amizades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/o-misterioso-moedor-de-amizades\/","title":{"rendered":"O misterioso moedor de amizades"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.marmota.org\/blog\/secoes\/misterio.gif\" align=\"right\" \/>N\u00e3o importa o nome que voc\u00ea d\u00ea a ele: projeto experimental, trabalho de conclus\u00e3o de curso, monografia, disserta\u00e7\u00e3o, tese\u2026 A maioria dos universit\u00e1rios enfrentam este desafio estressante em seu \u00faltimo per\u00edodo de curso. Evidentemente, o final do ano corresponde ao apogeu da crise, ou o t\u00e3o esperado al\u00edvio.<\/p>\n<p>Em alguns casos mais graves, os alunos s\u00e3o submetidos a est\u00e1gios (ou resid\u00eancias) em diversas \u00e1reas antes de serem diplomados. Em outras faculdades, no entanto, o trabalho final \u00e9 bem mais tranquilo. Como na <a href=\"http:\/\/www.facasper.com.br\" target=\"_blank\"><b>C\u00e1sper L\u00edbero<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Sabendo que boa parte dos formandos j\u00e1 est\u00e3o enrolados at\u00e9 o pesco\u00e7o em seus locais de trabalho, o projeto experimental \u00e9 quase uma boiada: os alunos de jornalismo, por exemplo, s\u00e3o livres para escolher o tema e o formato do trabalho &#8211; jornal, revista, livro-reportagem, document\u00e1rios, sites, monografias, programas de TV ou r\u00e1dio &#8211; no final do terceiro ano.<\/p>\n<p>Para os alunos de publicidade, o n\u00edvel de dificuldade \u00e9 um pouco maior: \u00e9 preciso desenvolver um plano completo para determinada empresa. Nesse e em outros casos mais ambiciosos, imposs\u00edveis de serem feitos sozinho, a coisa deve ser tocada em grupo, inevitavelmente. A maioria dos projetos atinge n\u00edveis de qualidade indiscut\u00edveis, servindo at\u00e9 como trampolim para a carreira. Mas o exerc\u00edcio n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e9cnico, mas principalmente psicol\u00f3gico: a responsabilidade dividida com quatro, cinco, ou at\u00e9 seis pessoas durante todo o ano, consegue moer amizades, transformando pessoas leais em eternos desafetos.<\/p>\n<p>Felizmente, o grupo do <a href=\"http:\/\/www.marmota.org\/tormentos\" target=\"_blank\"><b>meu projeto<\/b><\/a> permaneceu coeso e feliz o tempo todo. Mas n\u00e3o \u00e9 o que ocorre normalmente: quando um grupo define o projeto, todos come\u00e7am animados e confiantes. Com o tempo, a alegria pode virar uma amea\u00e7a sem precedentes, capaz de deixar a avalia\u00e7\u00e3o final com cara de hora do recreio. Foi exatamente isso que aconteceu durante 2003 com um companheiro de reda\u00e7\u00e3o, agora um brilhante e futuro publicit\u00e1rio.<\/p>\n<p>No final do ano passado, ele acertou os detalhes do plano ao lado de seus amigos. Com o tempo, dividiram tarefas e assumiram suas responsabilidades. A rela\u00e7\u00e3o de companheirismo, no entanto, foi dando lugar ao profissionalismo: era como se o grupo fosse uma \u201cempresa\u201d, onde de repente algu\u00e9m se d\u00e1 conta que \u00e9 o \u201cchefe\u201d e sentencia: tal funcion\u00e1rio \u00e9 incompetente. A partir da\u00ed, a coisa tem tudo para desandar.<\/p>\n<p>E quase desandou, como mostram trechos de um e-mail enviado pelo auto-denominado \u201cchefe\u201d, transcritos abaixo. Imagine-se trabalhando no tal projeto, preocupado a tal ponto de esquecer o almo\u00e7ar ou a hora de dormir, e de repente, faltando alguns dias para a entrega, aparece em sua caixa postal uma mensagem com o assunto \u201cGRUPO MALDITO\u201d:<\/p>\n<p><i>Para falar a verdade, gostaria de chamar nosso grupo de FP &#8211; Filhos da P\u2026 Voc\u00eas foram sacanas e irrespons\u00e1veis. Se prestarem aten\u00e7\u00e3o em tudo que fizeram, v\u00e3o perceber que foram crian\u00e7as e n\u00e3o tiveram postura.<\/p>\n<p>O pior de tudo \u00e9 que t\u00ednhamos uma rela\u00e7\u00e3o de amizade, a decep\u00e7\u00e3o \u00e9 muito maior. A sacanagem \u00e9 em dobro.<\/p>\n<p>Se quiserem discutir o que fizeram, fa\u00e7am uma rela\u00e7\u00e3o de tudo feito por cada um.<\/p>\n<p>O trabalho est\u00e1 sendo diagramado por um terceiro, que custou R$ 300,00. R$ 100,00 sair\u00e1 do nosso cofre e R$ 200,00 minha m\u00e3e bancou. Para que a pessoa nos entregue na sexta, preciso das pe\u00e7as at\u00e9 quarta de manh\u00e3. V\u00e3o precisar de mais tempo ou dez meses continuam sendo insuficientes? E os formatos finais, pode ser?<\/p>\n<p>Detalhe importante: a pessoa j\u00e1 foi paga.<\/p>\n<p>\u2026 J\u00e1 saturamos todos os professores com o nosso grupo. E se voc\u00eas quiserem brigar eu j\u00e1 consultei um advogado e sei que d\u00e1 para tirar sim pessoas do grupo. O advogado \u00e9 especialista no assunto.<\/p>\n<p>Aos estrelas de plant\u00e3o, j\u00e1 que ficaram de fazer, fa\u00e7am corretamente. Ainda temos informa\u00e7\u00f5es erradas nas pe\u00e7as.<\/i><\/p>\n<p>Tive a oportunidade de assistir a apresenta\u00e7\u00e3o final do respectivo trabalho. Quem tamb\u00e9m viu e n\u00e3o sabia da hist\u00f3ria, at\u00e9 ouviu falar que teve briga durante o ano, mas n\u00e3o deu bola para isso ap\u00f3s as trocas de abra\u00e7os e os in\u00fameros \u201cparab\u00e9ns\u201d pela aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos professores da casa e respons\u00e1vel pela avalia\u00e7\u00e3o chegou a contar uma de suas hist\u00f3rias de vida: trabalhou doze anos com um sujeito muito mal-humorado, que brigava com todo mundo e exigia coisas de maneira at\u00e9 constrangedora. Mas fora dali, tomavam sua cervejinha normalmente. E concluiu: \u201cprofissionalmente, brigar pode ser estressante, mas \u00e9 bom\u201d. Pode at\u00e9 ser, contanto que a amizade permane\u00e7a.<\/p>\n<p>A todos que est\u00e3o passando por situa\u00e7\u00f5es semelhantes, ou acabaram de sair dela, tenham calma: dezembro j\u00e1 est\u00e1 no fim. Comemore, reaproveite as coisas boas que sobraram da rusga e siga em frente.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque, independente do projeto de vida ou dos nossos desejos, ano que vem tem sempre mais.<\/p>\n<p><i>(Postado em 18\/12\/2003)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o importa o nome que voc\u00ea d\u00ea a ele: projeto experimental, trabalho de conclus\u00e3o de curso, monografia, disserta\u00e7\u00e3o, tese\u2026 A maioria dos universit\u00e1rios enfrentam este desafio estressante em seu \u00faltimo per\u00edodo de curso. Evidentemente, o final do ano corresponde ao apogeu da crise, ou o t\u00e3o esperado al\u00edvio. 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