{"id":944,"date":"2003-08-20T15:20:00","date_gmt":"2003-08-20T18:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/a-aguia-e-a-galinha"},"modified":"2003-08-20T15:20:00","modified_gmt":"2003-08-20T18:20:00","slug":"a-aguia-e-a-galinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/a-aguia-e-a-galinha\/","title":{"rendered":"A \u00e1guia e a galinha"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Mais um post que denuncia a minha falta de tempo. Essa hist\u00f3ria eu recebi de uma amiga que est\u00e1 fascinada com a faculdade de enfermagem, que come\u00e7ou a cursar neste semestre. Em uma das disciplinas n\u00e3o-biol\u00f3gicas em sua ess\u00eancia, ela ter\u00e1 que elaborar uma atividade relacionada ao livro <i>A \u00e1guia e a galinha<\/i> de Leonardo Boff.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um tratado veterin\u00e1rio sobre as duas aves, mas sim uma par\u00e1bola que pode ser transposta a condi\u00e7\u00e3o humana. Fala sobre a influ\u00eancia do meio em que vivemos e da nossa necessidade em buscar for\u00e7as para dar a volta por cima e superar dificuldades em n\u00f3s mesmos. Leia (ou releia) a historinha abaixo e lembre-se que existe uma \u00e1guia dentro de n\u00f3s. Daquelas que n\u00e3o desistem facilmente das coisas por conta das agruras da vida. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/aguiagalinha2008.jpg\" align=\"right\"><i>Era uma vez um campon\u00eas que foi \u00e0 floresta vizinha apanhar um p\u00e1ssaro para mant\u00ea-lo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de \u00e1guia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ra\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para galinhas. Embora a \u00e1guia fosse o rei \/ rainha de todos os p\u00e1ssaros.<\/p>\n<p>Depois de cinco anos, este homem recebeu a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: <\/p>\n<p>&#8211; Este p\u00e1ssaro a\u00ed n\u00e3o \u00e9 uma galinha. \u00c9 uma \u00e1guia.<br \/>&#8211; De fato, &#8211; disse o campon\u00eas. \u00c9 \u00e1guia. Mas eu a criei como galinha. Ela n\u00e3o \u00e9 mais uma \u00e1guia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase tr\u00eas metros de extens\u00e3o.<br \/>&#8211; N\u00e3o &#8211; retrucou o naturalista. Ela \u00e9 e ser\u00e1 sempre uma \u00e1guia. Pois tem um cora\u00e7\u00e3o de \u00e1guia. Este cora\u00e7\u00e3o a far\u00e1 um dia voar \u00e0s alturas.<br \/>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o &#8211; insistiu o campon\u00eas. Ela virou galinha e jamais voar\u00e1 como \u00e1guia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a \u00e1guia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 que de fato voc\u00ea \u00e9 uma \u00e1guia, j\u00e1 que voc\u00ea pertence ao c\u00e9u e n\u00e3o \u00e0 terra, ent\u00e3o abra suas asas e voe!<\/p>\n<p>A \u00e1guia pousou sobre o bra\u00e7o estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas l\u00e1 embaixo, ciscando gr\u00e3os. E pulou para junto delas.<\/p>\n<p>O campon\u00eas comentou:<br \/>&#8211; Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!<br \/>&#8211; N\u00e3o &#8211; tornou a insistir o naturalista. Ela \u00e9 uma \u00e1guia. E uma \u00e1guia ser\u00e1 sempre uma \u00e1guia. Vamos experimentar novamente amanh\u00e3. <\/p>\n<p>No dia seguinte, o naturalista subiu com a \u00e1guia no teto da casa. Sussurou-lhe: <br \/>&#8211; \u00c1guia, j\u00e1 que voc\u00ea \u00e9 uma \u00e1guia, abra suas asas e voe!<\/p>\n<p>Mas quando a \u00e1guia viu l\u00e1 embaixo as galinhas, ciscando o ch\u00e3o, pulou e foi para junto delas. O campon\u00eas sorriu e voltou \u00e0 carga:<\/p>\n<p>&#8211; Eu lhe havia dito, ela virou galinha!<br \/>&#8211; N\u00e3o &#8211; respondeu firmemente o naturalista. Ela \u00e9 \u00e1guia, possuir\u00e1 sempre um cora\u00e7\u00e3o de \u00e1guia. Vamos experimentar ainda uma \u00faltima vez. Amanh\u00e3 a farei voar. <\/p>\n<p>No dia seguinte, o naturalista e o campon\u00eas levantaram bem cedo. Pegaram a \u00e1guia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.<\/p>\n<p>O naturalista ergueu a \u00e1guia para o alto e ordenou-lhe:<br \/>&#8211; \u00c1guia, j\u00e1 que voc\u00ea \u00e9 uma \u00e1guia, j\u00e1 que voc\u00ea pertence ao c\u00e9u e n\u00e3o \u00e0 terra, abra as suas asas e voe!<\/p>\n<p>A \u00e1guia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas n\u00e3o voou. Ent\u00e3o o naturalista segurou-a firmemente, bem na dire\u00e7\u00e3o do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastid\u00e3o do horizonte. <\/p>\n<p>Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o t\u00edpico kau-kau das \u00e1guias e ergueu-se soberana, sobre si mesma. E come\u00e7ou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou&#8230; Voou&#8230; At\u00e9 confundir-se com o azul do firmamento.<\/i> <\/p>\n<p>Aperte seus cintos e tenha um \u00f3timo fim de quarta-feira!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um post que denuncia a minha falta de tempo. Essa hist\u00f3ria eu recebi de uma amiga que est\u00e1 fascinada com a faculdade de enfermagem, que come\u00e7ou a cursar neste semestre. 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