{"id":907,"date":"2003-06-26T00:27:00","date_gmt":"2003-06-26T03:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/acabou-se-o-que-era-doce"},"modified":"2003-06-26T00:27:00","modified_gmt":"2003-06-26T03:27:00","slug":"acabou-se-o-que-era-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/acabou-se-o-que-era-doce\/","title":{"rendered":"Acabou-se o que era doce"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Muitos engra\u00e7adinhos atribuem aos cidad\u00e3os de Pelotas, Rio Grande do Sul, uma fama peculiar, similar a dos nativos de Campinas, aqui em S\u00e3o Paulo. Mas enfim. Al\u00e9m dessa fama infeliz, a cidade ga\u00facha tamb\u00e9m se esfor\u00e7a para propagar pelo pa\u00eds o r\u00f3tulo de &#8220;capital nacional do doce&#8221;. Seu principal cart\u00e3o de visitas \u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.fenadoce.com.br\" target=\"_blank\"><b>Fenadoce<\/b><\/a>, evento que terminou no \u00faltimo domingo.<\/p>\n<p>Digamos que as duas famas possuem origens parecidas. No S\u00e9culo XVIII, a cidade era uma das mais ricas da regi\u00e3o sul do pa\u00eds. Seu desenvolvimento permitiu \u00e0s fam\u00edlias mais ricas constrirem casar\u00f5es ao estilo europeu e financiar os estudos dos filhos no velho continente. Ao retornarem, os pelotenses traziam na bagagem novos h\u00e1bitos, mais requintados. Diferentes dos da indiada grossa uma barbaridade. Da\u00ed a suposta &#8220;viadagem&#8221; e a arte, esta aut\u00eantica, de fazer doces.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, a riqueza deu lugar a uma cidade provinciana e estagnada economicamente. Vive basicamente da agricultura &#8211; Pelotas \u00e9 a sede do arroz Tio Jo\u00e3o e das compotas Vega, que como qualquer ind\u00fastria do mundo, adaptou-se aos novos tempos. Ao inv\u00e9s de convocar centenas de pessoas para descascar p\u00eassegos, usam dois ou tr\u00eas para apertar bot\u00f5es. Os pequenos deixam a zona rural em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es. Acabam montando a\u00e7ougues (Pelotas tem um em cada esquina) ou outras lojinhas, formando um perigoso c\u00edrculo vicioso: pessoas sem emprego, que montam um com\u00e9rcio, que n\u00e3o tem fregueses, que n\u00e3o tem empregos.<\/p>\n<p>Os casar\u00f5es? Muitos n\u00e3o est\u00e3o conservados como deveriam. A antiga esta\u00e7\u00e3o de trem e seus trilhos, que um dia foram cantados por Kleiton e Kledir, representam o exemplo do abandono. Pra\u00e7as tradicionais como a Cel. Pedro Os\u00f3rio ou a Piratinino de Almeida, onde fica a velha caixa d&#8217;\u00e1gua, est\u00e3o longe de chamar a aten\u00e7\u00e3o. A Fenadoce \u00e9, ao menos, uma tentativa de convocar turistas para algumas horas agrad\u00e1veis no Centro de Eventos. Onde, ali\u00e1s, funcionava uma f\u00e1brica da Cica, que fechou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/fenadoce2406.jpg\" align=\"right\">Mas vamos \u00e0 feira. Muitas novidades marcaram a 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o, pelo que pude comprovar nos relatos de alguns conterr\u00e2neos. A <a href=\"http:\/\/www.justthink.blogger.com.br\" target=\"_blank\"><b>Maria Clara<\/b><\/a> gostou da organiza\u00e7\u00e3o, abrindo espa\u00e7o para os expositores locais. &#8220;O que \u00e9 o certo, pois a feira \u00e9 pra mostrar a produ\u00e7\u00e3o local e n\u00e3o para mostrar aquele bando de peruano ou ent\u00e3o aqueles chatos que vendem aqueles utens\u00edlios de cozinha e ficam com aquele monte de repolho, cenoura e at\u00e9 ovo frito exposto na bancada do stand&#8221;. Ali\u00e1s, essa turma aparece at\u00e9 em feira t\u00eaxtil no Anhembi. Ela tamb\u00e9m gostou do visual do Centro de Eventos. &#8220;O teto azul da pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o e o branco da parte dos expositores. Ficou bem melhor, pois n\u00e3o mostra aquele teto horr\u00edvel daqueles pavilh\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m esteve l\u00e1 foi a <a href=\"http:\/\/www.joanninha.blogger.com.br\" target=\"_blank\"><b>Joanninha<\/b><\/a>, que ficou impressionada logo na entrada, ao pagar seu ingresso. &#8220;Os pre\u00e7os populares instigaram curiosos e os &#8216;formigas&#8217; a participar, afinal a entrada custava tr\u00eas reais, com direito a um vale-doce. Os valores dos quindins, brigadeiros, e outros estavam em torno de um real: isso significa que com dez reais voc\u00ea poderia comer dez doces e ficar empanturrado de a\u00e7\u00facares&#8221;. Bom saber que ela n\u00e3o precisou apelar para a &#8220;ess\u00eancia de vida&#8221; Olina, tradicional (e muito bom) rem\u00e9dio daquelas bandas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o faltou divers\u00e3o faltou para quem compareceu \u00e0 Fenadoce. Como a pista de patina\u00e7\u00e3o de gelo, respons\u00e1vel por alguns hematomas na Joanna e seus amigos. &#8220;Ali\u00e1s, chegamos a conclus\u00e3o de que cair j\u00e1 nem era mais o problema, mas sim levantar porque a pista era muito lisa e os patins n\u00e3o firmavam&#8221;. Ali era poss\u00edvel se esborrachar durante uma hora. Com menos tempo (apenas 15 minutos), mas talvez mais entusiasmo, o <a href=\"http:\/\/www.teivan.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Ot\u00e1vio<\/b><\/a> experimentou outro brinquedo: o Laser Shots, vers\u00e3o sem sujeira do cl\u00e1ssico paintball. Nosso professor explica: &#8220;um labirinto, escuro, onde duas equipes devem marcar a maior pontua\u00e7\u00e3o, invadindo a base advers\u00e1ria ou simplesmente matando os inimigos, utilizando uma pistola laser&#8221;.<\/p>\n<p>A feira j\u00e1 acabou, mas a cidade, apesar das tentativas, ainda n\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel babar em uma lojinha convidativa de doces, montada estrategicamente no cal\u00e7ad\u00e3o da XV, bem no centro. Apare\u00e7a l\u00e1 se tiver tempo, antes que o \u00faltimo pelotense sobrevivente lhe diga, logo na entrada da cidade: &#8220;acabou-se o que era doce&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos engra\u00e7adinhos atribuem aos cidad\u00e3os de Pelotas, Rio Grande do Sul, uma fama peculiar, similar a dos nativos de Campinas, aqui em S\u00e3o Paulo. Mas enfim. Al\u00e9m dessa fama infeliz, a cidade ga\u00facha tamb\u00e9m se esfor\u00e7a para propagar pelo pa\u00eds o r\u00f3tulo de &#8220;capital nacional do doce&#8221;. 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