{"id":869,"date":"2006-02-16T23:55:10","date_gmt":"2006-02-17T02:55:10","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/aventuras-de-um-durango-na-daslu"},"modified":"2006-02-16T23:55:10","modified_gmt":"2006-02-17T02:55:10","slug":"aventuras-de-um-durango-na-daslu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/aventuras-de-um-durango-na-daslu\/","title":{"rendered":"Aventuras de um durango na Daslu"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/denovo.gif\" align=\"right\">Recebi essa p\u00e9rola por e-mail essa semana. O escritor Denis Cavalcante, que publica suas cr\u00f4nicas periodicamente no jornal <a href=\"http:\/\/www.oliberal.com.br\" target=\"_blank\"><b>O Liberal<\/b><\/a>, em Bel\u00e9m, veio para S\u00e3o Paulo e fez quest\u00e3o de conhecer aquela lojinha simp\u00e1tica, cheia de gente bacana e produtos imprescind\u00edveis, de pre\u00e7os m\u00f3dicos e <a href=\"http:\/\/www.gazetaesportiva.net\/ge_noticias\/bin\/noticia.php?chid=145&amp;nwid=4261\" target=\"_blank\"><b>proced\u00eancia garantida<\/b><\/a>. Bem divertido.<\/p>\n<p><i>Sempre tive vontade de conhecer essa tal de Daslu. J\u00e1 que estava em S\u00e3o Paulo, por que n\u00e3o ir? Ainda mais depois que me disseram que l\u00e1 n\u00e3o existe nenhuma pe\u00e7a que custe menos de tr\u00eas d\u00edgitos, resolvi dar uma de S\u00e3o Tom\u00e9 e ver para crer. A entrada j\u00e1 foi um problema. O seguran\u00e7a perguntou pelo meu carro &#8211; ou motorista. Quem j\u00e1 foi sabe muito bem: na Daslu &#8211; acreditem &#8211; n\u00e3o se entra a p\u00e9, somente motorizado. Fingi que n\u00e3o era comigo e entrei. Fui recepcionado por uma loira escultural com sorriso de an\u00fancio de dentifr\u00edcio, uma s\u00f3sia escrita e escarrada da Ana Hickman &#8211; com direito a 1m30 de pernas, chapinha no cabelo, olho azul e muito mais.<\/p>\n<p>&#8220;Where are you from?&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Bel\u00e9m do Par\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;I beg your pardon!&#8221;<\/p>\n<p>Tava na cara que eu n\u00e3o era paulistano. Mas da\u00ed a me confundir com gringo, j\u00e1 \u00e9 demais. Eu l\u00e1 tenho cara de estrangeiro! Como um c\u00e3o sabujo, onde eu ia, ela ia atr\u00e1s. Dos milhares de itens que admirei boquiaberto, um em particular me encantou. Uma bolsa tiracolo Prada pra l\u00e1 de maneira que imaginei que coubesse no meu or\u00e7amento. Ressabiado, indaguei o pre\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Nove, apenas nove. E o senhor pode dividir de tr\u00eas vezes no cart\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Nove o qu\u00ea?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Nove mil&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9gua!&#8221;<\/p>\n<p>A pequena ficou t\u00e3o assustada com minha rea\u00e7\u00e3o que cheguei a pensar que fosse chamar os seguran\u00e7as. Mas n\u00e3o. Acho que ela sacou que daquele mato n\u00e3o sairia cachorro, no m\u00e1ximo um carrapato. Fechou a cara, deu meia-volta e sumiu. J\u00e1 que estava na chuva, resolvi me molhar. Entrei num sal\u00e3o onde s\u00f3 tinha Armani. Como j\u00e1 estava enturmado, perguntei o pre\u00e7o de um &#8220;vestidinho&#8221; de festa. Adivinhem? 100.000 pilas. Tu \u00e9s doido! Uma estola de zibelina? 60.000. Fico imaginando quantos bichinhos foram sacrificados para esquentar o lombo de uma madame. Um blaser Ermenegildo Zegna (isso l\u00e1 \u00e9 nome de grife?), 13.000. Um \u00f3culos Gucci, 4.500. Uma cuequinha b\u00e1sica do Valentino, 260. Com direito a ouvir essa p\u00e9rola do vendedor:<\/p>\n<p>&#8220;Leve logo meia d\u00fazia, t\u00e1 na promo\u00e7\u00e3o!&#8221;. Imaginem quanto ela custava antes. Na adega climatizada n\u00e3o foi diferente. Um Romane\u00e9-Conti, safra 2000 &#8211; aquele do Lula &#8211; estava por m\u00f3dicos 8.000 reais. Uma garrafa de Johnnie Walker Blue, envelhecida 80 anos &#8211; uma das raras existentes no planeta, 55.000.<\/p>\n<p>Fiz as contas e verifiquei que no final sa\u00ed no lucro. &#8220;Charlei&#8221;, vi gente famosa, coisas bonitas, tomei mineral Badoit, capuccino, Prosecco, champanhe Taittinger, fartei-me de canap\u00e9s, fois gras, blinis com caviar (n\u00e3o era Beluga). Sou duro, mas sei o que \u00e9 bom. At\u00e9 confit de canard tracei. De quebra, profiteroles e apetitosos bombons trufados. As horas passaram voando. Minha acompanhante finalmente apareceu e perguntou:<\/p>\n<p>&#8220;Vamos almo\u00e7ar?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Almo\u00e7o? Estou almo\u00e7ado e jantado!&#8221;<\/p>\n<p>Depois de conhecer quase tudo descobri que a Daslu \u00e9 uma esp\u00e9cie de zool\u00f3gico sem grades. S\u00f3 que os bichos somos n\u00f3s. Eu e voc\u00ea. Acabado, me esparramei num confort\u00e1vel sof\u00e1. Enquanto esperava o resto da turma chegar, abri um livro e relaxei. Mal virei a segunda p\u00e1gina, dois novos ricos falando alto, com mais sacolas do que m\u00e3os, sentaram ao meu lado esnobando:<\/p>\n<p>&#8220;Amanh\u00e3 vamos para o nosso haras em Catanduva. O r\u00e9veillon ser\u00e1 no Guaruj\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Me deu uma raiva&#8230;<\/p>\n<p>Peguei meu celular e resolvi mentir um pouco:<\/p>\n<p>&#8220;Fulano, n\u00e3o encontrei nenhum &#8216;Summer&#8217; para o r\u00e9veillon. Abastece o jatinho. Partimos amanh\u00e3 cedo para Paris. Essa Daslu t\u00e1 um lixo!&#8221;<\/p>\n<p>A cara que os dois fizeram, n\u00e3o tem pre\u00e7o.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi essa p\u00e9rola por e-mail essa semana. O escritor Denis Cavalcante, que publica suas cr\u00f4nicas periodicamente no jornal O Liberal, em Bel\u00e9m, veio para S\u00e3o Paulo e fez quest\u00e3o de conhecer aquela lojinha simp\u00e1tica, cheia de gente bacana e produtos imprescind\u00edveis, de pre\u00e7os m\u00f3dicos e proced\u00eancia garantida. Bem divertido. 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