{"id":86,"date":"2010-07-12T21:03:53","date_gmt":"2010-07-12T21:03:53","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/o-que-a-copa-do-mundo-tem-a-ver-com-eleicoes"},"modified":"2010-07-12T21:03:53","modified_gmt":"2010-07-12T21:03:53","slug":"o-que-a-copa-do-mundo-tem-a-ver-com-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/o-que-a-copa-do-mundo-tem-a-ver-com-eleicoes\/","title":{"rendered":"O que a Copa do Mundo tem a ver com elei\u00e7\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>A Copa do Mundo, assunto que preencheu boa parte do tempo em nossas \u00faltimas semanas, recebeu aten\u00e7\u00e3o de torcedores e interessados de, pelo menos, duas formas distintas: dentro ou fora do Twitter. Quem optou por ligar computadores, celulares e afins para entrar na conversa atrav\u00e9s da ferramenta, certamente teve percep\u00e7\u00f5es diferentes daqueles que se relacionaram com o Mundial apenas pela TV. Provavelmente voc\u00ea tamb\u00e9m ouviu, mais de uma vez, algum colega lhe dizer algo como &#8220;preferi acompanhar o jogo no Twitter&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo com o volume de mensagens capaz de &#8220;derrubar&#8221; o sistema, a sensa\u00e7\u00e3o de que estavam todos em um imenso boteco n\u00e3o se perdeu &#8211; e n\u00e3o me refiro apenas aos palpites, vibra\u00e7\u00f5es e decep\u00e7\u00f5es durante os jogos. Embalada pelo clima da festa, a ferramenta foi tomada por uma por\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias em forma de hashtag. Come\u00e7aram quando o zagueiro nipo-brasileiro T\u00falio Tanaka &#8220;quebrou&#8221; Drogba e n\u00e3o pararam mais: entre os jogadores brasileiros, Felipe Melo (&#8220;vil\u00e3o&#8221; da elimina\u00e7\u00e3o brasileira) e o &#8220;bad boy&#8221; Kak\u00e1 (expulso contra Costa do Marfim) protagonizaram ondas de mensagens. Personagens como Maradona, o polvo profeta Paul, o &#8220;p\u00e9-frio&#8221; Mick Jagger e a modelo paraguaia Larissa Riquelme, populares no &#8220;mainstream&#8221;, circulavam o tempo todo. <\/p>\n<p>Agora, gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o para outros dois movimentos, ambos diretamente relacionados \u00e0 TV Globo. O primeiro, popularizado pela palavra-chave #diasemglobo, prop\u00f4s um boicote \u00e0 emissora no dia 25 de junho, durante o jogo Brasil x Portugal, por conta da rea\u00e7\u00e3o da emissora ap\u00f3s a discuss\u00e3o entre o t\u00e9cnico Dunga e o jornalista Alex Escobar. Apesar do &#8220;buzz&#8221; gerado pela ferramenta, a audi\u00eancia da emissora n\u00e3o sofreu impacto &#8211; a TV Bandeirantes, que tamb\u00e9m transmitiu a competi\u00e7\u00e3o, somou tr\u00eas pontos a mais em rela\u00e7\u00e3o ao jogo anterior.<\/p>\n<p>Enfim, o segundo movimento fez bem mais barulho: o #calabocagalvao surgiu espontaneamente durante a abertura do Mundial, em 11 de junho, e n\u00e3o saiu dos t\u00f3picos mais citados do Twitter durante dias. O barulho aumentou gra\u00e7as a brincadeiras alusivas a uma tradu\u00e7\u00e3o fora de contexto: muitos estrangeiros acreditaram que &#8220;cala boca&#8221; seria &#8220;salve&#8221;, e galv\u00e3o seria um p\u00e1ssaro amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o. A repercuss\u00e3o na m\u00eddia &#8211; incluindo The New York Times e El Pa\u00eds, al\u00e9m da capa da revista Veja &#8211; fez com que o pr\u00f3prio narrador se apresentasse ao telespectador &#8220;entrando na brincadeira&#8221;. Ainda que n\u00e3o precisasse, j\u00e1 que seu p\u00fablico tradicional n\u00e3o est\u00e1, ainda, totalmente conectado \u00e0 rede.<\/p>\n<p><b>A diferen\u00e7a? Entretenimento.<\/b> &#8211; Parece \u00f3bvio o que vou dizer aqui, mas nem todo mundo percebe um detalhe sutil entre as duas manifesta\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio do &#8220;#diasemglobo&#8221;, o &#8220;#calabocagalvao&#8221; tem em sua g\u00eanese e desenvolvimento um car\u00e1ter de divers\u00e3o, como se fosse uma mera pe\u00e7a de humor. Os colegas que buscam a &#8220;f\u00f3rmula do marketing viral&#8221; j\u00e1 perceberam isso h\u00e1 tempos. Mesmo se n\u00e3o soubessem, teriam acesso a levantamentos como o da comScore, que estimou 25% do tempo gasto online pelo p\u00fablico jovem em sites de entretenimento, seguidos por comunicadores instant\u00e2neos (22%) e sites de relacionamento (15%).<\/p>\n<p>Parece simples, n\u00e3o fosse por um detalhe filos\u00f3fico: \u00e9 poss\u00edvel mensurar o n\u00edvel de &#8220;entretenimento&#8221;, quer dizer, qual a quantidade de &#8220;carga emocional&#8221; que vou usar para &#8220;temperar&#8221; a mensagem e passar adiante? Certamente \u00e9 este o maior quebra-cabe\u00e7as de quem decide planejar seriamente algum burburinho online. Ao mesmo tempo, para um usu\u00e1rio comum, n\u00e3o h\u00e1 muito a perder diante da elabora\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo bem editado, que leve a algu\u00e9m pensar que, de fato, exista um &#8220;Galvao Institute&#8221; arrecadando fundos para salvar um p\u00e1ssaro.<\/p>\n<p>Partindo dessa premissa, \u00e9 bom que ningu\u00e9m se surpreenda quando algum candidato a qualquer cargo nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es esteja como piv\u00f4 de alguma mensagem &#8211; positiva ou negativa &#8211; &#8220;envelopada&#8221; em um formato de entretenimento. Como h\u00e1 uma compara\u00e7\u00e3o constante com a campanha de Barack Obama, basta citarmos o exemplo do v\u00eddeo &#8220;I Got a Crush on Obama&#8221;, elaborado por entusiastas democratas. Agora que o Mundial de futebol acabou, \u00e9 hora de darmos aten\u00e7\u00e3o \u00e0s &#8220;vuvuzeladas&#8221; que os eleitores, outrora torcedores, dar\u00e3o nesse campo.<\/p>\n<p><b>Cururu 2006<\/b> &#8211; N\u00e3o \u00e9 novidade alguma associar uma candidatura a humor no Brasil. Um dos primeiros candidatos que me recordo a usar o mote &#8220;lazer e divers\u00e3o&#8221; para tansmitir sua mensagem eleitoral intencionalmente foi o ex-vereador de Pelotas (RS) Cl\u00e1udio Roberto dos Santos Insaurriaga, conhecido por Cururu. Com a ajuda do assessor Leonardo de Leon, produziu dois v\u00eddeos para a campanha ao Congresso Nacional em 2006 e os disponibilizou no YouTube. Cururu n\u00e3o foi eleito, mas vez ou outra os links de sua propaganda eleitoral diferenciada reaparecem. Como no jantar ex\u00f3tico preparado por sua esposa: &#8220;mas bah, gato com batata?&#8221;. &#8220;Isso \u00e9 que d\u00e1 tu n\u00e3o querer ser ladr\u00e3o nem mentiroso&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p><b>Mais Twitter na Copa<\/b> &#8211; Para encerrar do ponto onde come\u00e7anos, foi uma bola dentro da ferramenta ter se preparado para o Mundial, associando as hashtags dos pa\u00edses com suas bandeiras. Entre as possibilidades criadas diante disso, destaque para duas propostas de visualiza\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica de mensagens durante as partidas: <a href=\"http:\/\/edition.cnn.com\/SPECIALS\/2010\/worldcup\/twitter.buzz\/\" target=\"_blank\"><b>Twitter Buzz<\/b><\/a>, da CNN, e o <a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/football\/world-cup-match-replay\" target=\"_blank\"><b>Match Replay<\/b><\/a>, do The Guardian. E que venham as ferramentas de observa\u00e7\u00e3o do buzz eleitoral.<\/p>\n<p><i>(Publicado originalmente no IDGNow)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Copa do Mundo, assunto que preencheu boa parte do tempo em nossas \u00faltimas semanas, recebeu aten\u00e7\u00e3o de torcedores e interessados de, pelo menos, duas formas distintas: dentro ou fora do Twitter. 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