{"id":859,"date":"2006-02-01T20:16:19","date_gmt":"2006-02-01T23:16:19","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/a-marmota-da-marmota-marmota-marmota-com-o-marmota"},"modified":"2006-02-01T20:16:19","modified_gmt":"2006-02-01T23:16:19","slug":"a-marmota-da-marmota-marmota-marmota-com-o-marmota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/a-marmota-da-marmota-marmota-marmota-com-o-marmota\/","title":{"rendered":"A Marmota da Marmota marmota marmota com o Marmota"},"content":{"rendered":"<p><font color=\"#CC0000\" size=\"7\"><b>E<\/b><\/font>ra uma vez&#8230; <\/p>\n<blockquote>\n<p><tt>- Oras, por que toda est&oacute;ria precisa come&ccedil;ar com essas tr&ecirc;s palavras enjoativas? O Marmota n&atilde;o &eacute; mais crian&ccedil;a, n&atilde;o precisa dessa estratagema boba.<br \/> - Mas&#8230; voc&ecirc; n&atilde;o estava escrevendo uma f&aacute;bula sobre o Marmota?<br \/> - Sim, uma f&aacute;bula, mas nem por isso preciso trat&aacute;-lo como um torcedor do Internacional&#8230;<br \/> - Mas ele &Eacute; torcedor do Inter&#8230;<br \/> - Ah, &eacute; mesmo? N&atilde;o sabia. Ent&atilde;o, como ia dizendo, n&atilde;o preciso trat&aacute;-lo como algu&eacute;m que ganhou Lango Lango no programa do Bozo&#8230;<br \/> - Ixe, agora te peguei, porque ele ganhou sim um lango lango&#8230;<br \/> - Mas que droga! Esse Marmota &eacute; uma crian&ccedil;ona ent&atilde;o? Retiro tudo que disse, e vamos continuar a f&aacute;bula com o &quot;era uma vez&quot; mesmo, porque crian&ccedil;a gosta &eacute; disso!<br \/> - N&atilde;o as crian&ccedil;as de hoje em dia&#8230; Mas enfim, melhor continuar mesmo. Vamos parar de confus&atilde;o. <\/tt><\/p><\/blockquote>\n<p><font color=\"#CC0000\" size=\"7\"><b>E<\/b><\/font>ra uma vez&#8230;<\/p>\n<p>Uma marmota &#8211; aquele bichinho estranho que parece um esquilo irritado. Vivia nos Alpes su&iacute;&ccedil;os no inverno, com sua fam&iacute;lia. Era o terceiro filho de uma marmota pra l&aacute; de super-protetora. Nosso amigo marmota filho da m&atilde;e-marmota, chamava-se Marmota marmota marmota &#8211; &quot;que nome mais repetitivo&quot;, reclamava, sempre acrescentando &quot;cientistas sem criatividade&#8230;&quot; O apelido de MMM &#8211; dado por um grupo de lobos que um dia tentavam faz&ecirc;-lo de jantar &#8211; lhe era mais agrad&aacute;vel. Enfim, MMM no ver&atilde;o sempre dava um jeito de escapar para a Alemanha, pois adorava o clima alegre das Hofbrauhaus e dos punks nas ruas de Berlim. Como MMM escapava? N&atilde;o sei, mas fato &eacute; que ele dava sempre um jeito de chegar at&eacute; a grande capital, s&atilde;o e salvo.<\/p>\n<p>N&atilde;o foi diferente em 2005. Pleno ver&atilde;oz&atilde;o, e MMM estava l&aacute;, curtindo as maluquices da Love Parade, dan&ccedil;ando techno atr&aacute;s do DJ el&eacute;trico do Tiergarten e se enchendo de Berliner Weisse, a deliciosa cerveja de cereja. Era o que mais gostava de fazer: estar no meio daquela multid&atilde;o humana, cheia de energia com seu copo cheio.<\/p>\n<p>Eis que o ver&atilde;o acabou, e MMM durante uma passeada perto da esta&ccedil;&atilde;o do Banhof Zoo, teve uma id&eacute;ia &quot;brilhante&quot;: ficaria em Berlim at&eacute; o inverno. S&oacute; voltaria para os Alpes para sua hiberna&ccedil;&atilde;o anual. E assim foi. <\/p>\n<p>Era setembro. O outono chegou, as folhas amarelas caindo das &aacute;rvores, Potsdamer Platz ficando cada vez mais vazia, as pessoas se escondendo em seus casacos, e MMM l&aacute;, firme (mas n&atilde;o t&atilde;o forte) nas ruas de Berlim. Os primeiros calafrios da hiberna&ccedil;&atilde;o j&aacute; eram sentidos no corpo de MMM.Foi quando ele tomou um grande susto ao virar a esquina da esta&ccedil;&atilde;o Gesundbrunnen.<\/p>\n<p>Outro indiv&iacute;duo de sua esp&eacute;cie, andando pelas ruas de Berlim, com uma jovialidade nada hibernante. Uma miragem? N&atilde;o, era um Marmota. Ali&aacute;s, um n&atilde;o, era O Marmota. O Marmota-mor, com sua indefect&iacute;vel camisa do Internacional. E MMM assustou-se, porque sempre acreditara que marmotas eram animais afutebol&iacute;sticos por natureza. Pois eis que aquele n&atilde;o era.<\/p>\n<p>MMM aproximou-se do Marmota. Ainda n&atilde;o acreditava naquela vis&atilde;o: a humaniza&ccedil;&atilde;o de si mesmo. Como era poss&iacute;vel? Puxou conversa imediatamente:<\/p>\n<p>&#8211; E a&iacute; camarada, voc&ecirc; tamb&eacute;m mora nos Alpes?<br \/> &#8211; Est&aacute; falando comigo?<br \/> &#8211; Sim, voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; Marmota?<br \/> &#8211; Sou. <br \/> &#8211; Ent&atilde;o, voc&ecirc; &eacute; dos Alpes?<br \/> &#8211; T&aacute; louco, rap&aacute;! Sou brasileiro, vivo no calor tropical. Nada de neve pra cima de mu&aacute;.<br \/> &#8211; Ah, voc&ecirc; tamb&eacute;m gosta do calor do ver&atilde;o. Quer dizer que vem para Berlim se aquecer todos os anos?<br \/> (MMM estava encanado por encontrar uma marmota com os mesmos h&aacute;bitos que ele. Sempre se achara t&atilde;o diferente&#8230;)<br \/> &#8211; Quem me dera&#8230; estou aqui a trabalho, apenas por um m&ecirc;s. Berlim &eacute; muito interessante, mas n&atilde;o sobreviveria ao inverno.<br \/> &#8211; Mas como, voc&ecirc; n&atilde;o hiberna?<br \/> &#8211; N&atilde;o, u&eacute;. Por que teria?<br \/> &#8211; Nossa, voc&ecirc; &eacute; um marmota muito diferente&#8230;<br \/> &#8211; Olha, que tal se a gente entrasse nesse abrigo antia&eacute;reo aqui. Eu quero aprender um pouco da hist&oacute;ria da cidade&#8230;<\/p>\n<p>E entraram no abrigo, aquele emaranhado de t&uacute;neis claustrof&oacute;bicos. Depois de 20 minutos ali, MMM come&ccedil;ou a passar mal, n&atilde;o gostava de lugares que lembrassem sua toca nos Alpes. Marmota correu para ajud&aacute;-lo. Sa&iacute;ram do abrigo. E MMM pediu o &oacute;bvio: uma cerveja.<\/p>\n<p>Marmota come&ccedil;ou a desconfiar. Aquela marmota dos Alpes estava de ca&ocirc; pra cima dele. Mas preferiu acreditar em seus instintos: imposs&iacute;vel que MMM quisesse se aproveitar de um &quot;irm&atilde;o da esp&eacute;cie&quot;. E Marmota entrou na primeira cervejaria que viu, em plena Hochstrasse. Pediu uma Berliner Weisse Bier para o novo amigo, e uma coca.<\/p>\n<p>MMM tomou tudo numa golada s&oacute;, sob o olhar at&ocirc;nito de Marmota. E logo pediu outra. E mais outra. E outra. E mais uma. A saideira. Duas saideiras. Ah, vamos pra cervejaria da Alexanderplatz a p&eacute;, para fazer uma boa caminhada e digerir as que j&aacute; tomamos. E foram.<\/p>\n<p>Mais cerveja. J&aacute; n&atilde;o cabia mais refrigerante no Marmota, que at&eacute; ent&atilde;o pagara todas as contas &#8211; sim, porque MMM, como todo animal que se preza, n&atilde;o tinha um trocado sequer no bolso. Mas j&aacute; havia um sentimento de irmandade no ar, e Marmota come&ccedil;ou a se sentir envergonhado de pedir que MMM contribu&iacute;sse. E foi pagando.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/mmmmarmota0102.jpg\" align=\"right\">A noite caiu, e Marmota, com seu cora&ccedil;&atilde;o de ouro, decidiu levar MMM para o seu quarto de hotel. No dia seguinte, estavam de novo juntos, rodando por Berlim. Marmota levou MMM para Potsdam, quando foi visitar seus amigos Nat&aacute;lia e Danilo. Para n&atilde;o assustar os demais companheiros de viagem, escondia MMM dentro do bolso interno do casac&atilde;o. MMM passou a fazer parte de Marmota. Foram para Amsterdam, voltaram para a Alemanha, passearem por Portugal. <\/p>\n<p>At&eacute; que chegou a hora de voltar pro Brasil. Marmota docemente j&aacute; se acostumara com aquele irm&atilde;o de esp&eacute;cie ao redor. Decidiu por uma proposta indecente: levaria MMM pro Brasil.<\/p>\n<p>&#8211; Mas&#8230; mas&#8230; a pol&iacute;cia federal vai me pegar. Voc&ecirc; n&atilde;o pode entrar com animais europeus no Brasil. &Eacute; crime. <\/p>\n<p>MMM estava certo. E Marmota entristeceu de repente. J&aacute; considerava MMM parte de sua fam&iacute;lia. Fam&iacute;lia n&atilde;o se deixa pra tr&aacute;s.<\/p>\n<p>Entrou no v&ocirc;o de volta pro Brasil desolado. Boas lembran&ccedil;as, mas tamb&eacute;m a tristeza de ter deixado MMM naquele inverno detest&aacute;vel. Pior que n&atilde;o podia contar toda a hist&oacute;ria para nenhum de seus amigos, que n&atilde;o acreditariam em tal marmota. N&atilde;o tinha como pedir ajuda.<\/p>\n<p>Ao desembarcar em Guarulhos, a rotina: imigra&ccedil;&atilde;o, alf&acirc;ndega, bagagens. Come&ccedil;am a vir as malas na esteira. Quando Marmota pega a sua, abre um sorriso ir&ocirc;nico, ao perceber que &quot;algo se mexia&quot; na parte externa do bolso. Esperou sair do aeroporto para abrir o bolso.<\/p>\n<p>&#8211; Ufa! Ainda bem que chegamos! N&atilde;o aguentava mais de calor enrolado nesse cachecol brega do Internacional!<br \/> &#8211; Eu n&atilde;o acredito que voc&ecirc; se enfiou dentro da minha mala! Que marmota voc&ecirc; me fez!! &#8211; dizia Marmota, irritado com MMM pelo furo da lei, mas no fundo, no fundo, feliz de rever o amigo.<br \/> &#8211; Pois vim. O que eu ia fazer na Europa agora? Estou cansado dessa vida de hibernar e fugir no ver&atilde;o. Agora chegou a minha vez de conquistar o Brasil! Iupiii! Mulatas da Sapuca&iacute;, a&iacute; vou eu!!<br \/> &#8211; Mas eu n&atilde;o moro no Rio de Janeiro! Voc&ecirc; vai ter que se contentar com o carnaval de S&atilde;o Paulo, e olhe l&aacute;&#8230;<br \/> &#8211; Tudo bem, no problem. Mas puxa, que calor est&aacute; aqui, n&atilde;o? Maravilha!<br \/> &#8211; MMM, amanh&atilde; eu preciso ir trabalhar. Aqui no Brasil, eu n&atilde;o fico s&oacute; passeando pelas ruas, como fazia em Berlim. Aqui eu fico em frente a um computador o tempo todo, mexendo na internet, lendo blogs&#8230; trabalhando! N&atilde;o fico marmoteando, n&atilde;o. <br \/> &#8211; Ah, ent&atilde;o eu fa&ccedil;o companhia para voc&ecirc;, pode deixar!<\/p>\n<p>MMM era mesmo uma companhia agrad&aacute;vel. Aos poucos, Marmota foi acoplando MMM a sua rotina di&aacute;ria. Hoje, MMM n&atilde;o precisa mais ser carregado para cima e para baixo dentro de um casaco pesado. Marmota foi mais esperto: usou a tecnologia que aquele seu vizinho nerd tinha desenvolvido para a feira de Ci&ecirc;ncias do col&eacute;gio, e virtualizou MMM.<\/p>\n<p>MMM fica agora o dia inteiro ali, sentado no canto do banner vermelho do blog do Marmota, a apenas um clique de dist&acirc;ncia, sempre sorrindo ironicamente: lembran&ccedil;a de bons tempos na Alemanha, lembran&ccedil;a que nunca mais se perder&aacute;.<\/p>\n<p>E viveram felizes para sempre.<\/p>\n<blockquote>\n<p><tt>- Ah, mas a est&oacute;ria tem que acabar com essa frase chav&atilde;o? Esse final meloso? N&atilde;o gostei. <br \/>- Mas voc&ecirc; como alter-ego &eacute; um chato, hem? Pare de reclamar&#8230; Vou mudar para n&atilde;o ter que aturar mais irrita&ccedil;&atilde;o sua!<\/tt><\/p><\/blockquote>\n<p><s>E viveram felizes para sempre.<\/s><\/p>\n<p>E MMM, direto do banner, perguntou ent&atilde;o aos leitores do blog:<\/p>\n<p>&#8211; Vai uma cerveja a&iacute;?<\/p>\n<p><i>Pois \u00e9, meus amigos: quem diria que a brincadeira do &#8220;brinque aqui e ganhe um post&#8221; ainda traria surpresas! A <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/umamallapelomundo.blogspot.com\"><b>L\u00facia Malla<\/b><\/a> acertou a maioria dos <a href=\"\/blog\/2005\/06\/20\/1304\" target=\"_blank\"><b>blogueiros da Vila Madalena<\/b><\/a>, conquistou o direito de postar aqui e o fez de maneira muito especial!<\/p>\n<p>&#8220;Obrigada pela oportunidade de ouro de publicar no seu blog, um dos meus prediletos. Um beij\u00e3o e espero que goste da brincadeira!&#8221; L\u00facia, quem agradece sou eu, e espero que n\u00e3o se importe com alguns ajustes sutis &#8211; mas que n\u00e3o descaracterizam em nada a ess\u00eancia da historinha!<\/p>\n<p>Enfim, essa id\u00e9ia ficou t\u00e3o bacana que, de repente, podemos retomar nossas promo\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas em busca de novas participa\u00e7\u00f5es especiais, o que acham?<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez&#8230; &#8211; Oras, por que toda est&oacute;ria precisa come&ccedil;ar com essas tr&ecirc;s palavras enjoativas? 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