{"id":83,"date":"2010-08-02T20:58:51","date_gmt":"2010-08-02T20:58:51","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/consideracoes-sobre-o-evangelista-de-midias-sociais"},"modified":"2010-08-02T20:58:51","modified_gmt":"2010-08-02T20:58:51","slug":"consideracoes-sobre-o-evangelista-de-midias-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/consideracoes-sobre-o-evangelista-de-midias-sociais\/","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es sobre o &#8220;evangelista&#8221; de m\u00eddias sociais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>A primeira parte do livro Linked, do Albert-L\u00e1szl\u00f3 Barab\u00e1si, lembra a hist\u00f3ria de Paulo de Tarso, visto entre os crist\u00e3os como a figura mais importante para o desenvolvimento do cristianismo. Antes de ser convertido, Paulo era judeu ortodoxo, defendendo as tradi\u00e7\u00f5es de sua cren\u00e7a ao perseguir os adeptos ao &#8220;blasf\u00eamio&#8221; Jesus de Nazar\u00e9. Ao tomar partido, percebeu que, para facilitar a convers\u00e3o dos gentios, era necess\u00e1rio &#8220;afrouxar as regras&#8221;. Somado a isso, percorreu mais de 16 mil quil\u00f4metros durante 12 anos, utilizando os conhecimentos que dispunha em redes sociais em pleno S\u00e9culo I. Suas viagens contribu\u00edram para que a religi\u00e3o cat\u00f3lica dominasse o hemisf\u00e9rio ocidental nos \u00faltimos dois mil anos.<\/p>\n<p>Talvez essa hist\u00f3ria ajude a explicar um termo que faz parte do vocabul\u00e1rio corrente nas algumas corpora\u00e7\u00f5es do mundo digital, cuja primeira refer\u00eancia s\u00e3o os livros que sustentam a doutrina crist\u00e3 a partir da vida e hist\u00f3ria de Jesus: o evangelho. Assim como os disc\u00edpulos de Paulo de Tarso, empresas de m\u00eddia em ambientes de rede, interessadas no conte\u00fado produzido pela colabora\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios, tamb\u00e9m contam com &#8220;evangelistas&#8221;.<\/p>\n<p>Essa palavra faz parte da cartilha onde reinam outras &#8220;buzzwords&#8221;, express\u00f5es de efeito cujo significado \u00e9 poucoo questionado se comparado ao seu poder mercadol\u00f3gico (algu\u00e9m lembrou de &#8220;web 2.0&#8221;?). Tomo emprestadas as palavras de um artigo publicado por Juliano Spyer, que refor\u00e7a a estranheza do termo: &#8220;evangelista de m\u00eddia social \u00e9 uma designa\u00e7\u00e3o rid\u00edcula, estranha, desengon\u00e7ada, mal-traduzida do ingl\u00eas, mas por enquanto \u00e9 a \u00fanica que chega perto de nomear uma das atividades desse profissional&#8221;.<\/p>\n<p><b>Evangelizar \u00e9 fazer crer?<\/b><\/p>\n<p>Spyer faz refer\u00eancia ao ex-CEO da Microsoft, Robert Scoble, o t\u00edtulo de &#8220;primeiro evangelista&#8221; do mercado, em 2003. Scoble conversava com clientes e aficcionados da marca em seu blog, em comunidades, f\u00f3runs e outras plataformas de publica\u00e7\u00e3o pessoal, contribuindo para diminui\u00e7\u00e3o da imagem negativa da empresa. O mesmo comportamento \u00e9 denominado por Augusto de Franco, refer\u00eancia quando o assunto \u00e9 redes sociais, de &#8220;netweaving&#8221;, que pode ser resumido rapidamente como o est\u00edmulo e articula\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de direcionamentos, sempre com finalidades espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Mas como fazer isso? Esse certamente \u00e9 o grande dilema de quem lida com m\u00eddias sociais, e uma das perguntas que costumo repetir com frequ\u00eancia aos meus colegas da \u00e1rea. Como conceituar e sistematizar tais a\u00e7\u00f5es de movimenta\u00e7\u00e3o? Quais caracter\u00edsticas definem o perfil de quem deseja desenvolveer trabalhos nesta \u00e1rea? A resposta, na maioria das vezes, recai para o emiprismo &#8211; tentativa e erro.<\/p>\n<p>A coisa fica ainda mais complexa se lembrarmos que, al\u00e9m da relev\u00e2ncia das informa\u00e7\u00f5es dentro de uma rede, o car\u00e1ter emocional, a &#8220;intensidade da mensagem&#8221;, prevalece na constru\u00e7\u00e3o e fortalecimento desses la\u00e7os. E aqui retomamos a utiliza\u00e7\u00e3o do termo &#8220;evangelista&#8221; em m\u00eddias sociais, apontando o car\u00e1ter emocional para um vi\u00e9s, por que n\u00e3o, doutrin\u00e1rio. Podemos pressupor que o evangelista limita-se a fazer com que seus pares acreditarem no que diz, prometendo &#8220;o c\u00e9u para quem o segue e o inferno para quem o condena&#8221;.<\/p>\n<p><b>Nem tanto ao c\u00e9u, nem tanto \u00e0 terra<\/b><\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio deixa claro a exist\u00eancia de dois caminhos. Um, mais \u00e1rduo, \u00e9 o de encarar a demanda como uma oportunidade de estruturar id\u00e9ias. O outro \u00e9 insistir no discurso question\u00e1vel de que &#8220;o caminho \u00e9 a luz&#8221;, que podem deixar tanto desenvolvedores quanto os participantes destes ambientes longe de uma an\u00e1lise cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Como crist\u00e3o e entusiasta de novas tecnologias, acabo adotando uma postura equilibrada: construir alicerces para o uso de redes sociais embalado pelo entusiasmo dos evangelistas, tendo cuidado para n\u00e3o dar aten\u00e7\u00e3o a qualquer novo profeta ou tribunal de inquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><i>(Publicado originalmente no IDGNow)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira parte do livro Linked, do Albert-L\u00e1szl\u00f3 Barab\u00e1si, lembra a hist\u00f3ria de Paulo de Tarso, visto entre os crist\u00e3os como a figura mais importante para o desenvolvimento do cristianismo. 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