{"id":825,"date":"2005-08-15T15:36:22","date_gmt":"2005-08-15T18:36:22","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/relacionamentos-e-suas-teorias-de-consumo-rapido"},"modified":"2005-08-15T15:36:22","modified_gmt":"2005-08-15T18:36:22","slug":"relacionamentos-e-suas-teorias-de-consumo-rapido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/relacionamentos-e-suas-teorias-de-consumo-rapido\/","title":{"rendered":"Relacionamentos e suas teorias de consumo r\u00e1pido"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Esta segunda-feira, de acordo com a minha agenda, marca a comemora\u00e7\u00e3o do Dia do Solteiro, esp\u00e9cie de celebra\u00e7\u00e3o internacional do &#8220;e eu uma pedra&#8221;. Engra\u00e7ado que, ao contr\u00e1rio da data ant\u00edtese, ningu\u00e9m ganha presente. Mas enfim.<\/p>\n<p>Percebo que a cada dia eu me especializo em garantir essa comemora\u00e7\u00e3o, ano ap\u00f3s ano.  Tudo por conta de um dos in\u00edcios de par\u00e1grafo que mais aprecio: &#8220;eu tenho uma teoria&#8230;&#8221;. E teorias sobre as raz\u00f5es (ou a falta delas) dos relacionamentos de sucesso s\u00e3o muitas &#8211; experi\u00eancia de quem acumula portas fechadas ou, pior, costuma fechar portas inconscientemente. Ali\u00e1s, devo dizer que pensei muito antes de prosseguir com estas linhas, justamente para n\u00e3o desapontar quem ainda v\u00ea salva\u00e7\u00e3o em mim. Tudo bem. Se ela existir, vir\u00e1 com ou sem teorias.<\/p>\n<p>Todas elas, coincidentemente, podem ser sintetizadas em elementos materiais comest\u00edveis. Como j\u00e1 aconteceu em uma das minhas preferidas: a <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/a-teoria-do-suco-de-repolho\/\" target=\"_blank\"><b>teoria do suco de repolho<\/b><\/a>. Segundo ela, todas as pessoas abertas a novas possibilidades, e que est\u00e3o sempre de bem com a vida e acompanhadas, s\u00e3o como suco de laranja: se adaptam facilmente ao gosto da sociedade. Eu e muitos outros somos suco de repolho.<\/p>\n<p>Mas tem mais, o suficiente para encher a mesa do almo\u00e7o. Vamos a elas.<\/p>\n<p><u>Teoria do Copo de Refrigerante<\/u> &#8211; Popularmente divulgada num velho ditado popular: &#8220;nunca julgue um livro pela capa&#8221;. Funciona tamb\u00e9m com aquele copo de papel da lanchonete fast-food, servido em sua bandeja ap\u00f3s seu pedido: guaran\u00e1 light. Voc\u00ea observa aquela apar\u00eancia turva e pensa: &#8220;j\u00e1 vi guaran\u00e1 light antes, tem exatamente esse aspecto. Deve estar certo&#8221;. No primeiro gole, a surpresa: era Fanta Uva normal.<\/p>\n<p>Mesmo se voc\u00ea n\u00e3o tivesse pedido nada, certamente acionaria seu c\u00e9rebro para dar um valor imediato aquele conte\u00fado. Por uma raz\u00e3o bem simples: temos medo de tudo que n\u00e3o conhecemos bem. Fatalmente usamos nossas refer\u00eancias para designar o que \u00e9, e como determinada coisa pode afetar em nossa vida. T\u00e3o natural que s\u00e3o comuns as surpresas ap\u00f3s o primeiro gole: puxa, n\u00e3o era nada daquilo que eu imaginava.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos maiores desafios da nossa exist\u00eancia: n\u00e3o usar as nossas refer\u00eancias e experi\u00eancias pessoais para adivinhar o conte\u00fado de outra pessoa &#8211; pr\u00e1tica inconsciente, gra\u00e7as ao nosso temor pelo desconhecido. S\u00f3 podemos mesmo emitir uma opini\u00e3o mais pr\u00f3xima da realidade quando percebemos o \u00f3bvio: olhar por cima do copo, examinar seu conte\u00fado de verdade. Dar o primeiro gole antes de ter a primeira impress\u00e3o.<\/p>\n<p><u>Teoria da Picanha na Chapa<\/u> &#8211; Essa \u00e9 baseada em fatos reais. N\u00e3o sab\u00edamos o que pedir, por isso sugeri: j\u00e1 que estamos sem fome, vamos dividir um prato de picanha na chapa. Proposta recusada, pela falta de vontade da minha companhia em comer carne. &#8220;Tudo bem, vamos escolher outra coisa&#8221;, disse, naturalmente.<\/p>\n<p>Seguiu-se um serm\u00e3o da montanha por parte da pessoa convidada: ora, pra qu\u00ea deixar de pedir o que gostaria s\u00f3 porque n\u00e3o vamos dividir? Pe\u00e7a aquilo que quer, satisfa\u00e7a os seus desejos, n\u00e3o v\u00e1 se sacrificar por minha causa. E mais: se voc\u00ea n\u00e3o pedir, vai passar vontade, e vai ser por minha culpa, j\u00e1 que eu n\u00e3o quis dividir o prato com voc\u00ea.<\/p>\n<p>&#8211; Mas \u00e9 grande, e eu s\u00f3 pediria se voc\u00ea quisesse dividir comigo&#8230;<\/p>\n<p>Mas como voc\u00ea \u00e9 teimoso! J\u00e1 te falei que isso pode te fazer mal. Ent\u00e3o voc\u00ea vem at\u00e9 aqui, e sem olhar o card\u00e1pio, fala na picanha na chapa. E eu n\u00e3o estou afim! E pronto! Mas voc\u00ea quer, n\u00e3o quer? Ent\u00e3o pede, pelo amor de Deus.<\/p>\n<p>E eu pedi a picanha. Muito boa, por sinal. Veio com arroz, salada, batata frita&#8230; Sobrou a metade.<\/p>\n<p>&#8211; Puxa, se soubesse que era assim, teria dividido&#8230;<\/p>\n<p>A vida \u00e9 cheia de pequenos prazeres, e nem todos se resumem a um peda\u00e7o de carne. N\u00e3o custa nada dialogar com calma e paci\u00eancia para conquistar algo comum &#8211; ainda mais quando uma das partes prop\u00f5e flexibilidade. Na pr\u00e1tica: toda vez em que voc\u00ea tiver que optar entre brigar pelo que pensa ou abrir m\u00e3o para acalmar as coisas, coloque o assunto na balan\u00e7a e, do outro lado, uma picanha na chapa.<\/p>\n<p><u>Teoria da Margherita do Speranza<\/u> &#8211; Quando estiver em S\u00e3o Paulo e convidarem voc\u00ea para comer uma pizza, pense seriamente na possibilidade de ir ao <a href=\"http:\/\/www.pizzaria.com.br\" target=\"_blank\"><b>Speranza<\/b><\/a>, considerada por muitos como a melhor da cidade. Diz a lenda que foram eles que trouxeram a tradicional Margherita &#8211; queijo muzzarella e manjeric\u00e3o &#8211; para o Brasil.<\/p>\n<p>A Margherita do Speranza \u00e9 uma verdadeira institui\u00e7\u00e3o da cidade. O aviso est\u00e1 nas primeiras linhas do card\u00e1pio: &#8220;n\u00e3o fazemos meio a meio&#8221;. E n\u00e3o adianta ter d\u00favidas, ou tentar subornar o gar\u00e7om: n\u00e3o tem como misturar outro sabor \u00e0 pizza. Ou pede uma inteira ou n\u00e3o pede. Simples assim.<\/p>\n<p>Muitas vezes a possibilidade de um novo relacionamento aparece em sua vida como uma Margherita. Mas nem sempre voc\u00ea est\u00e1 com vontade de comer queijo com manjeric\u00e3o. Tem plena convic\u00e7\u00e3o de que vai sobrar pizza no prato. Pra compensar, voc\u00ea tenta a proposta imposs\u00edvel: &#8220;tem como servir meia-namoro meia-amizade?&#8221;. O gar\u00e7om sequer responde.<\/p>\n<p>O mundo \u00e9 uma cruel pizzaria, onde muitas vezes n\u00e3o se pode ter d\u00favidas. Nem aquilo que deseja naquele momento.<\/p>\n<p><u>Teoria do Cachorro Quente Sem Salsicha<\/u> &#8211; N\u00e3o sei quanto a voc\u00ea, mas eu nunca fui chegado a hist\u00f3rias superficiais, daquelas que duram uma noite e nada mais. Tamb\u00e9m desconfio de possibilidades &#8220;maravilhosas demais&#8221;, onde s\u00f3 o sentimento que existe entre duas pessoas pode fazer com que algo seja lindo e maravilhoso para todo sempre&#8230;<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, algumas neo-categorias de relacionamento, desde ficar na balada at\u00e9 namorar pela Internet, s\u00e3o como cachorro quente sem salsicha. N\u00e3o ligar no dia seguinte ou n\u00e3o dar chance para uma conviv\u00eancia real soa como se o seu acompanhante oferecesse a voc\u00ea p\u00e3o com molho. Claro que d\u00e1 pra compensar. Muitos colocam &#8220;aquele algo mais pra ficar gostoso&#8221;. Pur\u00ea, batata palha, vinagrete, salada, queijo cheddar&#8230;<\/p>\n<p>Mas ainda \u00e9 cachorro quente sem salsicha. Tem gente que come e acha bom, se diverte, d\u00e1 pro gasto, enfim. Eu n\u00e3o.<\/p>\n<p><u>Teoria do Yakisoba da Cal\u00e7ada<\/u> &#8211; Sejamos francos: n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sustentar um relacionamento. N\u00e3o d\u00e1 para separar as coisas boas das ruins: elas est\u00e3o sempre juntas, a ponto de voc\u00ea se perguntar todo santo dia: vale a pena fazer tudo isso?<\/p>\n<p>Qualquer rela\u00e7\u00e3o com algu\u00e9m pode ser comparada aquele yakisoba servido na rua por um chin\u00eas habilidoso. Normalmente voc\u00ea n\u00e3o sabe de onde aquele cidad\u00e3o tirou os ingredientes, quanto tempo ele ficou no sol, se a chapa foi limpa recentemente ou lavada com detergente h\u00e1 alguns segundos&#8230;<\/p>\n<p>Dependendo da sua fome, talvez voc\u00ea nem ligue se aquela gororoba vai cair bem ou provocar uma imensa dor de barriga. Enquanto uns relutam, comem uma vez para nunca mais&#8230; Outros deixam o organismo se adaptar e v\u00e3o em frente. Viram fregu\u00eas. Ficam descolados. Pedem mais molho.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: s\u00f3 existe um jeito de saber se vai te fazer bem ou mal. E n\u00e3o adianta se arrepender depois, seja por passar mal ou de arrependimento por ter deixado a chance escapar.<\/p>\n<p>Mais alguma ou fecha a conta?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta segunda-feira, de acordo com a minha agenda, marca a comemora\u00e7\u00e3o do Dia do Solteiro, esp\u00e9cie de celebra\u00e7\u00e3o internacional do &#8220;e eu uma pedra&#8221;. Engra\u00e7ado que, ao contr\u00e1rio da data ant\u00edtese, ningu\u00e9m ganha presente. Mas enfim. Percebo que a cada dia eu me especializo em garantir essa comemora\u00e7\u00e3o, ano ap\u00f3s ano. 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