{"id":820,"date":"2004-11-30T08:13:47","date_gmt":"2004-11-30T11:13:47","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/perdidos-na-europa-lista-completa-de-coadjuvantes"},"modified":"2004-11-30T08:13:47","modified_gmt":"2004-11-30T11:13:47","slug":"perdidos-na-europa-lista-completa-de-coadjuvantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/perdidos-na-europa-lista-completa-de-coadjuvantes\/","title":{"rendered":"Perdidos na Europa: lista completa de coadjuvantes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-europa.gif\" align=\"right\">Vejam como a velocidade dos ponteiros do rel\u00f3gio muda mesmo diante da implac\u00e1vel rotina. Enquanto minhas tr\u00eas semanas de f\u00e9rias na Europa pareceram tr\u00eas anos, esse \u00faltimo m\u00eas passou como se tivesse voltado de viagem ontem. Pena que o clima p\u00f3s-f\u00e9rias tenha sido t\u00e3o deprimente, a ponto de esquecer, vez ou outra, de como esse passeio foi maravilhoso.<\/p>\n<p>Para fazer com que a saudade retorne ao lugar de onde n\u00e3o deveria ter sa\u00eddo, investi algumas horas neste que, por enquanto, \u00e9 o maior texto j\u00e1 publicado neste espa\u00e7o em toda sua hist\u00f3ria. A proposta \u00e9 dar o merecido destaque a uma s\u00e9rie de pessoas, an\u00f4nimas ou n\u00e3o, que tamb\u00e9m participaram ativamente desta inesquec\u00edvel aventura, ao lado da Lu, do Lello e de mim.<\/p>\n<p>A estrutura \u00e9 <a href=\"\/blog\/2003\/02\/21\/372\" target=\"_blank\"><b>exatamente igual<\/b><\/a> ao resgate de personagens p\u00f3s-Florian\u00f3polis (outra viagem que d\u00e1 saudade), s\u00f3 que bem mais audaciosa (ali\u00e1s, tenho certeza que muitos dos nossos antigos visitantes lembram bem daquela lista, e estavam aguardando ansiosos pela nova paulada). Com voc\u00eas, <b>todos os coadjuvantes de Perdidos na Europa!<\/b><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/ptrio3011.jpg\" align=\"right\"><u>V\u00e9ia do Real<\/u> &#8211; Nossa saga come\u00e7a antes do embarque (08\/10), num dos poucos, caros e pouco sortidos caf\u00e9s da sala de embarque em Guarulhos. Um sandu\u00edche e um caf\u00e9 corresponderam aos meus \u00faltimos pedidos em real. &#8220;Agora essa nossa moedinha n\u00e3o vale nada&#8221;, disse, em tom de brincadeira. Mas n\u00e3o para uma tiazinha, que me deu uma incr\u00edvel bronca: &#8220;se n\u00e3o fosse esse dinheiro, voc\u00ea n\u00e3o estaria aqui. D\u00ea valor a ele&#8221;. Como \u00e9 legal viajar com gente pobre como a gente!<\/p>\n<p><u>Esperidi\u00e3o Amin<\/u> &#8211; S\u00e3o onze horas de v\u00f4o e nada mais. Por isso, n\u00e3o interessa se voc\u00ea vai sentado no lugar marcado em seu bilhete: dependendo da necessidade, nada o impede de trocar com algu\u00e9m. Pois o carequinha sentado a nossa frente no v\u00f4o AZ673 n\u00e3o quis saber de conversa, deixando a tiazinha (colega da V\u00e9ia do Real) bem longe. Podem me chamar de maldoso, mas n\u00e3o fui com a cara do careca por causa disso. Tomara que a viagem dele tenha sido horr\u00edvel &#8211; as aeromo\u00e7as da Alitalia certamente contribuiram para tal.<\/p>\n<p><u>Casal modorra<\/u> &#8211; Foram algumas horas de espera no aeroporto de Malpensa, em Mil\u00e3o, at\u00e9 o embarque para o Porto (09\/10). Tempo suficiente para analisarmos a italianada e outras figuras circulantes. Entre os simp\u00e1ticos atendentes das lanchonetes e os estranhos guardas e seu fardamento arcaico, prestamos aten\u00e7\u00e3o especial em um casal. Quer dizer, era um rapaz, uma mo\u00e7a e muito mal humor entre os dois. Deviam estar no final da pior lua de mel poss\u00edvel&#8230; Ou faz parte da cultura local.<\/p>\n<p><u>Menino-bomba<\/u> &#8211; Esse \u00e9 maldade. A m\u00e3e, com fei\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas, carregava seu beb\u00ea no colo usando uma dessas bolsas tipo canguru. &#8220;Olha ali o pequeno menino-bomba&#8221;, conclu\u00edmos. Tadinho.<\/p>\n<p><u>Clara Nunes<\/u> &#8211; Vale apenas pela cita\u00e7\u00e3o: tratava-se de uma funcion\u00e1ria, de alguma companhia a\u00e9rea, cujos cabelos lembravam uma gigantesca vassoura de pia\u00e7ava. Fiquei com medo dela.<\/p>\n<p><u>Vin\u00edcius de Morais<\/u> &#8211; Assim como em muitos aeroportos, em Mil\u00e3o os carrinhos de bagagem funcionam com dep\u00f3sito: um euro libera o carrinho, e a moedinha \u00e9 recuperada com a sua devolu\u00e7\u00e3o. Muitos usu\u00e1rios, no entanto, esqueciam do carrinho em qualquer canto. E a\u00ed entra um dos grandes figuras da viagem. Um sujeito baixinho e gordinho, cabelos grisalhos e lambidos, com cara de malandro. Todo carrinho que dava sopa era recolhido por ele. A cada cinco minutos, l\u00e1 vinha ele carregando alguns &#8211; e para cada um, garantia uma moedinha pro boteco. Um belo exemplo de como \u00e9 f\u00e1cil ser picareta e ganhar dinheiro na It\u00e1lia!<\/p>\n<p><u>Imigrantes do Reino de Zamunda<\/u> &#8211; Lembram-se do pa\u00eds imagin\u00e1rio do filme <i>Um Pr\u00edncipe em Nova York<\/i>? Pois ele foi muito \u00fatil para designarmos toda sorte de descendentes afro, in\u00fameros durante as tr\u00eas semanas de viagem. Eram todos &#8220;imigrantes do Reino de Zamunda&#8221;. Alguns com trajes bem diferentes da nossa cultura. &#8220;Esses devem ser do alto escal\u00e3o do Governo de Zamunda&#8221;, diz\u00edamos. Sempre sem preconceitos.<\/p>\n<p><u>Alexandra Santos<\/u> &#8211; Se as aeromo\u00e7as da Alitalia deixaram a desejar, o mesmo n\u00e3o pode ser dito da Portugalia Airlines, companhia que nos levou a cidade do Porto. E o que dizer dos olhos verdes, dos cabelos dourados, do sorriso discreto e do sotaque apaixonante dessa linda comiss\u00e1ria? E quando ela ofereceu doces portugueses e, gentilmente, me disse: &#8220;queres tirar mais um?&#8221;. Ah, Alexandra&#8230;<\/p>\n<p><u>Z\u00e9, o Primo da Lu<\/u> &#8211; Era tudo que sab\u00edamos quando desembarcamos em Portugal: ser\u00edamos recepcionados pelo primo da Lu, que gentilmente nos levaria at\u00e9 o hotel, pr\u00f3ximo a Avenida dos Aliados. Infelizmente, sua \u00fanica apari\u00e7\u00e3o (ao lado de seus dois filhos) foi durante esse traslado providencial e absolutamente inesquec\u00edvel!<\/p>\n<p><u>Cl\u00e1udia<\/u> &#8211; Nem todos os atendentes e funcion\u00e1rios dos hot\u00e9is e pousadas que ficamos merecem algum destaque nessa lista. Mas se h\u00e1 algu\u00e9m que n\u00e3o podemos ignorar \u00e9 a mais bela de todas. Infelizmente, essa recepcionista do Grande Hotel de Paris s\u00f3 estava por l\u00e1 no s\u00e1bado. &#8211; foi o suficiente para resolver o problema da fechadura, que n\u00e3o trancava. E marcar para sempre nossas vidas. Ah, Cl\u00e1udia&#8230;<\/p>\n<p><u>Ucrania<\/u> &#8211; Nossa primeira refei\u00e7\u00e3o pra valer foi no restaurante Chez Lapin, \u00e0 beira do Rio Douro. Pedimos um vinho D\u00e3o Gr\u00e3o Vasco e um estupedo polvo, com muito azeite e batatas (bem t\u00edpico). Sugest\u00f5es da simp\u00e1tica gar\u00e7onete, que com seu portugu\u00eas bem local, nos enganou direitinho quando disse seu pa\u00eds de origem: Ucr\u00e2nia. Estava l\u00e1 h\u00e1 um ano e meio, n\u00e3o gostava muito dos portugueses mas tinha v\u00e1rios amigos brasileiros.<\/p>\n<p><u>Tony<\/u> &#8211; Este personagem existiu apenas na mente dos viajantes. Tratava-se de um resgate ao filme <i>O Iluminado<\/i>, de Stanley Kubrick. Claro que o ignorant\u00e3o aqui n\u00e3o viu &#8211; sabe apenas que a hist\u00f3ria se passa com o zelador Jack Nicholson em um velho hotel. Similar ao do Porto e a outros que encontramos na viagem. Tony \u00e9, ao mesmo tempo, o dedo de seu filho e seu amigo imagin\u00e1rio. Foi f\u00e1cil pegarmos emprestado o dedinho e gritarmos &#8220;tooonnyyy&#8221; nas escadarias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/psbento3011.jpg\" align=\"right\"><u>Lu\u00eds Fabiano<\/u> &#8211; Esse foi t\u00e3o marcante que mereceu <a href=\"\/blog\/2004\/10\/10\/1091\" target=\"_blank\"><b>um post s\u00f3 para ele<\/b><\/a>. Trata-se do bilheteiro sem-no\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o S\u00e3o Bento, que antes de nos vender a passagem de trem para Lisboa (10\/10) soltou a desnecess\u00e1ria piadinha &#8220;tinha que ser mulher&#8221; na frente da Lu. Tanto ele quanto a chuva daquela manh\u00e3 fizeram com que nem lembr\u00e1ssemos mais do caf\u00e9 do hotel.<\/p>\n<p><u>Michael Stipe<\/u> &#8211; Depois de passearmos pelos arredores da Igreja do Carmo e da Torre dos Cl\u00e9rigos, hora de mais uma refei\u00e7\u00e3o. Desta vez, o gar\u00e7om que nos serviu &#8211; vitela com mais batata e azeite, al\u00e9m de frisumo de anan\u00e1s (que vem a ser refrigerante de abacaxi) era o clone do Michael Stipe, vocalista do REM. Apenas no decorrer dos dias \u00e9 que nos demos conta: a Europa est\u00e1 empesteada de clones do Michel Stipe. Eles certamente v\u00e3o dominar o mundo.<\/p>\n<p><u>Daniel Larusso<\/u> &#8211; Mais um gar\u00e7om simp\u00e1tico, que merece ser eternizado nessa lista intermin\u00e1vel. Este nos serviu peixes fritos e um mexido de arroz com feij\u00e3o &#8211; jantar perfeito para quem havia caminhado horrores pelo Porto (inclusive perdidos por bairros distantes) e comido apenas pequenos petiscos de supermercado. O atendente (tamb\u00e9m chamado de Andr\u00e9 S\u00e1) parou para ouvir nossa conversa sobre novelas brasileiras &#8211; o casal que estava ao lado tamb\u00e9m ouviu. E riu muito.<\/p>\n<p><u>Madame Min<\/u> &#8211; Era tudo que n\u00e3o quer\u00edamos ap\u00f3s uma extenuante viagem de trem (11\/10), al\u00e9m de um longo traslado de t\u00e1xi entre a esta\u00e7\u00e3o Alameda do metr\u00f4 e a Pra\u00e7a Saldanha: encontrar uma pens\u00e3o meia-boca cuja dona era a Madame Min. Uma tia pouco amistosa, que nos exigiu retorno di\u00e1rio antes da duas da manh\u00e3. Mesmo demonstrando preocupa\u00e7\u00e3o com o hor\u00e1rio, fomos sistematicamente ignorados pela tal Irene. Nunca mais ponho meus p\u00e9s naquela espelunca!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/ppedro3011.jpg\" align=\"right\"><u>Pedro Gon\u00e7alves<\/u> &#8211; Devo admitir que aquela ter\u00e7a-feira, dia de Nossa Senhora Aparecida, n\u00e3o foi das melhores. Dormi mal, acordei doente, caminhei pelas ruas apenas com caldo verde no est\u00f4mago&#8230; N\u00e3o importa. Mesmo baleado, achei melhor n\u00e3o perder a noite anterior. Decis\u00e3o acertada: conheci Pedro Gon\u00e7alves; conversamos sobre pol\u00edtica, cinema, futebol, l\u00edngua portuguesa e assuntos diversos, regados a cerveja Sagres e ch\u00e1 de menta no delicioso bar Catacumbas, no Bairro Alto; dar voltas pelo centro de Lisboa&#8230; Enfim. Certamente me arrependeria se tivesse perdido essa noite sensacional.<\/p>\n<p><u>Shifaisfavore<\/u> &#8211; Nossos tr\u00eas caf\u00e9s matinais em Lisboa (12, 13 e 14\/10) foram no mesmo local: Il Caf\u00e9 Di Roma, uma esp\u00e9cie de &#8220;Franz&#8221; local. Nossos pedidos mudavam a cada dia &#8211; desde ch\u00e1 a caf\u00e9 com leite condensado, passando por uma tosta (o nosso &#8220;misto&#8221;) exageradamente amanteigada. O que n\u00e3o mudava nunca era a forma como a sorridente gar\u00e7onete perguntava o que quer\u00edamos: sempre com um &#8220;shifaisfavore&#8221;&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/phogwards3011.jpg\" align=\"right\"><u>Alunos de Hogwards<\/u> &#8211; J\u00e1 viram crian\u00e7as jogarem futebol vestidas de avental e chap\u00e9u? Pois os pequeninos de uma escola prim\u00e1ria, localizada atr\u00e1s da pens\u00e3o, n\u00e3o tiram o uniforme verde em momento algum. Nem mesmo para bater uma bolinha.<\/p>\n<p><u>Amigo do Haxixe<\/u> &#8211; Vendedores dos mais variados circulavam aos montes pelas redondezas da pra\u00e7a do Rossio, Rua Augusta e adjac\u00eancias. Um mais cara de pau chegou at\u00e9 mim e abriu uma sacola, repleta de filmadoras. Nem agradeci. Outro, tentando empurrar haxixe, esbarrou com o Lello pelo menos duas vezes. &#8220;Esse a\u00ed j\u00e1 virou seu amigo&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/pmarioj3011.jpg\" align=\"right\"><u>M\u00e1rio Jo\u00e3o<\/u> &#8211; Mais um primo da Lu que abrilhantou nosso passeio de maneira marcante (13\/10)! M\u00e1rio Jo\u00e3o \u00e9 capaz de falar sobre qualquer assunto (qualquer um mesmo!) por pelo menos cinco minutos! Sua especialidade, no entanto, s\u00e3o as t\u00e1ticas de sedu\u00e7\u00e3o infal\u00edveis &#8211; como a de deixar a rapariga sempre esperando por um retorno. Tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela defini\u00e7\u00e3o de &#8220;heterogay&#8221;, esp\u00e9cie de padr\u00e3o para atender o exigente sexo oposto.<\/p>\n<p><u>Glenda do Alvalade<\/u> &#8211; Mas a noite do dia 13 come\u00e7ou bem antes, bem longe do Bairro Alto: no est\u00e1dio Jos\u00e9 Alvalade, ao norte de Lisboa, com a goleada de Portugal sobre a R\u00fassia por 7 a 1. Falar do ambiente familiar proporcionado pelos 27 mil portugueses presentes \u00e9 f\u00e1cil. O que dizer ent\u00e3o de uma gar\u00e7onete de cafeteria que \u00e9 a cara da Glenda Kozlowski &#8211; e t\u00e3o simp\u00e1tica quanto? Ah, Glenda&#8230;<\/p>\n<p><u>Man\u00e9 do sete a um<\/u> &#8211; Lello e eu sa\u00edmos do est\u00e1dio, ainda caracterizados como torcedores portugueses, para nos encontrarmos com a Lu e o M\u00e1rio Jo\u00e3o em frente a est\u00e1tua do Fernando Pessoa, no Chiado. No trajeto, seguindo a linha verde do metr\u00f4, fomos abordados por v\u00e1rios nativos, querendo saber quanto foi a partida. Todos se surpreenderam com o resultado. Um deles, de terno, \u00f3culos e maleta, parecia n\u00e3o acreditar. Abobalhado, intercalava um &#8220;sete a um a R\u00fassia?&#8221; com algumas risadas.<\/p>\n<p><u>Taxista russo<\/u> &#8211; Nosso \u00faltimo personagem portugu\u00eas era um aficcionado por futebol. Mal entramos no t\u00e1xi e o cidad\u00e3o perguntou: &#8220;encontraste algum russo? Pois estou rodando h\u00e1 horas e n\u00e3o acho nenhum&#8230;&#8221;, brincava. E falou ainda mais em futebol quando constatou que \u00e9ramos brasileiros.<\/p>\n<p><u>Mafiosos do Sirena Verde<\/u> &#8211; Finalmente, Madrid (14\/10). Depois de arrastarmos nossas malas entre o aeroporto de Barajas e a Gran Via, nada melhor que um bom almo\u00e7o. Escolhemos um dos in\u00fameros restaurantes que oferecem o &#8220;menu do dia&#8221;: o primeiro prato, uma salada ou paella, e o segundo, normalmente algum tipo de carne. \u00c1gua, vinho, p\u00e3o e sobremesa inclu\u00eddo. Tudo delicioso. Dias depois, prestei aten\u00e7\u00e3o na nota: &#8220;Sirena Verde Drug Store&#8221;. Mais adiante, j\u00e1 no avi\u00e3o para Barcelona, uma incr\u00edvel constata\u00e7\u00e3o: o Sirena Verde \u00e9 o restaurante preferido da m\u00e1fia!<\/p>\n<p><u>Gar\u00e7onete do Haiti<\/u> &#8211; Nossa segunda experi\u00eancia gastron\u00f4mica foi numa lanchonete simp\u00e1tica, na Puerta del Sol. Logo fiquei de olho em um grupo de meninas, todas falando ingl\u00eas (certamente americanas). Mas a \u00fanica que veio falar conosco foi mesmo a gar\u00e7onete&#8230; Tudo bem. Ao menos ela nos apresentou a t\u00edpica sangria: bebida gelada a base de vinho e rodelas de laranja.<\/p>\n<p><u>Casal do churro<\/u> &#8211; Mais uma receita t\u00edpica de Madrid: chocolate quente com churros, do San Gines &#8211; sem d\u00favidas o melhor da cidade. J\u00e1 passava da meia-noite: entre os poucos clientes, um casal choroso, certamente discutindo a rela\u00e7\u00e3o. Pela \u00faltima vez.<\/p>\n<p><u>Gar\u00e7om do Callejon<\/u> &#8211; J\u00e1 passavam das tr\u00eas da tarde quando retornamos do est\u00e1dio Santiago Bernab\u00e9u (15\/10) para almo\u00e7ar. O restaurante, na Calle San Bernardo, chamava-se El Callejon. Ali descobri que fideu\u00e1 \u00e9 uma paella feita de macarr\u00e3o; que fritas com ovo frito fica divino; e que sopa de marisco n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim quanto parece. Mas as descobertas n\u00e3o paravam a\u00ed: t\u00ednhamos mais um personagem, o divertido gar\u00e7om e seus trejeitos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/pandrea3011.jpg\" align=\"right\"><u>Andrea Leripio<\/u> &#8211; Ela \u00e9 pelotense e mora em Madrid h\u00e1 algum tempo &#8211; o suficiente para se passar por uma leg\u00edtima espanhola. Descobriu este blog ao acaso: queria saber quem era o cururu que falou mal de sua cidade&#8230; Algumas semanas depois, l\u00e1 estava ela ao nosso lado durante uma tarde inteira. Foi uma longa caminhada por Madrid, com direito a jantar em um dos diversos kebab (churrasco grego) espalhados. Mais um desses encontros inesquec\u00edveis!<\/p>\n<p><u>Ramon<\/u> &#8211; Esse \u00e9 um dos donos de Madrid. Encontramos com ele logo na chegada, e em nossas caminhadas, l\u00e1 estava o danado outra vez. Na manh\u00e3 do dia 16, finalmente, fomos conhec\u00ea-lo pessoalmente. Decidimos tomar caf\u00e9 no famoso <a href=\"http:\/\/www.museodeljamon.es\" target=\"_blank\"><b>Museo del Jamon<\/b><\/a> (museu do presunto), uma verdadeira institui\u00e7\u00e3o de Madrid. Todas as casas, decoradas com pernis espalhados pelas paredes, oferece todas as variedades poss\u00edveis de presunto. &#8220;Esse Ramon \u00e9 um cara importante mesmo&#8221;, dizia.<\/p>\n<p><u>Brazuca malandro<\/u> &#8211; Brasileiro e oxig\u00eanio s\u00e3o elementos encontrados em qualquer canto do planeta. A maioria, no entanto, prefere se mesclar com os nativos e passar despercebido. Outros poucos, ao reconhecerem algu\u00e9m do mesmo pa\u00eds, abordam e perguntam: &#8220;voc\u00ea \u00e9 brasileiro?&#8221;. Um deles fez quest\u00e3o de mostrar toda sua brasilidade. Foi na entrada do Museu Reina Sofia, em Madrid (16\/10). Usava minha &#8220;isca pega bobo&#8221;, uma camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira. Um dos ambulantes, disfar\u00e7do de madrilenho, olhou para mim e disse, em voz baixa: &#8220;eita camisa bonita que s\u00f3 a porra&#8221;.<\/p>\n<p><u>Fam\u00edlia Piu Piu<\/u> &#8211; Ainda em frente ao Reina Sofia, esta curiosa situa\u00e7\u00e3o. O pai e o filho mais novo aguardavam a m\u00e3e e a filha mais velha, sentados na mureta. De repente, o pai tira algumas rabanadas da bolsa, esfarela-as e espalha-as no ch\u00e3o, convidando os p\u00e1ssaros da redondeza para um banquete. Convidando mesmo, em voz alta: &#8220;piu piu piu piu piu!&#8221;. O moleque estava maravilhado com aquilo. De repente, surge uma alemazinha, de no m\u00e1ximo quatro anos, disposta a correr com os p\u00e1ssaros dali. Criou-se um incidente diplom\u00e1tico: enquanto a menininha espantava os bichinhos, o pai erguia os bra\u00e7os, repreendendo-a: &#8220;nooooooo!!!!&#8221;. Ela deu as costas para o pai piu piu e lhe mostrou a l\u00edngua. O pai ainda esfarelou umas duas rabanadas antes das duas mulheres aparecerem. Deviam ser italianos. \u00d4 ra\u00e7a.<\/p>\n<p><u>Taxista de Barcelona<\/u> &#8211; Nossa recep\u00e7\u00e3o na Catalunha (17\/10) n\u00e3o podia ter sido melhor. Al\u00e9m do sol e do calor, encontramos o mais simp\u00e1tico entre todos os motoristas. Assim que reconhecemos a vers\u00e3o em ingl\u00eas da m\u00fasica do Ovelha, ele j\u00e1 puxou assunto. Descobriu que \u00e9ramos brasileiros e, para agradar, come\u00e7ou a falar em futebol. Mas logo apontou algumas atra\u00e7\u00f5es de Barcelona, desejando-nos uma boa estada. Como acabou acontecendo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, um adendo. Quem souber o nome e o int\u00e9rprete da vers\u00e3o em ingl\u00eas de <i>Te Amo&#8230; O Que Mais Posso Dizer<\/i>, o &#8220;uouou ieie, sem voc\u00ea n\u00e3o viverei&#8221; de Ovelha, ganha de presente um box com os dois ced\u00eas da trilha sonora de <b>Perdidos na Europa<\/b>. Prosseguindo.<\/p>\n<p><u>Amigo do Roberto Carlos<\/u> &#8211; Andr\u00e9 cansado, Lello doente, Lu chateada e um jantar fraco que custou uma fortuna: a primeira noite em Barcelona tinha tudo para ser um porre. Mas logo demos a volta por cima e fomos aproveitar a lua maravilhosa. Caminhada pela Rambla at\u00e9 o porto, \u00e0 beira do Mar Mediterr\u00e2neo, cantando o lema dos tr\u00eas ratinhos cegos: &#8220;we don&#8217;t have to work&#8230;&#8221;. Antes de dormir, um ch\u00e1 com torradas em um dos in\u00fameros quiosques da Rambla: chamava-se Mickey. E o gar\u00e7om, com pinta de boliviano, dizia ser amigo do Roberto Carlos, lateral do Real Madrid. Eu tamb\u00e9m sou.<\/p>\n<p><u>Mulher KLB<\/u> &#8211; Novamente, escolhemos um lugar fixo para tomar caf\u00e9 da manh\u00e3 (18, 19 e 20\/10): era o Kaubet, na esquina da Rambla com a Calle Boqueria, a rua do hotel. O ambiente era muito agrad\u00e1vel: pod\u00edamos apreciar a promo\u00e7\u00e3o do capuccino com croissant ao som de jazz. A \u00fanica atendente, parrudinha e de cabelos curtos, lembrava muito o Bruno, do KLB. Virou Mulher KLB. Muito simp\u00e1tica.<\/p>\n<p><u>Uncle Leo<\/u> &#8211; Traumatizados com o jantar da noite anterior, e absolutamente cansados ap\u00f3s uma exaustiva turn\u00ea Gaudi (Sagrada Fam\u00edlia e Parque Guell), escolhemos outro restaurante para jantar (18\/10). Era o Genoa 1911, onde acabei dividindo meia garrafa de vinho com a Lu (minha parte eu misturei com \u00e1gua). A conta foi trazida por um senhor de \u00f3culos e poucos cabelos. &#8220;\u00c9 o Uncle Leo&#8221;, definiu Lello, fazendo refer\u00eancia a um personagem de Seinfeld. Virou personagem.<\/p>\n<p><u>Bicha do Pans &amp; Company<\/u> &#8211; Outra figura que existiu apenas na imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil dos viajantes. <a href=\"http:\/\/www.pansandcompany.com\" target=\"_blank\"><b>Pans &amp; Company<\/b><\/a> \u00e9 a vers\u00e3o espanhola do McDonalds: seus lanches s\u00e3o preparados na baguete, com in\u00fameras op\u00e7\u00f5es de recheio. Desde Madrid, estava morrendo de vontade de experimentar o neg\u00f3cio. S\u00f3 consegui naquela tarde de 19 de outubro, ao final do passeio esportivo (Est\u00e1dio Ol\u00edmpico e Camp Nou), bem perto da esta\u00e7\u00e3o Coolblanc do metr\u00f4. &#8220;Finalmente voc\u00ea matou sua bicha do Pans &amp; Company&#8221;, definiu Lello. Pois \u00e9.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/plero3011.jpg\" align=\"right\"><u>Leandro Rodrigues<\/u> &#8211; Jornalista formado pela C\u00e1sper L\u00edbero, ex-integrante do N\u00facleo de Internet da Gazeta, verdadeira lenda viva entre os amigos que conviveram com ele nos arredores da Avenida Paulista. Desde o come\u00e7o de outubro, &#8220;Lero&#8221; est\u00e1 em Barcelona, onde vai estudar por um ano. Claro que n\u00e3o pod\u00edamos deixar passar a oportunidade: longo papo, como nos velhos tempos, no Templo de La Cerveza, no Paseig de Gracia, perto da Pra\u00e7a Catalunha (19\/10).<\/p>\n<p><u>Casal Easyjet<\/u> &#8211; A pior companhia a\u00e9rea do mundo reuniu ainda os dois personagens mais estranhos. O comiss\u00e1rio de bordo era exageradamente metrossexual, e a aeromo\u00e7a era maior que eu. Al\u00e9m de n\u00e3o se esfor\u00e7arem para tornar a viagem entre Barcelona e Paris mais agrad\u00e1vel (20\/10), n\u00e3o paravam de dar risada &#8211; seja na apresenta\u00e7\u00e3o das normas de seguran\u00e7a ou mesmo para anunciar o nome de um passageiro. Tremenda falta de respeito.<\/p>\n<p><u>Amigos do Bin Laden<\/u> &#8211; Garoa constante, tempo nublado e franceses pouco amistosos: uma bela primeira impress\u00e3o logo nos primeiros passos no Aeropor Orly. Para piorar, nosso quarto em Paris, no tradicional bairro do Marais &#8211; perto do metr\u00f4 Saint Paul, tinha um banheiro maior que o dormit\u00f3rio. Os donos do Hotel Caron, marroquinos ou das proximidades, n\u00e3o tinham culpa da nossa birra. Mas acabaram virando &#8220;aqueles malditos amigos do Bin Laden&#8221;, s\u00f3 para exorcizar nosso descontentamento em algu\u00e9m.<\/p>\n<p><u>Gepeto<\/u> &#8211; A m\u00e1 impress\u00e3o causada pela maioria dos frios e pouco amig\u00e1veis franceses come\u00e7ou a se dissipar a partir do primeiro almo\u00e7o, ap\u00f3s uma manh\u00e3 lavando roupas (sem sab\u00e3o) e passeando nos arredores da Catedral de Notre Dame (21\/10). O restaurante La Comete, perto do Hotel de Ville (prefeitura) e da Rua de Rivoli, contava com um gar\u00e7om sempre sorridente, que alternava franc\u00eas com ingl\u00eas sem mesmo perguntar qual nosso idioma preferido. Grande Gepeto!<\/p>\n<p><u>Mestre japa<\/u> &#8211; A tarde foi de muitas compras pelos boulevares parisienses: visita obrigat\u00f3ria na Galeria Laffayete e na megaloja Printemps, que mant\u00e9m uma incr\u00edvel \u00e1rea de brinquedos. Ali\u00e1s, contando a Disney Store, entramos em pelo menos quatro delas na capital francesa. Mas enfim, ainda na Printemps, um franco-japon\u00eas arranhou seu ingl\u00eas para me vender um kit de m\u00e1gica. Ironicamente, o truque consiste em fazer com que algumas moedas sumissem. Mestre japa conseguiu: fez com que muitas moedas sa\u00edssem da minha carteira, direto para a dele.<\/p>\n<p><u>Dono do cinema<\/u> &#8211; Na segunda-feira, ainda em Barcelona, nos frustramos na regi\u00e3o da Vila Ol\u00edmpica: n\u00e3o conseguimos assistir a <i>Lost in Translation<\/i>. E segundo o Pariscope (o &#8220;guia da Folha&#8221; deles), era aquela noite de quinta-feira ou nunca mais. Era uma sala alternativa, com filmes fora do circuito diferentes a cada dia. Ficava no n\u00famero 24 da Place Denfert-Rochereau, e a sess\u00e3o \u00fanica estava marcada para as dez da noite. Eram dez e dois quando o rapaz, surpreso, nos entregou os ingressos. Qual n\u00e3o foi a nossa surpresa quando encontramos a sala vazia: apenas n\u00f3s tr\u00eas assistimos ao melhor filme de 2004. E o dono da salinha deve ter ficado feliz: poderia ter ido para casa, n\u00e3o fossem os tr\u00eas estrangeiros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/ppub3011.jpg\" align=\"right\"><u>Bacana do pub<\/u> &#8211; O hotel era uma porcaria, mas ao menos ficava em frente a um pub bem bacana. Na entrada, uma bandeirinha da Esc\u00f3cia e outra alusiva ao movimento GLBT, atestando a aus\u00eancia de qualquer preconceito no local. Na noite p\u00f3s-cinema, tinha tanto p\u00e9 na minha bolha que preferi dormir. Mas na noite seguinte, a \u00faltima em Paris, fui conferir o atendimento cort\u00eas de mais um cidad\u00e3o que n\u00e3o parecia franc\u00eas.<\/p>\n<p><u>Senegal\u00eas do \u00f3culos<\/u> &#8211; Esse cidad\u00e3o \u00e9 o respons\u00e1vel pelo visual franc\u00eas de &#8220;monseur Lello&#8221;: interessado em um novo \u00f3culos de sol, nosso amigo abordou o senegal\u00eas vendedor, no caminho entre o Louvre e a Place de la Concorde, no meio do Jardin des Tuileries (22\/10). Oferta inicial: vinte euros. Depois de alguma negocia\u00e7\u00e3o, o ambulante fez por dez. Claro que eu n\u00e3o pagaria nem cinco na baga\u00e7a.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/pstade3011.jpg\" align=\"right\"><u>Dupla do Saint Dennis<\/u> &#8211; Chegamos ao Stade de France, norte de Paris, pouco depois das cinco da tarde &#8211; a tempo da \u00faltima visita guiada pelo palco da final da Copa de 98. Tanto o guia da vez quanto o fot\u00f3grafo, respons\u00e1vel pelos registros que virariam souvenirs na sa\u00edda, faziam totais refer\u00eancias a vit\u00f3ria francesa por 3 a 0 diante do Brasil. &#8220;Naquele lado ali o Zidane cabeceou duas vezes&#8230;&#8221;. Ao menos eles tem um elefante branco que serve para lembrar de um \u00fanico t\u00edtulo. Brincadeiras \u00e0 parte, a dupla \u00e9 bem amistosa.<\/p>\n<p><u>Brazuca colombiano<\/u> &#8211; Outro apreciador de futebol estava ali, ao lado de um amigo, visitando o est\u00e1dio: o jovem era brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Mas foi criado na Col\u00f4mbia e, h\u00e1 um ano, estudava na Alemanha. Assim como n\u00f3s, estavam circulando pela Europa nas f\u00e9rias. Que vida.<\/p>\n<p><u>Curitibana<\/u> &#8211; J\u00e1 tinhamos passeado pelo bairro de Montmartre; j\u00e1 tinha pago a aposta (um jantar em Paris caso a viagem sa\u00edsse) no Bistro Romain; j\u00e1 tinhamos visto estranhos jovens muito bem vestidos prontos para a balada na Place de la Madeleine; mas a noite de sexta ainda merecia mais: uma visita \u00e0 torre Eiffel. Tinha que ser \u00e0 noite, para aproveitar a ilumina\u00e7\u00e3o. No caminho, via metr\u00f4, uma curitibana linda nos abordou: h\u00e1 poucos dias em Paris, estava morrendo de saudade dos brasileiros. S\u00f3 depois que eu desci do trem me dei conta: podia ter ficado mais algumas esta\u00e7\u00f5es, s\u00f3 para deixar um e-mail de contato. Est\u00fapido.<\/p>\n<p><u>Gar\u00e7om poliglota<\/u> &#8211; Repararam que, fora uma ou outra visita ao supermercado, sempre comemos e restaurantes, n\u00e9? &#8220;Ah, mas \u00e9 o nosso \u00faltimo almo\u00e7o em Paris&#8221;, era a desculpa. Assim como &#8220;ah, mas esse \u00e9 o nosso primeiro almo\u00e7o em Paris&#8221;, e assim por toda a Europa. De qualquer forma, valeu a refei\u00e7\u00e3o no Le Gramont, no Boulevard des Italiens (23\/10). Primeira provid\u00eancia do gar\u00e7om: perguntar o idioma de nossa prefer\u00eancia. E adivinhem: o sujeito arranhou bem o portugu\u00eas! Sem falar no queijo branco de sobremesa.Simplesmente divino.<\/p>\n<p><u>Loira do Fog\u00e3o<\/u> &#8211; Ainda na regi\u00e3o dos boulevares, uma aut\u00eantica churrascaria brasileira, chamada Fog\u00e3o. A contragosto dos meus amigos, fomos tomar um refresco. Como o guaran\u00e1 n\u00e3o custava muito, resolvi matar saudades ali mesmo. Valeu tamb\u00e9m pela gar\u00e7onete. Ah, loirinha&#8230;<\/p>\n<p><u>Tio do crepe<\/u> &#8211; A prova definitiva de que os franceses est\u00e3o mudando (ainda bem!). Eu estava com muita vontade de experimentar um aut\u00eantico crepe de rua. Tive a chance horas antes do embarque para Veneza, ainda circulando pr\u00f3ximo aos boulevares. Sabia apenas pedir: &#8220;bonsoir, monseur. A crepe avec nutell\u00e1, sil vous plait&#8221;. Sorridente, o tio come\u00e7ou a preparar o acepipe, emendando com uma indecifr\u00e1vel francesada. Minha cara de &#8220;je ne parlez pas esto que usted parla, caspite&#8221; fez com que ele se esfor\u00e7asse como nunca para falar em ingl\u00eas. A frase indecifr\u00e1vel era algo como &#8220;estou preparando um fresquinho para o senhor&#8221;. Que beleeeza!!!<\/p>\n<p><u>Fam\u00edlia de Veneza<\/u> &#8211; Sem sombra de d\u00favidas, a melhor coisa que nos aconteceu em 20 dias foi a <a href=\"http:\/\/www.bbvenice.it\" target=\"_blank\"><b>hospedagem de Veneza<\/b><\/a>. At\u00edlio, Luciana e seus filhos mant\u00e9m um quarto de sonho em Favaro Veneto, regi\u00e3o bastante apraz\u00edvel e a 20 minutos de Veneza. Na noite de s\u00e1bado, fomos recebidos pelo filho mais velho, que nos apresentou ao o\u00e1sis. \u00c9 uma pena que tenhamos ficado t\u00e3o pouco tempo ali. Mas promessa \u00e9 d\u00edvida: eu voltarei.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/pproximo3011.jpg\" align=\"right\"><u>Mulher do pr\u00f3ximo<\/u> &#8211; Assim como o povo de Zamunda e a legi\u00e3o de Michael Stipes, essa \u00e9 outra categoria de personagens em bando: todas que implicam em infra\u00e7\u00e3o ao nono mandamento: n\u00e3o cobi\u00e7ar\u00e1s a mulher do pr\u00f3ximo. Ainda mais se o pr\u00f3ximo estiver pr\u00f3ximo. Entre as in\u00fameras, a \u00fanica que valeu um discreto registro fotogr\u00e1vico: uma canadense, sentada em frente a esta\u00e7\u00e3o de trem de Veneza (24\/10). Ah se ela me desse bola&#8230;<\/p>\n<p><u>Salvador Dali<\/u> &#8211; A primeira vez que encontramos com o artista, um dos \u00edcones do surrealismo, foi no Museu Reina Sofia, em Madrid. No Camp Nou, em Barcelona, l\u00e1 estava ele novamente, como torcedor s\u00edmbolo da equipe azul-gren\u00e1. Mas foi em Veneza, no Palazzo Grassi, que conferimos um grande recorte de sua obra, em uma exposi\u00e7\u00e3o dedicada ao catal\u00e3o.<\/p>\n<p><u>Gar\u00e7om modorra<\/u> &#8211; N\u00e3o faltaram europeus mal-educados em nossa lista. Mas esse bigodudo veneziano superou todos. Tudo bem, n\u00e3o sab\u00edamos que &#8220;pepperone&#8221;, a nossa lngui\u00e7a, tamb\u00e9m pode significar piment\u00e3o. Pois o gar\u00e7om simplesmente n\u00e3o desfez a d\u00favida, permaneceu calado, trouxe uma pizza de piment\u00e3o e a conta, de qualquer jeito. Quase n\u00e3o pago o servi\u00e7o, mas achamos melhor n\u00e3o criar confus\u00e3o. Detalhe: no dia seguinte, passamos pelo mesmo lugar. E o tal modorrento estava com o mesmo uniforme. Deve ser escravo daquele lugar. Bem feito.<\/p>\n<p><u>Burra da bilheteria<\/u> &#8211; Nos \u00f4nibus de Veneza, toda bagagem grande tamb\u00e9m paga uma passagem. Assim, precis\u00e1vamos de nove bilhetes &#8211; tr\u00eas para retornarmos a hospedagem, mais seis para voltarmos com as malas \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de trem. S\u00f3 que a tonta da bilheteira n\u00e3o queria me vender as nove passagens. Certamente ficou me perguntando o que diabos eu faria com tantos bilhetes. At\u00e9 explicar tudo &#8211; em jalapon\u00eas, mistura de todos os idiomas poss\u00edveis, a mocinha pediu sinceras desculpas. &#8220;\u00c9 que eu n\u00e3o entendo espanhol&#8221;. &#8220;Mas eu estava falando em portugu\u00eas, senhorita&#8221;. &#8220;Ih, tampouco&#8221;.<\/p>\n<p><u>As freiras<\/u> &#8211; N\u00e3o sei se d\u00e1 pra chamar isso de azar. Quando o trem que nos levou \u00e0 Roma deixou Veneza (25\/10) e foi apanhando mais passageiros, constatamos a presen\u00e7a de duas mo\u00e7as bem novinhas, mas nitidamente dispostas a compartilhar peculiaridades da lingua nativa. Pena que sentaram um pouco longe dali. Perto do Lello e da Lu, no entanto, sentaram duas freiras. Ao menos todos fizemos uma boa viagem, gra\u00e7as \u00e0 Deus.<\/p>\n<p><u>Menina do trem<\/u> &#8211; Azar n\u00e3o foi. Talvez incompet\u00eancia. Na minha frente, estava a menina mais graciosa da It\u00e1lia. Longe dos padr\u00f5es de beleza impostos pela sociedade, mas o suficiente para que eu me casasse com ela ali mesmo. Esbocei um sorriso. Ela permaneceu s\u00e9ria e pegou um livro e n\u00e3o tirou os olhos dele durante praticamente toda a viagem. E eu, uma pedra.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/plu3011.jpg\" align=\"right\"><u>Acqua Minerale<\/u> &#8211; Ta\u00ed um s\u00e9rio candidato a personagem mais hilariante. Assim que o trem encostou em Firenze, na metade do caminho, surge do nada um vendedor ambulante, trazendo \u00e1gua mineral em seu isopor. S\u00f3 que o sujeito gritava &#8220;acqua minerale&#8221;, como se imitasse o Pato Donald. N\u00e3o tinha como n\u00e3o rir. At\u00e9 as freirinhas e a mocinha da minha frente n\u00e3o se aguentaram. Vez ou outra, antes de chegarmos em Roma, olhava para os lados e dizia, com a voz caricata: &#8220;acqua minerale&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p><u>Taxista perdido<\/u> &#8211; Sab\u00edamos que nossa pens\u00e3o ficava a alguns metros da esta\u00e7\u00e3o Roma Termini. Cansados e com toneladas de bagagens, optamos por mais um t\u00e1xi. Nada demais: a decis\u00e3o por pagar um pouco mais e se livrar de um problema virou obriga\u00e7\u00e3o desde Madrid. Desta vez, o motorista, certamente um novato no peda\u00e7o, levou alguns minutos para encontrar a rua em seu mapa e chegar ao local. Nisso, faturou onze euros &#8211; a pior rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio entre os taxis que encaramos.<\/p>\n<p><u>Madame Min 2<\/u> &#8211; Definitivamente, a primeira impress\u00e3o de Roma n\u00e3o foi das melhores. A dona de mais essa pens\u00e3o era t\u00e3o Madame Min quanto a de Lisboa. Mas ela parecia bem mais simp\u00e1tica. Sem falar no compromisso da velhota em nos colocar num quarto maior, al\u00e9m de nos deixar com a chave (e com liberdade de hor\u00e1rio), reduziu o impacto negativo. Tudo mudou com os seus sumi\u00e7os constantes e a neglig\u00eancia com o caf\u00e9. E tornou-se insuport\u00e1vel com a desagrad\u00e1vel despedida &#8211; sa\u00edmos como se tiv\u00e9ssemos feito algo muito errado&#8230; Nunca mais ponho meus p\u00e9s nessa espelunca.<\/p>\n<p><u>B\u00eabado na rua<\/u> &#8211; A regi\u00e3o da Stazione Termini lembra muito o nosso Bom Retiro. At\u00e9 ao caminhar pelas cal\u00e7adas \u00e9 preciso cuidado com a quantidade enorme de &#8220;forasteiros&#8221;, entre outros menos favorecidos que perambulavam por ali. Um deles, absolutamente travado, caminhava a nossa frente. Lentamente e sem qualquer dire\u00e7\u00e3o. Levamos alguns minutos para &#8220;ultrapass\u00e1-lo&#8221;.<\/p>\n<p><u>Casal h\u00fangaro<\/u> &#8211; De todas as estalagens que paramos, estes foram os \u00fanicos h\u00f3spedes comuns que tiveram algum contato conosco. Na primeira vez, Madame Min 2 pediu ajuda para a Lu, que sabia alguma coisa em italiano, para conversar com os dois. Em outra, Lello trocou algumas palavras com a mo\u00e7a, na cozinha. Eles \u00e9 que foram espertos: deixaram todas as malas fora dos quartos antes de ir embora. Certamente mant\u00e9m um bom relacionamento com a velha at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><u>No pay no photo<\/u> &#8211; Esse tiozinho barbudo, fantasiado de centuri\u00e3o romano, fazia a festa dos turistas na Piazza di Spagna (26\/10). Andava com uma placa alusiva a sua condi\u00e7\u00e3o de guardi\u00e3o. Mas era s\u00f3 virar a tabuleta para a mensagem principal aparecer: &#8220;no pay no photo&#8221;. Esses guardi\u00f5es s\u00e3o todos uns mercen\u00e1rios mesmo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/pfontana3011.jpg\" align=\"right\"><u>Casal Fontana<\/u> &#8211; Estes s\u00e3o os meus preferidos. Patr\u00edcia e Osami, jornalistas de TV procedentes de Ribeir\u00e3o Preto, estavam de f\u00e9rias, produzindo um document\u00e1rio sobre brasileiros na Europa. Encontraram um gordo bobo, em frente \u00e0 Fontana di Trevi, fazendo micagens diante de outra c\u00e2mera. No mesmo minuto, Patr\u00edcia pediu para que eu gravasse uma entrevista para o seu trabalho. Mas o melhor ainda estava por vir: encontrar\u00edamos o casal a bordo do mesmo trem que nos levou \u00e0 Bari, na madrugada seguinte! Incr\u00edvel coincid6encia, que rendeu uma longa noite de conversa extremamente agrad\u00e1vel!<\/p>\n<p><u>Funcion\u00e1rio da porrada<\/u> &#8211; Mais uma prova de que Roma n\u00e3o \u00e9 nada disso. O metr\u00f4 romano \u00e9 uma das coisas mais mal cuidadas do mundo moderno. Na maioria das esta\u00e7\u00f5es, m\u00e1quinas substituem as tradicionais bilheterias. E funcionam s\u00f3 quando querem, \u00f3bvio. Uma delas engoliu nossas moedas, sem emitir o passe. Prontamente, um funcion\u00e1rio da esta\u00e7\u00e3o chegou para resolver o problema: deu um soco animal na m\u00e1quina, que cuspiu a moeda no mesmo instante. Na sequ\u00eancia, colou um papel com fita durex: &#8220;fora de opera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><u>Chata da fila do mercado<\/u> &#8211; O dia 27 prometia. Al\u00e9m do passeio por toda cidade (incluindo vaticano e Coliseu), ainda embarcar\u00edamos na mesma noite para o bate-volta em Bari. Uma parada no supermercado, na Via Mamiani (perto da pra\u00e7a Vitorio Emanuele) era providencial. Depois das compras, hora de pagar. Nisso, uma mulher muito implicante se via com toda a raz\u00e3o do mundo para passar na nossa frente. E ficou gritando, no idioma dela, enquanto acert\u00e1vamos tudo. Outra chata similar me abordou dois dias depois, na Stazione Termini. Acho que eles n\u00e3o sabem o que \u00e9 fila.<\/p>\n<p><u>Loja Mur<\/u> &#8211; Ainda no clima de <i>Lost In Translation<\/i>. Inspirados na cena em que o fot\u00f3grafo pergunta a Bob Harris se ele conhece &#8220;Loja Mur&#8221;, referindo-se a Roger Moore, todo oriental romano (e eram muitos, todos vendedores) eram Loja Mur.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/pkerry3011.jpg\" align=\"right\"><u>Militantes do Kerry<\/u> &#8211; Faltavam poucos dias para as elei\u00e7\u00f5es norte-americanas, e a campanha andava a todo vapor. Inclusive na It\u00e1lia: bem perto do Coliseu e do Foro Romano, um grupo de militantes fazia campanha a favor do candidato democrata, John Kerry. E tinha uma militante&#8230; Por ela eu votava no Kerry ali mesmo!<\/p>\n<p><u>Drink no inferno<\/u> &#8211; Manh\u00e3 do dia 28 de outubro, esta\u00e7\u00e3o central de Bari. Antes de tomarmos mais um trem, para Polignano a Mare, caf\u00e9 da manh\u00e3 na lanchonete do local. Todos, do caixa aos atendentes, pareciam ter acordado naquele minuto. Enquanto lanch\u00e1vamos, assist\u00edamos ao di\u00e1logo entre os dois balconistas: &#8220;quem pediu isso?&#8221;, segurando um sandu\u00edche. &#8220;N\u00e3o sei&#8221;, respondeu o outro. O primeiro jogou o sandu\u00edche pro final do balc\u00e3o, de qualquer jeito&#8230;<\/p>\n<p><u>Dupla de mascates<\/u> &#8211; Os \u00fanicos personagens que metiam medo: dois jovens, que certamente n\u00e3o se conheciam, dividiram conosco o mesmo espa\u00e7o entre Bari e Polignano a Mare, trajeto de meia hora. Em total sil\u00eancio, como se tivessem alguma culpa no cart\u00f3rio. Como os dois seguiriam at\u00e9 Lecce, decidimos n\u00e3o questionar absolutamente nada e descer logo daquele trem.<\/p>\n<p><u>Mo\u00e7a da banca<\/u> &#8211; Diferente da maioria dos italianos, em Polignano a Mare sobravam sorrisos. O primeiro deles logo nos primeiros metros, em uma banca de revistas. a Lu levou de presente um guia da cidade (com um &#8220;grande&#8221; mapa) e eu, alguns postais para a minha cole\u00e7\u00e3o. Ao saber da nossa origem, n\u00e3o pensou duas vezes: &#8220;Brasil? Meio longe, n\u00e9?&#8221;.<\/p>\n<p><u>Mulher anti-baliza<\/u> &#8211; De uma maneira geral, dirige-se mal na Europa. A cada cinco carros estacionados, pelo menos tr\u00eas possuem alguma marca, relacionada a algum acidente. Pois eu precisei viajar alguns milhares de quil\u00f4metros para constatar a maior das barbaridades: uma mulher guiava tranquilamente por uma rua de m\u00e3o dupla. Subitamente, ela invade a faixa da esquerda e estaciona beirando a esquina, em cima da faixa de pedestres. E sem baliza: do jeito que ela veio, parou. Mas o que \u00e9 isso&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/pmastrorosa3011.jpg\" align=\"right\"><u>G. Mastororosa<\/u> &#8211; Cruzamos toda a cidade, \u00e0 beira do mar Adri\u00e1tico, em algumas horas. Interagimos com alguns vendedores, com os gar\u00e7ons de um belo restaurante \u00e0 beira da praia, um dos velhinhos (que nos indicou o banheiro p\u00fablico) e mais ningu\u00e9m. Entre todos os transe\u00fantes, o \u00fanico que faltou falar foi justamente o senhor (ou senhora) G. Mastrorosa, o \u00fanico parente da Lu encontrado neste cantinho, de onde sa\u00edram seus antepassados.<\/p>\n<p><u>Equatoriano das camisas<\/u> &#8211; Para um pa\u00eds que adora futebol, faltam lojas esportivas em Roma. E as camisas de clubes encontradas nos camel\u00f4s s\u00e3o muito, mas muito horr\u00edveis. Levamos dias para encontrar alguma decente. E l\u00e1 estava ela, aos 48 do segundo tempo (29\/10). Em busca dos \u00faltimos presentes, fomos auxiliados por um equatoriano, perdido naquela simp\u00e1tica loja de uniformes e camisas de clubes.<\/p>\n<p><u>Pietro<\/u> &#8211; Ah, mas \u00e9 a nossa \u00faltima refei\u00e7\u00e3o na Europa, diz\u00edamos, antes de encontrar um restaurante especial para nos despedirmos da viagem. Encontramos mais um entre os in\u00fameros nos arredores da Stazione Termini. E com o gar\u00e7om mais simp\u00e1tico entre todos: a cada apari\u00e7\u00e3o, uma piadinha ao estilo &#8220;aproveite bem a vida&#8221;. Boa, Pietro!<\/p>\n<p><u>Taxista honesto<\/u> &#8211; Bem que a Madame Min se esfor\u00e7ou para que as nossas \u00faltimas horas em solo europeu fossem terr\u00edveis. Felizmente, dei sorte ao encontrar um taxista boa gente, que nos levou at\u00e9 o aeroporto de Fiumicino e nos brindou com um bom papo. Sem esquecer de avisar o \u00f3bvio: \u00e9 bem mais barato ir de trem &#8220;Claro que, pra mim, \u00e9 melhor levar voc\u00eas at\u00e9 l\u00e1&#8221;, alertou. Mas vai dizer isso aos reis da bagagem.<\/p>\n<p><u>Z\u00e9 e Roberto<\/u> &#8211; Por culpa de um italiano fiadaputa, nosso tr\u00eas assentos do v\u00f4o AZ674, reservados desde junho, foram desmarcados. Um passageiro exigiu a janelinha, e n\u00f3s pagamos o pato &#8211; ouvimos apenas um &#8220;sinto muito&#8221;. Achei melhor deixar a Lu e o Lello juntos e sentar no assento desmarcado, no meio. Nisso conheci a dupla Z\u00e9 e Roberto, respons\u00e1veis por uma ind\u00fastria de cal\u00e7ados em Franca. Vieram para uma feira do setor. &#8220;A qualidade dos nossos \u00e9 muito superior, mas os italianos tem mais estilo&#8221;. Coitado do Z\u00e9, que passou as onze horas do v\u00f4o com uma forte gripe. Roberto n\u00e3o teve problemas: tomou um calmante e dormiu o tempo todo.<\/p>\n<p><u>Gordinha<\/u> &#8211; Ainda havia uma esperan\u00e7a de sentarmos juntos. Bastava o passageiro exigente topar trocar de assento, e quem sabe, decidir com os dois amigos dos cal\u00e7ados quem senta na janela ou n\u00e3o. A nova dona do assento, sem culpa nenhuma na hist\u00f3ria, era uma m\u00e9dica bastante simp\u00e1tica. Mas um pouco grande. Por essa raz\u00e3o precisava ficar ali mesmo. Nas poucas vezes em que pude conversar com a Lu e o Lello durante o v\u00f4o, ela me pedia desculpas por n\u00e3o ter trocado de assento.<\/p>\n<p><u>Tia May<\/u> &#8211; Nossa \u00faltima personagem deu as caras ainda no avi\u00e3o, mas j\u00e1 na pista do aeroporto de Guarulhos, onde tudo come\u00e7ou (30\/10). Tia May liderava a conversa entre as outras tias, todas vindas de um passeio religioso pela It\u00e1lia. As amigas de Tia May contestavam-na, pelo fato dela ter comprado brinquedos para o seu cachorro &#8211; trata do animalzinho como se fosse seu pr\u00f3prio filho. Usei uma frase do ex-ministro Magri para ganhar a simpatia a tia: &#8220;cachorro tamb\u00e9m \u00e9 gente&#8221;. E antes que algu\u00e9m pergunte, Tia May \u00e9 a \u00fanica refer\u00eancia a &#8220;homem aranha&#8221; que merece cita\u00e7\u00e3o entre todos os nossos inesquec\u00edveis coadjuvantes.<\/p>\n<p>E quem conseguiu chegar at\u00e9 aqui merece uma viagem como a nossa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vejam como a velocidade dos ponteiros do rel\u00f3gio muda mesmo diante da implac\u00e1vel rotina. Enquanto minhas tr\u00eas semanas de f\u00e9rias na Europa pareceram tr\u00eas anos, esse \u00faltimo m\u00eas passou como se tivesse voltado de viagem ontem. 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