{"id":799,"date":"2004-10-01T20:06:07","date_gmt":"2004-10-01T23:06:07","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/quer-virar-jornalista"},"modified":"2004-10-01T20:06:07","modified_gmt":"2004-10-01T23:06:07","slug":"quer-virar-jornalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/quer-virar-jornalista\/","title":{"rendered":"Quer virar jornalista?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Ta\u00ed uma pergunta que fa\u00e7o sempre aos incautos que me procuram, em especial vestibulandos desesperados (e a \u00e9poca \u00e9 essa), assim que descobrem o que diabos tento fazer da minha vida para sobreviver. Antes de ludibri\u00e1-los com mensagens positivas e apaixonadas, adianto o inevit\u00e1vel: &#8220;bem feito, quem mandou n\u00e3o estudar?&#8221;<\/p>\n<p>Ao menos agora tenho mais subs\u00eddios para responder a essa turma ansiosa por aventuras dignas de Clark Kent: <a href=\"http:\/\/super.abril.com.br\/super\/colunas\/chefe\/conteudo_44439.shtml\"><b>este artigo, reproduzido abaixo, de Adriano Silva<\/b><\/a>,  um sujeito que poderia seguir sua pr\u00f3spera carreira na \u00e1rea de marketing, mas decidiu por sua voca\u00e7\u00e3o &#8211; hoje \u00e9 diretor de reda\u00e7\u00e3o da revista Superinteressante.<\/p>\n<p>Pessoalmente, conto nos dedos de uma m\u00e3o os indiv\u00edduos que atendem a maioria dos pr\u00e9-requisitos abaixo. Se voc\u00ea se considera um deles, \u00e9 a sua chance de abrir caminho no disputado mercado dessa profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Recebo muitas mensagens de gente interessada em jornalismo. Perguntam o que \u00e9 necess\u00e1rio para ser um bom jornalista, qual a rotina da profiss\u00e3o, se eu acho que o diploma \u00e9 necess\u00e1rio. Resolvi, nesse m\u00eas, falar um pouco desses tr\u00eas aspectos do jornalismo com voc\u00ea. Se voc\u00ea jamais considerou a vida numa reda\u00e7\u00e3o, \u00e9 a oportunidade de rever essa posi\u00e7\u00e3o. Se realmente essa n\u00e3o for a sua praia, ao menos voc\u00ea poder\u00e1 se divertir entendendo melhor como vive essa turma &#8211; da qual fa\u00e7o parte &#8211; que passa dez, doze horas por dia \u00e0 frente de um computador, de um gravador, de um microfone, de uma c\u00e2mera, de um telefone&#8230;<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 preciso para ser jornalista<\/b> &#8211; Para ser jornalista, leia e escreva muito. E, quando cansar, leia e escreva um pouco mais. Rubem Braga, Nelson Rodrigues, Ruy Castro, Ana Miranda, Rubem Fonseca, E\u00e7a, Machado, Verissimo. Leia tudo deles. Duas vezes &#8211; uma por prazer est\u00e9tico, outra com olhar anal\u00edtico de aprendiz interessado.<\/p>\n<p>Ser jornalista implica ler profissionalmente um bocado de coisas que voc\u00ea n\u00e3o leria por interesse pessoal. E falar com um monte de gente que voc\u00ea jamais convidaria para jantar na sua casa. Implica ser muito curioso, fazer muitas perguntas, ficar incomodado com quest\u00f5es irrespondidas, conviver mal com a pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Ser jornalista demanda tamb\u00e9m humildade. (Pelo menos para quem deseja fazer bom jornalismo.) Bons rep\u00f3rteres n\u00e3o sabem das coisas, mas conhecem quem sabe. Bons jornalistas sabem que n\u00e3o s\u00e3o as suas opini\u00f5es que interessam aos leitores, mas as opini\u00f5es dos especialistas nos assuntos em pauta, das fontes que eles ouvem e entrevistam. Esse exerc\u00edcio de mod\u00e9stia, contri\u00e7\u00e3o de ego e honestidade com o leitor n\u00e3o \u00e9 para qualquer um. Se o que o atrai em jornalismo \u00e9 o p\u00falpito, a oportunidade para empurrar suas teses para um monte de gente, troque j\u00e1 de id\u00e9ia. Isso n\u00e3o \u00e9 jornalismo &#8211; \u00e9 opinionismo, \u00e9 articulismo. Jornalismo, na m\u00e3o contr\u00e1ria, est\u00e1 muito mais para escutar do que para falar, est\u00e1 muito mais em perguntar do que em responder. (Uma pena que a grande maioria da imprensa no Brasil seja imatura, quando n\u00e3o irritante, no que toca a essa quest\u00e3o. V\u00e1rias vezes voc\u00ea abre uma p\u00e1gina e encontra um panfleto disfar\u00e7ado de reportagem.)<\/p>\n<p>Trate tamb\u00e9m de falar ingl\u00eas como um native speaker. More um ano ou dois fora do pa\u00eds. E leia pedagogicamente as mat\u00e9rias de capa das americanas Time e Newsweek e da inglesa The Economist, as tr\u00eas melhores revistas do mundo. N\u00e3o h\u00e1 melhor escola.<\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 a rotina de um jornalista<\/b> &#8211; Em revista, costumamos chegar \u00e0s 10h e sair \u00e0s 20h. Em jornal, a turma costuma chegar depois do meio-dia e s\u00f3 sair l\u00e1 pelas 22h, quando a edi\u00e7\u00e3o do dia seguinte desce para a gr\u00e1fica. Em r\u00e1dio, televis\u00e3o e internet, que ficam 24h ligados no lance, o jornalista costuma trabalhar num dos tr\u00eas turnos de oito horas que comp\u00f5e o dia.<\/p>\n<p>E a rotina \u00e9 aquela: ler, escrever, reescrever, conversar com gente ao telefone, entrevistar pessoas, pesquisar muito. Rep\u00f3rteres vivem mais na rua, apurando os fatos, as hist\u00f3rias. Editores vivem mais na reda\u00e7\u00e3o, na cozinha, junto com o pessoal da Arte, tratando de casar textos e imagens, construindo e polindo as p\u00e1ginas. Designers gr\u00e1ficos, ali\u00e1s, s\u00e3o cada vez mais importantes e reconhecidos no mundo do jornalismo. A uma reportagem n\u00e3o basta ser boa, ela tem que ser bonita tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><b>Diploma \u00e9 necess\u00e1rio?<\/b> &#8211; Acho que, em jornalismo, o diploma tem que se impor por si s\u00f3. Ou seja: ele n\u00e3o deve ser obrigat\u00f3rio. Se o curso de jornalismo for bom, ter o diploma ajudar\u00e1 a abrir portas e todos v\u00e3o tratar de ter um. Porque o empregador escolher\u00e1 quem tiver esse pedigree. Se o curso for in\u00fatil, como \u00e9 a grande maioria atualmente, ser\u00e1 in\u00fatil ter o seu diploma. E n\u00e3o adiantar\u00e1 o governo ou os sindicatos for\u00e7arem a exist\u00eancia artificial desse pedigree. Meu ponto \u00e9 n\u00e3o amarrar essa necessidade numa lei. O pr\u00f3prio mercado, por meio de uma rela\u00e7\u00e3o de demanda e procura, oferecer\u00e1 a melhor regulamenta\u00e7\u00e3o para essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao contratar, n\u00e3o fa\u00e7o quest\u00e3o de ver o diploma do sujeito. Quero, sim, gente que saiba escrever, editar e apurar do modo ex\u00edmio. Se ele ou ela aprendeu  isso na escola, no mercado ou se j\u00e1 nasceu sabendo, n\u00e3o me interessa.<\/i><\/p>\n<p>Em tempo: a discuss\u00e3o sobre diploma merece um cap\u00edtulo a parte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ta\u00ed uma pergunta que fa\u00e7o sempre aos incautos que me procuram, em especial vestibulandos desesperados (e a \u00e9poca \u00e9 essa), assim que descobrem o que diabos tento fazer da minha vida para sobreviver. 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