{"id":791,"date":"2004-09-15T02:48:22","date_gmt":"2004-09-15T05:48:22","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/misterioso-ma-non-troppo"},"modified":"2004-09-15T02:48:22","modified_gmt":"2004-09-15T05:48:22","slug":"misterioso-ma-non-troppo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/misterioso-ma-non-troppo\/","title":{"rendered":"Misterioso&#8230; Ma non troppo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/misterio.gif\" align=\"right\">\u00c9 poss\u00edvel um mesmo espet\u00e1culo, com as mesmas letras, algumas piadas repetidas, praticamente a mesma estrutura&#8230; Enfim, alguma chance deste show permanecer em cartaz durante vinte anos, sempre com casa cheia?<\/p>\n<p>E se a resposta for &#8220;sim&#8221;, resta outra d\u00favida: como se consegue essa proeza?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/tangos1309c.jpg\" align=\"right\">Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, ga\u00fachos de Porto Alegre, estudavam violino juntos. O primeiro j\u00e1 era m\u00fasico desde os 15 anos de idade &#8211; eram dez anos de profissionalismo quando conheceu o segundo, integrante do Grupo Musical Saracura, considerada um marco na m\u00fasica regional do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Decidiram criar um show. Conceberam os personagens &#8211; Kraunus Sang e o maestro Pletskaya, vindos de uma ilha chamada Sbornia, que flutua pelo mundo ap\u00f3s explos\u00f5es nucleares mal-sucedidas. Vindas de suas lixeiras culturais, a dupla resgatou antigos sucessos de Vicente Celestino, Alvarenga e Ranchinho, Cl\u00e1udio Levitan e at\u00e9 Paralamas do sucesso, reciclando tudo em forma de tango. Fizeram sua estr\u00e9ia em agosto de 1984, num bar em Porto Alegre.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/tangos1309a.jpg\" align=\"right\">Desde ent\u00e3o, o espet\u00e1culo <a href=\"http:\/\/www.sbornia.com.br\" target=\"_blank\"><b>Tangos e Trag\u00e9dias<\/b><\/a> n\u00e3o parou mais. \u00c9 considerado um dos maiores sucessos do teatro brasileiro, exportado para a Am\u00e9rica Latina, Portugal e  Espanha. O que mant\u00e9m Hique e Nico surpresos at\u00e9 hoje \u00e9 o fato do Theatro S\u00e3o Pedro, na capital ga\u00facha, manter lota\u00e7\u00e3o esgotada todo m\u00eas de janeiro, \u00e9poca em que os portoalegrenses preferem ficar em Tramanda\u00ed, Cap\u00e3o da Canoa ou outra cidade badalada do litoral.<\/p>\n<p>Uma das melhores defini\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo foi proferida pelo meu \u00eddolo Lu\u00eds Fernando Ver\u00edssimo: &#8220;A Sbornia tem muito a ensinar ao Brasil, e n\u00e3o apenas o Cop\u00e9rnico, sua dan\u00e7a nacional. Eles expulsaram de l\u00e1 os maestros Kraunus e Pletskaia, e o exemplo deveria ser seguido aqui, onde os dois anarquistas musicais, disfar\u00e7ados de Hique Gomez e Nico Nicolaiewski, com seu Tangos e Trag\u00e9dias, amea\u00e7am nossos valores musicais, nossa compostura e nos matam de rir. Fora com eles!&#8221;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/tangos1309b.jpg\" align=\"right\">O mais incr\u00edvel \u00e9 que, em <a href=\"http:\/\/www.projetocasulo.com.br\/arquivos.php?page=000102&amp;img=arquivo\" target=\"_blank\"><b>vinte anos<\/b><\/a>, ainda tem gente que n\u00e3o assistiu ao espet\u00e1culo. Era o meu caso, at\u00e9 o \u00faltimo dia cinco, quando a dupla desembarcou em S\u00e3o Paulo para duas apresenta\u00e7\u00f5es. Teatro lotado, claro. Inclusive por pessoas que, assim como eu, n\u00e3o conheciam o perform\u00e1tico Cop\u00e9rnico, nem mesmo o coral popular durante a Aquarela da Sbornia &#8211; ningu\u00e9m gritou &#8220;Bah&#8221; ap\u00f3s o primeiro verso da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo com gostinho de &#8220;in\u00e9dito&#8221; para a maioria, isso n\u00e3o basta para explicar o sucesso de Tangos e Trag\u00e9dias. At\u00e9 porque, entre uma e outra can\u00e7\u00e3o recente &#8211; incluindo O Rappa, todos os sucessos de sempre estavam no show: o romance das caveiras, a verdadeira maionese, o drama de Ang\u00e9lica, a vers\u00e3o blues de trem das onze e a contagiante ana cristina. Sem falar na despedida: todos participam do espet\u00e1culo at\u00e9 a porta do teatro.<\/p>\n<p>Tangos e Trag\u00e9dias tem como pano de fundo o &#8220;lixo cultural reciclado&#8221;, mas fala em relacionamentos que n\u00e3o d\u00e3o certo. Lamenta\u00e7\u00f5es que todos temos vez ou outra, trag\u00e9dias que se transformam em humor de primeira linha ao som de gaita e violino. Mesmo quem j\u00e1 sofreu por amor &#8211; ou quem j\u00e1 se sentiu rid\u00edculo por causa disso, se identifica inevitavelmente. E se diverte com a criatividade e o talento de Kraunus e Pletskaya.<\/p>\n<p>Como diria Dona Mil\u00fa, desta vez n\u00e3o tem mist\u00e9rio: Tangos e Trag\u00e9dias tem tudo para comemorar mais vinte anos. E meu pr\u00f3ximo passo \u00e9 rever o show em pleno Theatro S\u00e3o Pedro. Vamos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel um mesmo espet\u00e1culo, com as mesmas letras, algumas piadas repetidas, praticamente a mesma estrutura&#8230; Enfim, alguma chance deste show permanecer em cartaz durante vinte anos, sempre com casa cheia? E se a resposta for &#8220;sim&#8221;, resta outra d\u00favida: como se consegue essa proeza? 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