{"id":777,"date":"2004-08-12T22:26:26","date_gmt":"2004-08-13T01:26:26","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/esperando-pelos-patetas"},"modified":"2004-08-12T22:26:26","modified_gmt":"2004-08-13T01:26:26","slug":"esperando-pelos-patetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/esperando-pelos-patetas\/","title":{"rendered":"Esperando pelos patetas&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/olimpico.gif\" align=\"right\">Enquanto a m\u00eddia (especialmente TV) cumprem seu papel ufanista, empurrando nosso esp\u00edrito nacionalista l\u00e1 em cima, outros colocam os pingos nos is e encaram nossa dura realidade ol\u00edmpica &#8211; como fez a <a href=\"http:\/\/www.gazetaesportiva.net\/reportagem\/outros\/rep076.php\" target=\"_blank\"><b>Gazeta Esportiva Net<\/b><\/a> e seu term\u00f4metro.<\/p>\n<p>Existe ainda o outro lado da moeda: a turma dos pessimistas. Aqueles que adoram ver o Brasil num buraco cada vez mais fundo. Natural diante de nossas mazelas sociais, entre outras laranjas podres. Nesse contexto, vale destaque para a coluna de <a href=\"http:\/\/www.veja.com.br\/diogomainardi\"><b>Diogo Mainardi<\/b><\/a> desta semana. Ele aguarda, como muitos, pelas <b>Olimp\u00edadas do Pateta<\/b>. Vale a pena ler a \u00edntegra de novo &#8211; e registrar o seu coment\u00e1rio:<\/p>\n<p><i>Estou pronto para as Olimp\u00edadas. Enrolado na bandeira nacional, e vestindo uma camiseta de poli\u00e9ster amarelinha, cortesia do Banco do Brasil, pretendo acompanhar com ardor o desempenho de nossos atletas em Atenas. Eles n\u00e3o costumam decepcionar. Quando n\u00e3o s\u00e3o eliminados no primeiro dia de competi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o invariavelmente eliminados no segundo. Os meus preferidos s\u00e3o os que chegam desacreditados aos Jogos e, confirmando todos os progn\u00f3sticos, perdem logo de cara. Como o pugilista maranhense nocauteado no terceiro assalto por um filipino canhoto. Ou a esgrimista paranaense sorteada para enfrentar, em sua estr\u00e9ia, a segunda melhor do time romeno. Ou o judoca goiano que sofre um estiramento no primeiro minuto da repescagem. Ou o corredor paulista que comemora o quarto lugar obtido numa final B. Quanto mais incompetentes, melhor. Apre\u00e7o tamb\u00e9m os que gozam de um certo favoritismo e, por falta de controle emocional, acabam sendo derrotados por atletas estrangeiros de retrospecto claramente inferior. S\u00f3 desaprovo aqueles irrespons\u00e1veis que teimam em ir derrotando seus advers\u00e1rios um a um at\u00e9 a conquista de uma improv\u00e1vel medalha de bronze, com direito a l\u00e1grimas no p\u00f3dio e dedicat\u00f3rias a Deus. O dever dos atletas brasileiros \u00e9 perder. Perder sempre. Preferivelmente, de maneira espalhafatosa, trope\u00e7ando nos obst\u00e1culos e se esborrachando na pista.<\/p>\n<p>Sobre as virtudes c\u00edvicas da derrota, assista a Campe\u00e3o Ol\u00edmpico. Trata-se da obra definitiva sobre o tema. Estrelado por Pateta e dirigido por Jack Kinney, insere-se no ciclo esportivo formado por A Arte da Defesa Pessoal, A Arte de Esquiar, Como Nadar, Como Jogar Beisebol e Como Jogar Golfe. Em Campe\u00e3o Ol\u00edmpico, Pateta repercorre a origem dos Jogos Ol\u00edmpicos e se exibe nas principais modalidades do atletismo. Claro que ele trope\u00e7a nos obst\u00e1culos. Claro que se esborracha na pista. Foi trope\u00e7ando nos obst\u00e1culos e se esborrachando na pista que Pateta derrotou Hitler. O lan\u00e7amento de Campe\u00e3o Ol\u00edmpico ocorreu em 9 de outubro de 1942. As Olimp\u00edadas estavam suspensas por causa da II Guerra Mundial. Os \u00faltimos Jogos, realizados em 1936, em Berlim, haviam sido transformados em plataforma de propaganda para o nazismo, exaltando conceitos como supremacia racial, orgulho nacional, disciplina marcial e adora\u00e7\u00e3o do l\u00edder tot\u00eamico. O document\u00e1rio celebrat\u00f3rio de Leni Riefenstahl sobre as Olimp\u00edadas de Berlim mostra tudo isso. Campe\u00e3o Ol\u00edmpico \u00e9 o contr\u00e1rio. Dura oito minutos. E, em apenas oito minutos, Pateta consegue destruir o ufanismo esportivo do nazismo e de outros regimes totalit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Comemoram-se o Dia D e a batalha de Stalingrado. Proponho comemorar igualmente as Olimp\u00edadas do Pateta. Ao trope\u00e7ar nos obst\u00e1culos e se esborrachar na pista, os atletas brasileiros n\u00e3o ir\u00e3o derrubar Hitler, porque n\u00e3o temos nenhum Hitler. Quem sabe derrubem um diretor do Banco do Brasil. Quem sabe at\u00e9 dois.<\/i><\/p>\n<p><font color=\"#00CCFF\"><b>Piada fraca ol\u00edmpica<\/b><\/font> &#8211; A sele\u00e7\u00e3o portuguesa protagonizou a maior zebra at\u00e9 agora: perdeu para o Iraque, por 4 a 2. Vamos ver se na pr\u00f3xima rodada eles bombardeiam mais um!<\/p>\n<p><font color=\"#00CCFF\"><b>Cascata do dia<\/b><\/font> &#8211; Ainda sobre o time que vai para Atenas apenas para competir: <strong><a href=\"http:\/\/esporte.uol.com.br\/olimpiadas\/ultimas\/2004\/08\/11\/ult2246u457.jhtm\" target=\"_blank\">conhe\u00e7a a delega\u00e7\u00e3o de Kiribati<\/a><\/strong>, pa\u00eds formado por ilhas perdidas no meio da Oceania. Voc\u00ea conhecia? De acordo com a mat\u00e9ria, mais do que torcer pelos atletas do pa\u00eds, os habitantes v\u00e3o mesmo \u00e9 ficar embasbacados diante de algo incomum na vida deles: uma maquininha chamada televis\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a m\u00eddia (especialmente TV) cumprem seu papel ufanista, empurrando nosso esp\u00edrito nacionalista l\u00e1 em cima, outros colocam os pingos nos is e encaram nossa dura realidade ol\u00edmpica &#8211; como fez a Gazeta Esportiva Net e seu term\u00f4metro. Existe ainda o outro lado da moeda: a turma dos pessimistas. Aqueles que adoram ver o Brasil [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-777","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-especiais-do-mmm"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=777"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/777\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}