{"id":77,"date":"2007-10-21T21:08:53","date_gmt":"2007-10-22T00:08:53","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/o-misterio-entre-rio-e-sp-num-taxi"},"modified":"2007-10-21T21:08:53","modified_gmt":"2007-10-22T00:08:53","slug":"o-misterio-entre-rio-e-sp-num-taxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/o-misterio-entre-rio-e-sp-num-taxi\/","title":{"rendered":"O mist\u00e9rio entre Rio e SP, num t\u00e1xi"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/misterio.gif\" align=\"right\" \/><b>Rio de Janeiro (RJ)<\/b> &#8211; Tirei o domingo para fazer um bate-volta na Cidade Maravilhosa, por conta do BarCamp Rio. Tempo suficiente para rever muita gente, mas n\u00e3o para dar uma boa volta na orla. Mas assm como em outras ocasi\u00f5es, a viagem deve render novos tratado sobre os taxistas cariocas. Cheguei aos dois extremos: desde o antip\u00e1tico e mal-educado at\u00e9 o cara legal que fez quest\u00e3o de passar pelo caminho mais curto.<\/p>\n<p>Mas teve um, em 2005, que, definitivamente, merece destaque. Estava na Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, no Botafogo. Entrei no tradicional carro amarelo com aquela faixa horizontal azul e cumprimentei o motorista, rapaz novo, moreno e parrudo.<\/p>\n<p>&#8220;Boa noite. Avenida Rio Branco, esquina Visconde de Inha\u00fama, por favor. Pode ir pela praia mesmo&#8221;, disse, demonstrando conhecimentos b\u00e1sicos em geografia carioca, j\u00e1 que tamb\u00e9m era poss\u00edvel ir at\u00e9 o centro pelo aterro.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, uma pausa. A diferen\u00e7a entre os taxistas do Rio e de S\u00e3o Paulo \u00e9 que os primeiros perguntam &#8220;por qual caminho&#8221;, referindo-se a praia ou o aterro. J\u00e1 os segundos perguntam &#8220;pra que lado fica&#8221;, pois normalmente n\u00e3o fazem a menor id\u00e9ia de qual rua estamos falando.<\/p>\n<p>&#8220;P\u00f4, mas tu \u00e9 paulista, a\u00edh&#8230;&#8221;, respondeu o sujeito, com uma voz quase amea\u00e7adora.<\/p>\n<p>At\u00e9 pensei em enrolar o cara, falar que a minha fam\u00edlia \u00e9 do Rio Grande do Sul, coisa e tal. Preferi assumir minha paulistanidade, afinal, 2005 foi o meu &#8220;ano da coragem&#8221;. N\u00e3o demorou para que S\u00e9rgio &#8211; esse era o primeiro nome na plaqueta de identifica\u00e7\u00e3o do condutor &#8211; contasse parte da sua hist\u00f3ria. Especificamente, o per\u00edodo em que viveu em S\u00e3o Paulo. Durou pouco mais de dois anos.<\/p>\n<p>&#8220;Foi horr\u00edvel. Uma das piores experi\u00eancias da minha vida&#8221;, desabafou. Antes que eu fizesse alguma piadinha envolvendo labuta e cariocas, S\u00e9rgio se antecipou e revelou que subiu rapidamente na empresa de seguran\u00e7a onde trabalhava. O que lhe rendeu alguma hostilidade.  &#8220;Uns caras ficavam putos. Como \u00e9 que esse carioca vira encarregado com seis meses, enquanto outros tinham mais tempo. Mas eram todos folgados&#8221;, lembrou.<\/p>\n<p>Fora do ambiente de trabalho, outra grande dificuldade paulistana, segundo o taxista: mulheres. &#8220;Elas n\u00e3o d\u00e3o mole pra ningu\u00e9m. Aqui \u00e9 s\u00f3 chegar e elas j\u00e1 se ligam, mas l\u00e1 era imposs\u00edvel&#8221;. Demorou muito tempo at\u00e9 sua l\u00e1bia convencer alguma paulistana, mas conseguiu. Namorou a mesma enquanto permaneceu na cidade &#8211; escaldado, n\u00e3o quis se esfor\u00e7ar para buscar uma segunda op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a gota d\u00b4\u00e1gua, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, foi a viol\u00eancia em S\u00e3o Paulo. S\u00e9rgio vivia num apartamento alugado na Zona Norte, onde fez alguns amigos. Ou melhor, poucos. &#8220;\u00c9 um povo muito fechado, mal te cumprimentam. S\u00f3 os vizinhos mais pr\u00f3ximos mesmo&#8221;. Um deles era jovem, tinha 19 anos. Moleque boa gente, mas que certo dia cruzou o caminho de duas figuras mal encaradas. &#8220;Os caras implicaram com ele e, sei l\u00e1 por que, mataram. J\u00e1 estava com vontade de voltar pro Rio, e aquilo foi o fim&#8221;.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, j\u00e1 estava conduzindo seu t\u00e1xi entre as belezas da Cidade Maravilhosa. Violenta e maltratada sim, mas com praias e mulheres num estalar de dedos. Ao sair, S\u00e9rgio ainda me desejou &#8220;boa viagem, e boa sorte&#8221;. Enquanto o t\u00e1xi partia, tentei imaginar o que seria esse algo a mais, que traz tantas diferen\u00e7as no ambiente a ponto de atrapalhar o aut\u00eantico carioca que deseja viver em S\u00e3o Paulo. E vice-versa.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, motivos n\u00e3o faltam realmente. Mas prefiro acionar Dona Mil\u00fa.<\/p>\n<p><i>(Postado em 02\/03\/2005)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro (RJ) &#8211; Tirei o domingo para fazer um bate-volta na Cidade Maravilhosa, por conta do BarCamp Rio. Tempo suficiente para rever muita gente, mas n\u00e3o para dar uma boa volta na orla. Mas assm como em outras ocasi\u00f5es, a viagem deve render novos tratado sobre os taxistas cariocas. 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