{"id":754,"date":"2004-06-21T13:51:24","date_gmt":"2004-06-21T16:51:24","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/desculpas-aceitas-permanentemente"},"modified":"2004-06-21T13:51:24","modified_gmt":"2004-06-21T16:51:24","slug":"desculpas-aceitas-permanentemente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/desculpas-aceitas-permanentemente\/","title":{"rendered":"Desculpas aceitas, permanentemente"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\">Era madrugada de quinta para sexta-feira. Devia ser o fim de mais um daqueles dias que passou sem que ningu\u00e9m percebesse, onde nos sentimos a criatura mais in\u00fatil da face da Terra.<\/p>\n<p>Vontade de terminar melhor a noite. A solu\u00e7\u00e3o estava perto de mim: o telefone celular. Algumas tecladas e os n\u00fameros da sorte j\u00e1 estavam no display. Outros algarismos me preocupavam: os que marcavam o adiantado da hora. Mas vontade de ouvir palavras animadoras, que pudessem anestesiar o efeito daquele dia, foi maior. Apertei o &#8220;send&#8221;. Atendeu algu\u00e9m com voz embargada pelo sono.<\/p>\n<p>&#8211; Mmmhhhhnnnaaalooohh&#8230;<br \/>\n&#8211; Oi! Te acordei?<\/p>\n<p>Um adendo: sou especialista em perguntas assim &#8211; por essas questiono se estou mesmo na profiss\u00e3o certa.<\/p>\n<p>&#8211; Nnzzhhhaacordou&#8230; Quem t\u00e1 falando&#8230;<br \/>\n&#8211; Como assim quem? Sou eu, p\u00f4! N\u00e3o disse que ia te ligar?<br \/>\n&#8211; Zzzzzvoc\u00ea? voc\u00ea quem? n\u00e3o te conhe\u00e7o&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o pensei duas vezes e desliguei o telefone. No minuto seguinte, mandei uma mensagem de texto para o mesmo n\u00famero: &#8220;estou me sentindo um idiota por te acordar no meio da noite&#8230; Desculpas. Prometo te ligar em uma hora melhor da pr\u00f3xima vez&#8230;&#8221;. Eram duas da manh\u00e3 de um 20 de junho perdido no passado.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, fui surpreendido por uma mensagem. Tinha a imagem de um avestruz, seguido por um poeminha. Dizia que algumas coisas que fazemos, mesmo sem maldade, s\u00e3o dif\u00edceis de se explicar. E em momentos assim, a \u00fanica coisa poss\u00edvel era se enfiar num buraco, deixar o mal-estar passar e pedir desculpas sinceras.<\/p>\n<p>Toda essa historinha pra chegar a uma \u00fanica conclus\u00e3o. Em algum momento na vida, uma ou outra palavra ou a\u00e7\u00e3o pode incomodar outras pessoas. E das duas uma: ou existe maldade, arrog\u00e2ncia, falsidade, infantilidade, entre outras caracter\u00edsticas que definem o pior tipo de ser humano; ou foi sem querer.<\/p>\n<p>Pessoas do primeiro caso n\u00e3o merecem qualquer tipo de esfor\u00e7o ou pensamento &#8211; costumo ignorar a presen\u00e7a destas e otimizar meu tempo com as outras. As que normalmente refletem, reconhecem erros, se arrependem do que fazem&#8230; Mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 o menor sentido em fazer isso, como na historinha acima.<\/p>\n<p>Tenho a imensa felicidade de estar cercado de pessoas que merecem o tal &#8220;aceite permanente de desculpas&#8221;. Entre elas algu\u00e9m que, desde um 20 de junho qualquer,  j\u00e1 consegue concatenar melhor as id\u00e9ias ao atender o telefone dormindo. Mais do que isso: \u00e9 a maior prova de que essa pol\u00edtica funciona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era madrugada de quinta para sexta-feira. Devia ser o fim de mais um daqueles dias que passou sem que ningu\u00e9m percebesse, onde nos sentimos a criatura mais in\u00fatil da face da Terra. Vontade de terminar melhor a noite. A solu\u00e7\u00e3o estava perto de mim: o telefone celular. 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