{"id":736,"date":"2002-12-25T21:47:00","date_gmt":"2002-12-26T00:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/nao-chores-por-mim-argentina-epilogo"},"modified":"2002-12-25T21:47:00","modified_gmt":"2002-12-26T00:47:00","slug":"nao-chores-por-mim-argentina-epilogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/nao-chores-por-mim-argentina-epilogo\/","title":{"rendered":"N\u00e3o chores por mim, Argentina! Ep\u00edlogo!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-retro2002.gif\" align=\"right\">Segundo dia. Despertei com a TV sintonizada na Televisa: assisti ao Chaves sem dublagem! Mudei de canal e deparei com Bart Simpson falando &#8220;chican\u00eas&#8221;. Impag\u00e1vel! Aquela manh\u00e3 de s\u00e1bado era destinada ao city tour. Circulamos por toda a cidade, com direito a fotos na famosa Pra\u00e7a de Mayo e compras no tradicional Caminito, no bairro La Boca.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/retroar2512c.jpg\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/argentina2512d.jpg\" align=\"left\">Ali\u00e1s, o dia pode ser resumido em muitas compras e muitos pedintes. A come\u00e7ar com a pr\u00f3pria pra\u00e7a das m\u00e3es e seus len\u00e7os brancos: l\u00e1 fui abordado por uma velhota amiga dos pombos, que fez quest\u00e3o de pedir uma esmolinha. Tanto no Caminito quanto na Calle Florida, nosso destino da tarde (ap\u00f3s o almo\u00e7o no Burger King), dezenas artistas de rua tentavam chamar a aten\u00e7\u00e3o em busca de alguns trocados. Na sa\u00edda do El Ateneo, uma esp\u00e9cie de &#8220;livraria mega-store&#8221;, fui abordado por uma menina muito chata &#8211; como &#8220;lembran\u00e7a&#8221;, dei a ela dois reais. Tadinha.<\/p>\n<p>A Calle Florida, ponto comercial da cidade onde um d\u00f3lar variava entre $ 2,50 e $ 3,30, nos reservou outras coisas interessantes. Como o aviso num pequeno sebo: &#8220;se n\u00e3o for comprar nada, seja breve&#8221;! Cansados, os tr\u00eas ainda tiveram f\u00f4lego para caminhar pelos corredores das Galerias Pac\u00edfico e seus afrescos no teto, com direito a sorvete de pomelo num quiosque chamado La Veneziana. Compartilhamos o final da tarde ao lado dos nossos hermanos sentados na grama da Pra\u00e7a San Martin. Uma beleza!<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/retroar2512e.jpg\"><\/div>\n<p>A noite era uma crian\u00e7a. Mal deu tempo de cochilar duas horas para sairmos em dire\u00e7\u00e3o a casa de tangos Carlos Gardel. Um lugar onde os espet\u00e1culos s\u00e3o formatados especificamente para turistas. &#8220;Isso \u00e9 dan\u00e7a de puteiro&#8221;, comentou Narazaki, que ali\u00e1s pagou a minha entrada. Durante a apresenta\u00e7\u00e3o, eu e Sakate discut\u00edamos se o m\u00fasico tocava sanfona ou gaita. No jantar, carinho e fraquinho &#8211; at\u00e9 hoje o Narazaki espera pelas &#8220;papas fritas&#8221;que pediu &#8211; conhecemos duas novas amigas, Maria e Sofia, que estiveram conosco no restante da noite!<\/p>\n<p>Assim, os cinco sa\u00edram para aproveitar a noite portenha. Primeiro, no cassino flutuante, portentosa instala\u00e7\u00e3o em um navio ancorado &#8211; a legisla\u00e7\u00e3o da Capital Federal argentina n\u00e3o permite jogos de azar em seu territ\u00f3rio, mas n\u00e3o restringe o Rio da Prata&#8230; \u00c9 o nosso jeitinho brasileiro! Tanto no cassino quanto no bairro da Recoleta &#8211; point onde est\u00e3o os bares mais conhecidos e o cemit\u00e9rio da cidade, n\u00e3o ganhamos nada&#8230; Terminamos a madrugada ali mesmo, por volta das cinco da manh\u00e3. Loucos de sono, num lugar chamado Spell Caf\u00e9, ao som empolgante do Manu Chao&#8230;<\/p>\n<p>Claro que perdi o caf\u00e9 da manh\u00e3 do hotel no dia seguinte. Est\u00fapido. Mas ainda deu tempo de pegar o metr\u00f4 e caminhar at\u00e9 a Feira de San Telmo, uma &#8220;pra\u00e7a Benedito Calixto&#8221; com shows de tango, muitas quinquilharias e raridades! Foi no caminho da feira que o Narazaki descobriu que precisava ter moedas para pagar os \u00f4nibus da cidade&#8230; Teve que ser convidado a sair do coletivo! <\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/retroar2512i.jpg\"><\/div>\n<p>Em San Telmo encontrei uma banquinha de revistas antigas &#8211; entre outras preciosidades, l\u00e1 estava a edi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da El Gr\u00e1fico da final do Mundial de 1978, sediado e vencido pelos argentinos. Foram 15 pesos bem gastos, para desespero do Sakate, que passou pelo mesmo local instantes depois. Tente imaginar como estava a cara dele ap\u00f3s a cena abaixo, horas depois.<\/p>\n<p>&#8211; Tive que comprar essa revistinha meia-boca, o vendedor tinha acabado de vender a da final&#8230;<br \/>&#8211; Voc\u00ea t\u00e1 falando&#8230; dessa aqui?<\/p>\n<p>A revista foi o assunto durante a volta, com direito a empanadas num boteco de esquina e almo\u00e7o. No McDonalds, claro! Onde mais turistas brasileiros iriam pensar em comer? Para o domingo a tarde, o programa era unanimidade: Boca e V\u00e9lez em La Bombonera, pela pen\u00faltima rodada do Torneio Clausura! Na \u00e9poca, o notici\u00e1rio esportivo parava constantemente nas p\u00e1ginas policiais, em fun\u00e7\u00e3o das brigas envolvendo torcedores. Ainda assim, corri o risco e levei a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica, para desespero dos meus dois companheiros.<\/p>\n<p>A aventura come\u00e7ou na chegada ao est\u00e1dio. Policiais perguntaram se &#8220;\u00e9ramos visitantes&#8221;. Demorou para a ficha cair: ele se referia a torcida do V\u00e9lez&#8230; Novamente fizemos a volta no quarteir\u00e3o, compramos os ingressos, passamos por tr\u00eas revistas at\u00e9 chegar ao segundo andar de arquibancadas, bem atr\u00e1s do gol. Faltavam duas horas para o in\u00edcio da partida, o est\u00e1dio ainda estava vazio.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/retroar2512h.jpg\"><\/div>\n<p>Os minutos passavam e &#8220;los xeneizes&#8221;, torcedores do Boca, come\u00e7avam a tomar conta do lugar. Os mais audaciosos subiam nos alambrados para pendurar longas e gastas faixas azuis e amarelas, que al\u00e9m de enfeitar as arquibancadas, serviam de apoio para os torcedores mais afoitos. Minutos antes da partida, parec\u00edamos estar no meio dos barra bravas!<\/p>\n<p>Come\u00e7a o jogo. Mas ao contr\u00e1rio do que estamos acostumados no Brasil, s\u00e3o poucos que se importam realmente com a partida: o nosso lado da arquibancada n\u00e3o parou de cantar um s\u00f3 minuto durante os 90 minutos de partida. Nem mesmo durante o primeiro gol do Boca, no empate do V\u00e9lez ou no gol da vit\u00f3ria do time da casa por 2 a 1: &#8220;la hinchada&#8221; n\u00e3o deu tr\u00e9gua a ningu\u00e9m . Foram duas horas em p\u00e9, passando frio e cantando em espanhol. Mas como valeu a pena!<\/p>\n<p>Bem, poderia ter sido melhor. Na sa\u00edda do est\u00e1dio, um princ\u00edpio de tumulto fez com que a pol\u00edcia jogasse bombas de g\u00e1s para dispersar os torcedores. E n\u00f3s est\u00e1vamos bem no meio de tudo aquilo, observando a fuma\u00e7a e a multid\u00e3o correndo em nossa dire\u00e7\u00e3o&#8230; Nem deu tempo de gritar &#8220;corre&#8221;: j\u00e1 est\u00e1vamos fugindo junto! Como todo castigo pra pobre \u00e9 pouco, n\u00e3o encontramos o nosso \u00f4nibus: fomos obrigados a gastar nossos \u00faltimos pesos num t\u00e1xi.<\/p>\n<p>Nossa \u00faltima noite em Buenos Aires terminou com uma caminhada na Avenida de Mayo e suas preservadas constru\u00e7\u00f5es antigas. Encontramos um simp\u00e1tico restaurante de &#8220;pizza libre&#8221;, o nosso popular rod\u00edzio. Al\u00e9m do balan\u00e7o da viagem, a loirinha que nos atendia tamb\u00e9m esteve na pauta. Narazaki venceu a aposta, acertando na mosca a idade da gar\u00e7onete: 22 anos! Sim, perguntamos a idade para a mo\u00e7a antes de sair em dire\u00e7\u00e3o a um cyber caf\u00e9, onde os dois corintianos nip\u00f4nicos descobriram que o Corinthians havia vencido a primeira pela final do natimorto Rio-SP.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/retroar2512g.jpg\"><\/div>\n<p>N\u00e3o consegui assistir ao filme &#8220;Y Donde Estan Las Mujeres&#8221;, que estava em cartaz na cidade &#8211; pergunta que coincidentemente fiz durante todo o ano. Mas ainda deu tempo de dar uma nova circulada pelos arredores da cidade na segunda-feira pela manh\u00e3, antes do nosso embarque para S\u00e3o Paulo. Na bagagem, a minha camisa do River, um CD, alguns jornais e revistas locais, quatro filmes de 36 poses batidos, muitos pap\u00e9is e algumas lembran\u00e7as!<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/argentina2512e.jpg\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo dia. Despertei com a TV sintonizada na Televisa: assisti ao Chaves sem dublagem! Mudei de canal e deparei com Bart Simpson falando &#8220;chican\u00eas&#8221;. Impag\u00e1vel! Aquela manh\u00e3 de s\u00e1bado era destinada ao city tour. Circulamos por toda a cidade, com direito a fotos na famosa Pra\u00e7a de Mayo e compras no tradicional Caminito, no bairro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-736","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-especiais-do-mmm"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/736\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}