{"id":73,"date":"2011-02-24T19:50:24","date_gmt":"2011-02-24T19:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/fomentar-as-mesmas-panelinhas-so-trara-resultados-nelas-mesmas"},"modified":"2011-02-24T19:50:24","modified_gmt":"2011-02-24T19:50:24","slug":"fomentar-as-mesmas-panelinhas-so-trara-resultados-nelas-mesmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/fomentar-as-mesmas-panelinhas-so-trara-resultados-nelas-mesmas\/","title":{"rendered":"Fomentar as mesmas panelinhas s\u00f3 trar\u00e1 resultados nelas mesmas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>Voc\u00ea j\u00e1 se viu na situa\u00e7\u00e3o de encontrar uma ferramenta nova, come\u00e7ar a us\u00e1-la, descobrir tudo o que ela tem a oferecer e, ao falar dela com entusiasmo para alguns amigos, ouve de volta um &#8220;demorou, isso a\u00ed eu j\u00e1 conhecia h\u00e1 tempos!&#8221;. Foi exatamente o que aconteceu comigo ao descobrir, recentemente, o <a href=\"http:\/\/www.lastfm.com.br\/user\/andremarmota\">Last.fm<\/a>.<\/p>\n<p>Sim, eu sabia da exist\u00eancia deste site de relacionamentos cujo pano de fundo \u00e9 a m\u00fasica. Deve ter uns cinco anos, aproximadamente. Minha refra\u00e7\u00e3o diante de mais um servi\u00e7o online com cadastro de perfil, gerenciamento de login e senha, conex\u00f5es com outros usu\u00e1rios&#8230; Enxergava apenas a mesma din\u00e2mica de outros servi\u00e7os, sem perceber uma utilidade capaz de me convencer a investir meu tempo ali. Talvez voc\u00ea n\u00e3o s\u00f3 respeite essa explica\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m se identifique com ela.<\/p>\n<p>Enfim, s\u00f3 quando passei uma tarde com uma amiga pude entender a din\u00e2mica do Last.fm: n\u00e3o se trata apenas de um registro de m\u00fasicas ouvidas, mas sim um engenhoso sistema de recomenda\u00e7\u00f5es baseado na simples troca de prefer\u00eancias com outros usu\u00e1rios. \u00c9 de uma simplicidade maravilhosa: se eu gosto de ouvir a banda X, o algoritmo por tr\u00e1s do sistema apresenta para mim o artista Y. Eu nem preciso gostar ou n\u00e3o das mesmas m\u00fasicas dos amigos. Ali\u00e1s, nem preciso estabelecer conex\u00f5es diretas com eles: posso &#8220;invadir&#8221; playlists de qualquer pessoa, inclusive quem nunca vi, para comparar prefer\u00eancias e descobrir novos sons. Por fim, em um ou dois cliques, posso deixar o sistema oferecer recomenda\u00e7\u00f5es e me surpreender com elas.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, assisti \u00e0 confer\u00eancia do pesquisador <a href=\"http:\/\/www.ted.com\/speakers\/ethan_zuckerman.html\" target=\"_blank\">Ethan Zuckerman no TED<\/a>. Em seu discurso, sobre os &#8220;pontos obscuros do planeta&#8221; perante \u00e0 m\u00eddia, ele faz uma considera\u00e7\u00e3o que, de t\u00e3o \u00f3bvia, poucos percebem. De fato a infra-estrutura que comp\u00f5e a Internet permite que, em poucos cliques, tenhamos acesso a qualquer conte\u00fado que desejarmos. No entanto, limitamos nossa rela\u00e7\u00e3o a contatos que escolhemos, normalmente pessoas com prefer\u00eancias parecidas. Zuckerman revela outro dado: tanto no Brasil quanto em alguns pa\u00edses com grande representatividade da popula\u00e7\u00e3o na rede, mais de 90% dos conte\u00fados noticiosos que circulam representam acessos a sites dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Lembrei disso tudo durante um encontro que tive com um grande amigo, bastante fatalista diante do aquecido mercado das m\u00eddias sociais. A percep\u00e7\u00e3o dele, diante do barulho, \u00e9 a de que &#8220;tem muita gente falando, mas poucos ouvintes &#8211; isto quando n\u00e3o s\u00e3o os mesmos&#8221;. Ele vai al\u00e9m: a ilus\u00e3o que temos de que &#8220;se minha mensagem \u00e9 repassada por pessoas que mant\u00e9m uns mil contatos, isso n\u00e3o significa uma audi\u00eancia de dois mil, afinal \u00e9 uma rede e muitos destes se conhecem tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>Realmente, se observarmos nosso pr\u00f3prio comportamento, s\u00e3o raros os usu\u00e1rios curiosos, capazes de &#8220;furar suas bolhas&#8221; e, num clique em algum trending topic, &#8220;invadir&#8221; conversas quaisquer e perceber o que outros grupos est\u00e3o falando sobre assuntos que podem ser t\u00e3o interessantes quanto aqueles dos seus contatos. N\u00e3o demorou para imaginar que, em pouco tempo, algum nerd competente vai identificar essa necessidade e criar um &#8220;Last.fm em formato texto&#8221;, capaz de abrir cortinas para conex\u00f5es que est\u00e3o bem a frente &#8211; fechadas por conta de dificuldades culturais, do idioma, entre outras.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, talvez fosse interessante explorar novos fluxos em ambientes diferentes. Assim, poder\u00edamos questionar com maior facilidade a id\u00e9ia de que &#8220;fomentar as mesmas panelinhas s\u00f3 trar\u00e1 resultados nelas mesmas&#8221;.<\/p>\n<p><i>(Publicado originalmente no IDGNow)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 se viu na situa\u00e7\u00e3o de encontrar uma ferramenta nova, come\u00e7ar a us\u00e1-la, descobrir tudo o que ela tem a oferecer e, ao falar dela com entusiasmo para alguns amigos, ouve de volta um &#8220;demorou, isso a\u00ed eu j\u00e1 conhecia h\u00e1 tempos!&#8221;. 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