{"id":71,"date":"2009-07-12T01:38:11","date_gmt":"2009-07-12T04:38:11","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/ronaldo-teve-piripaque-e-a-cbf-vendeu-a-copa-de-98-para-a-franca"},"modified":"2009-07-12T01:38:11","modified_gmt":"2009-07-12T04:38:11","slug":"ronaldo-teve-piripaque-e-a-cbf-vendeu-a-copa-de-98-para-a-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/ronaldo-teve-piripaque-e-a-cbf-vendeu-a-copa-de-98-para-a-franca\/","title":{"rendered":"Ronaldo teve piripaque e a CBF vendeu a Copa de 98 para a Fran\u00e7a!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-copa.gif\" align=\"right\" \/>No \u00faltimo encontro entre Brasil e Fran\u00e7a em uma Copa do Mundo, em 2006, todos sabem perfeitamente o que houve. Aquele time do Parreira entrou em campo como se fosse um divertido encontro de compadres, sem nenhum compromisso. Como se estivessem treinando em Weggis, na Su\u00ed\u00e7a. Teve ainda a meia do Roberto Carlos e &#8211; como se isso fosse irrelevante &#8211; uma atua\u00e7\u00e3o convincente dos franceses.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que, diante de uma elimina\u00e7\u00e3o num Mundial, a coisa mais dif\u00edcil para o brasileiro \u00e9 eliminar d\u00favidas. Como pode um time ostentar o melhor futebol do mundo e perder? Ora, l\u00f3gico que um time perde como em qualquer jogo. Explicar uma derrota pode ser simples, como em 2006. Mas e em 1998, naqueles 3 a 0 do Stade de France, em 12 de julho?<\/p>\n<p>Resumidamente, at\u00e9 os 27 do primeiro tempo, o jogo parecia equilibrado. Ent\u00e3o Roberto Carlos (aquele da meia) teve a chance de jogar a bola pra lateral. Preferiu a linha de escanteio. Bola no alto, cabe\u00e7a de Zidane, gol. No \u00faltimo minuto antes do intervalo, novo escanteio para os donos da casa. O que houve? Bola no alto, cabe\u00e7a de Zidane, gol.<\/p>\n<p>Praticamente ningu\u00e9m viu o segundo tempo. Quem ouviu alguma narra\u00e7\u00e3o acompanhou relatos de um time ap\u00e1tico, de cabe\u00e7a baixa. Atacou boa parte do tempo, mas a rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o deu em nada. Os poucos crentes se resignaram \u00e0 medida em que o tempo passava. Finalmente, Petit selou a festa em Paris, aos 47 da etapa final.<\/p>\n<p>Enfim, isso foi o que todos viram. Quer dizer, vimos ainda a m\u00eddia fazer exatamente aquilo que deveria antes da final: lembrar que o Brasil vinha crescendo na competi\u00e7\u00e3o, demonstrando compet\u00eancia desde a vit\u00f3ria contra a Dinamarca e sorte na semifinal diante da Holanda. Se dependesse apenas do discurso televisivo, n\u00e3o tinha como n\u00e3o ganhar da Fran\u00e7a!<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/090712_brasilxfranca98.jpg\"><\/div>\n<p>Agora, vamos ao que at\u00e9 hoje, onze anos depois, permanece sem explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Horas antes da partida, as emissoras de TV se surpreenderam com a escala\u00e7\u00e3o de Edmundo ao lado de Bebeto. Ronaldo, duas vezes o melhor do mundo, estava no banco. At\u00e9 uma nova lista vir com o nome do Fen\u00f4meno tempos depois, os disparates j\u00e1 estavam lan\u00e7ados. O primeiro deles na boca de Galv\u00e3o Bueno: &#8220;foi uma brincadeira de mau gosto!&#8221;. At\u00e9 Suzana Verner, imagem recorrente das arquibancadas, foi acusada de &#8220;dopar&#8221; o ent\u00e3o marido!<\/p>\n<p>Jogo perdido, time abatido&#8230; Em pouco tempo, o enredo de novela estava preparado. Antes do jogo, Ronaldo (ainda Ronaldinho) teve uma crise nervosa, convuls\u00e3o, piripaque, dor de barriga&#8230; Roberto Carlos, seu colega de quarto, se apavorou. Todos ficaram apavorados. Mencionaram ataque epil\u00e9tico! Diziam que estava espumando! Temiam por sua vida!  <\/p>\n<p>Essa \u00e9 s\u00f3 a primeira parte da lenda. A segunda, mais cr\u00edvel, diz respeito ao vesti\u00e1rio. Os jornalistas j\u00e1 tinham a escala\u00e7\u00e3o com o Animal quando Ronaldinho chegou da cl\u00ednica, ao lado do lend\u00e1rio Doutor L\u00eddio Toledo, entre outros. Com exames complet\u00edssimos e sem nada anormal, disse estar apto a jogar. At\u00e9 Ricardo Teixeira, apreensivo com o burburinho provocado por Edmundo na lista, participou daquela prele\u00e7\u00e3o muito louca. No Stade de France, uma nota oficial dizia que Ronaldo ainda sentia o tornozelo atingido por um dos De Boer no jogo anterior&#8230;<\/p>\n<p>Zico &#8211; aquele que havia cortado Rom\u00e1rio antes da Copa &#8211; era contra a presen\u00e7a de Ronaldo. O jogador, respaldado pelos m\u00e9dicos, disse que &#8220;ningu\u00e9m o tirava do jogo&#8221;. Coube a Zagallo a palavra final: arriscou e botou o Fen\u00f4meno em campo. Ao que tudo indica, o time todo jogou preocupado. Imaginava-se que o camisa 9 pudesse cair duro no gramado. Quando se chocou com Barthez ainda no primeiro tempo, as pernas de todos tremeram mais.<\/p>\n<p>Enfim, outras vers\u00f5es circularam por a\u00ed. A mais divertida at\u00e9 hoje: a CBF vendeu aquela Copa para a Fifa, com anu\u00eancia da Nike &#8211; procurem por <a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/search?q=Ronald+Rhovald\" target=\"_blank\"><b>Ronald Rhovald<\/b><\/a> por a\u00ed e ver\u00e3o que ainda tem gente certa de que este fict\u00edcio representante da patrocinadora trocaria, por um bom dinheiro, o t\u00edtulo de 98 por caminho facilitado em 2002&#8230;<\/p>\n<p>Teorias da conspira\u00e7\u00e3o que certamente se encaixariam como alguma indicando nova mutreta entre cartolas: se o Brasil garantisse o t\u00edtulo de algum europeu em 2006, seria contemplado como sede da Copa em 2014. A farra em Weggis, aquele clima de &#8220;j\u00e1 ganhou&#8221;&#8230; Zidane carrasco outra vez, o melhor em campo, cobrando falta em dire\u00e7\u00e3o ao Henry. Tudo politicagem.<\/p>\n<p>Deve ter sido consequ\u00eancia do trauma pr\u00e9-tetra, sei l\u00e1. Desde ent\u00e3o, &#8220;somos o pa\u00eds do futebol&#8221;, &#8220;os imbat\u00edveis&#8221;&#8230; Seria mais simples admitir que perdemos, que a Fran\u00e7a foi melhor. Ah, mas n\u00e3o teria gra\u00e7a sem a perturba\u00e7\u00e3o das lacunas da derrota. Viva o mist\u00e9rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo encontro entre Brasil e Fran\u00e7a em uma Copa do Mundo, em 2006, todos sabem perfeitamente o que houve. Aquele time do Parreira entrou em campo como se fosse um divertido encontro de compadres, sem nenhum compromisso. Como se estivessem treinando em Weggis, na Su\u00ed\u00e7a. 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